<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455</id><updated>2012-02-11T23:16:41.917-02:00</updated><title type='text'>NANA RODRIGUES - POR DENTRO</title><subtitle type='html'>quando se olha por fora se vê o que há por fora, mas o que há por dentro quem poderá ver...não com esses olhos, não da mesma forma que sempre se olhou...não mais assim...por dentro é mergulho, por dentro não há como não encontrar o que se procura...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>484</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3337257095028097276</id><published>2012-01-18T14:18:00.000-02:00</published><updated>2012-01-18T14:18:36.701-02:00</updated><title type='text'>nome</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;um dia me disseram que a única possibilidade para a não pulsação é a morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;(um nome.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;não voltaram a me explicar certas coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;(o nome.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;mas não entendi como se morre por dentro e se continua vivo por fora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;(nome.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3337257095028097276?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3337257095028097276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3337257095028097276' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3337257095028097276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3337257095028097276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2012/01/nome.html' title='nome'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4698102095356153559</id><published>2011-09-26T20:34:00.001-03:00</published><updated>2011-09-26T20:34:26.810-03:00</updated><title type='text'>sob o amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;com os olhos dentro do seu eixo e um vento que perpassa por dentro e arrepia a pele na presença de uma imagem que se tornou a sua face em meu bolso que dói de saber coisas que nunca pude suportar e as palavras se tornam acessórios em nosso repertório de ilusões que criamos sob encomenda um para o outro e deixamos de nos falar por dias e nunca mais conseguimos retomar o percurso que nos levaram a fazer aqueles sentimentos expostos na sala como quadros imóveis de dor e pudor e as faces já vermelhas de tapas e vergonha de ser pulsante o amor que vive ali e uma recriminação pairando sobre o desejo de ser mais forte do que o desejo de ser com as mãos e pés dentro do corpo do outro que se mexe sem desmanchar os castelos de sangue que conseguimos fazer com pás e colherinhas de afeto e a água que pinga de nossos lábios selados em beijos de dor como se pudessemos voltar e fazer novamente as escolhas que fizeram por nós como as cores de um céu mudando o mundo que nos circunda e passamos a arranhar os corpos mortos que nos jogam sobre os ombros e cochichamos em nossos ouvidos gemidos de alegria e solidão eu vou olhar nos seus olhos e vou sentir meus poros pularem num precipício de palavras macias onde sonho morar &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4698102095356153559?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4698102095356153559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4698102095356153559' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4698102095356153559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4698102095356153559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/09/sob-o-amor.html' title='sob o amor'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4790012792868809007</id><published>2011-08-19T23:16:00.000-03:00</published><updated>2011-08-19T23:16:50.144-03:00</updated><title type='text'>de quando a esperança passou a ser lâmpada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;pois decidiu que assim seria, seria assim que a esperança seria. como uma lâmpada fria que nem sequer ilumina uma pequena sala escura, onde deveria residir tudo o que há. tudo o que pode haver caberia naquela pequena sala escura. que sempre foi escura, mas que de uns tempos pra cá passou a ser seca e fria. e tomou muitas outras diversas decisões, tão frias quanto, tão escuras como e das quais pouco se arrependeria, já que aprendeu a se arrepender bem pouco, desde de que se tornou pequena, seca e fria. decidiu não fechar mais os olhos, não dar passos uns na frente dos outros, decidiu seguir em frente como podia. já que como podia era o conseguia. decidiu ser só&amp;nbsp;pele e osso. não ter mais sono, medo, frio na barriga ou dúvida. decidiu pautar a vida por pautas que não seriam as de música e sim as de reuniões de negócios. percebeu que sofrer por amor havia saído pela porta daquela sala e não havia mais voltado. que não voltaria. perdeu naquela escuridão a fé, piedade, dor, saudade, toque e preferiu não perder a esperança só para poder vê-la transformada em uma lâmpada fria, instalada numa gambiarra no canto da sala, um cantinho pequeno de uma sala pequena e que tornou tudo frio, seco e desgastado, num tom sephia feio, de um ar estagnado que sequer consegue entrar e sair dos pulmões. e já sabia que não conseguiria mais deitar de costas e chorar. tinha aberto mão disto também. e o coração já não passava de um pedaço de carne mal passada, num eco de pele e ossos a se deslocar por um espaço apertado e em um tempo inexistente. escolheu a sem-gracisse. o desfocar. uma reta que terminava no infinito, sem curvas, sem paradas, sem. e tudo não passava de um borrão do que desejou um dia ter. um borrão não de um bom desenho, mas de um rabisco provisório sem cores que pudessem terminar num borrão vermelho ou&amp;nbsp;magenta. apenas uma mancha tão escura quando o recinto que vivia de uns tempos pra cá. apenas um borrado de tons sem propósito esperando&amp;nbsp;&amp;nbsp;o dia da lâmpada queimar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4790012792868809007?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4790012792868809007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4790012792868809007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4790012792868809007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4790012792868809007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/08/de-quando-esperanca-passou-ser-lampada.html' title='de quando a esperança passou a ser lâmpada'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3061646589684545933</id><published>2011-08-10T22:25:00.000-03:00</published><updated>2011-08-10T22:25:08.772-03:00</updated><title type='text'>minha pequenina marchinha interna</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;vamos falar de amor? de tratar o outro como queremos ser tratados e que nunca será como sentimos que queremos, pois o que é que é pra mim que não é o que é pra você. mas sempre dá pra aproximar as pontas sem derrubar o que há no meio, sempre há como fazer uma dobradura bem bonita, com o papel do afeto, com o papel do respeito. e de vez em quando paramos de pensar só em nós mesmo e passamos a dar uma olhadela no outro e perceber que numa dessas esse outro também é nosso e esse nosso não é no sentido de nosso, mas no sentido de nosso. entende? e quando percebemos por uns instantes bem pequenos, podemos tornar certas coisas bem grandes, certas coisas do tipo coração, do tipo amor, do tipo respeito. podemos fazer o que nos vem a cabeça, nem que seja só por uma noite, só por uma noite. e depois no dia seguinte seguimos com a nossa vida, mas ela não segue mais sozinha, segue pelos passos da contaminação que se dá quando algo muito bom ou algo muito ruim acontece. e talvez certas vezes dependa de nós o "muito ruim" ou o "muito bom". talvez muitas coisas dependam de nós. o "nosso" talvez dependa do nós. mas mesmo que não sejamos capazes de amar assim todas as horas, os minutos, os segundos, ainda que na maioria do tempo sejamos nós manipulando o nosso para que vire um outro tipo de nosso. mesmo assim, naquele segundinho ali, em que percebemos a presença do outro. neste momento somos capazes de fazer o que fomos feitos para fazer. somos capazes de respingar em nossos corpos uma espécie de tinta fluorescente, que não dá pra ver sempre, mas hora ou outra vai brilhar. e quem sabe, com tanta gente pelo mundo, num segundinho aqui, num outro ali, o tempo passe melhor do que tem passado neste passado que vivemos agora!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3061646589684545933?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3061646589684545933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3061646589684545933' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3061646589684545933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3061646589684545933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/08/minha-pequenina-marchinha-interna.html' title='minha pequenina marchinha interna'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3253754956280149085</id><published>2011-08-08T20:30:00.000-03:00</published><updated>2011-08-08T20:30:41.426-03:00</updated><title type='text'>de como cresce o amor</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;era carente. de toque, de atenção, de afeto, de carinho, de amor. amor próprio, amor privado e amor público. sentia na pele a falta de tudo o que se relacionava aos sentimentos.&amp;nbsp; carente como se carência fosse uma moléstia que se pega ainda na infância e para qual o governo não disponibiliza vacina. sentia que não podia mais. e de tanto que observava e pensava, de tanto que via e lia, um dia sem querer achou o querer onde menos pensava. estava ali, por módicos seis reais. seis reais que separavam o ser do sentir. estava ali. entrou meio envergonhado. nunca havia imaginado pagar para ter os carinhos de outro alguém. nunca havia imaginado uma porção de coisas. seis reais. uma nota de cinco e uma moeda de um, três notas de dois, uma de dez que volta quatro. um mais um que gera dois. dois que gera afeto. afeto que se compra por apenas seis reais. entrou. a moça da recepção perguntou se tinha preferência. avermelhou. baixou os olhos num menear de cabeça. ela lhe disse para esperar no banco. lhe deu um papelzinho que tinha um número. o número do amor. alheio. foi chamado minutos depois. sentiu o bambear das pernas tropeçantes. sentiu os pés com vontade própria. mas foi. afeto. sentou meio de lado. desconfortável como todos os que amam. ela lhe perguntou como queria. ele respondeu "o de sempre" de um sempre que nunca havia existido. sentiu o toque deslizar pela nuca. sentiu o eriçar dos cabelos, barba e bigode. ela tinha as mãos leves e sabia bem o seu oficio. afeto. por seis reais. ele não viu a hora passar. o amor não tem hora. não passa. se despediu. leve. foi até o balcão da recepção e pagou.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e voltou. como voltou. a cada dois dias entrava no recinto. um dia pedia uma coisa, no outro outra e assim seguia sem que ninguém lhe incomodasse. é claro que desconfiavam daquele homem ali, de dois em dois dias. é claro que não entendiam como nunca se satisfazia, como poderia querer sempre mais do mesmo. mas não era o mesmo. eram seis reais. era afeto. a maioria desconfiava de uma solidão latente que o fazia bater ponto por ali. mas ele sabia que era muito mais. sabia que por dentro era carcomido de amor. e que pouco a pouco, a cada seis reais empregados, era preenchido de afeto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e passou muito tempo achando um detalhe pra melhorar aqui, outro pra arrumar ali. e sempre tinha o dinheirinho separado, trocado. trocava seis reais por amor. e como lhe remoçava. saia de lá com um aspecto limpo, novo, jovial. não lhe importava quantas pessoas passavam por ali, todos os dias. não se importava com quantos outros ela fazia. gostava de quando era com ele. de quando pedia que ela fizesse o que poderia ser feito e ela lhe respondia que o que poderia ser feito era o que ele lhe mandasse fazer. e então ele pedia "o de sempre", que agora já era o de sempre, e ela fazia. bem fazia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;mas depois de um tempo começou a querer mais. e por mais que pagasse por duas ou três vezes numa só, o corpo já não dava para tanto. sentia falta de um algo a mais. de um lugar menos público. sentia pontadas de ciúmes dos que estavam com ela antes e dos que esperavam ela terminar para ocupar o seu lugar. sentia nojo dos instrumentos que por vezes ela usava. sentia-se usado. e começou a dar dicas do que sentia. do algo além do que podia. e ela, não se sabe se por costume, se por falta de costume ou pelos dois juntos, nada dizia, nada manifestava, só "o de sempre". e num dia em que enroscou-se com um rabo-de-galo no caminho, num dia em que acordou do lado avesso e todos podiam ver os espaço que o afeto preencheu e os outros tantos que ainda poderia&amp;nbsp; sem preenchidos... chegou sem parar na moça da recepção, já sabia onde encontrá-la. arrancou o que estava com ela aos tapas. pegou aquelas mãos tão conhecidas e pediu que largasse tudo e fosse com ele. não para um lugar especial, não para sair daquela vida, mas para dar o afeto de que ele tanto precisava. afeto que ele até merecia. ela soltou os braços apertados contra as mãos dele, olhou nos olhos fundos e disse que não fazia mais nada para ele. não fazia mais!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e ele não sabe se saiu de lá ou se foi jogado para fora. mas se viu do lado de fora da "loja de afetos", sentiu os seus seis reais queimando no bolso, sentiu doer a raiz dos cabelos, penicar a barba, mal cheirar o bigode, as sobrancelhas entrando e furando seus olhos. andou pelas ruas com a pressa de quem saiu e não voltou. entrou em casa demolindo todo e qualquer afeto que pudesse ter respingado por ali num tempo que era outro. fechou a porta do banheiro com a fúria de quem guerreia. retirou de dentro do armarinho do espelho o kit completo de barba. olhou uma última vez para aquele rosto e sentiu que os ácidos de dentro voltavam a carcome-lo. deu início ao fim tão temido.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;raspou cabelo, barba, bigode, sobrancelhas, raspou toda e qualquer lembrança de afeto que pudesse ter restado. não fazia mais! lembrou-se no meio de uma passada de lâmina e um soluço. das mãos que o afetavam com tanto cuidado e luxo. não fazia mais! ecoando por fora e por dentro.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;e ao passar na frente do salão unissex não sentia mais nada. nem barba, nem cabelo, nem bigode, nem afeto. havia morrido.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt; nú em pelo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3253754956280149085?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3253754956280149085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3253754956280149085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3253754956280149085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3253754956280149085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/08/de-como-cresce-o-amor.html' title='de como cresce o amor'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5754278256929872165</id><published>2011-08-08T10:29:00.000-03:00</published><updated>2011-08-08T10:29:44.573-03:00</updated><title type='text'>PRA NÃO DIZER QUE SAUDADES NÃO SENTI</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;SERÁ FINDA assim que novamente nos encontrarmos, daremos aqueles abraços que sempre demos e será restituída nossa vida, nossas coisas, tudo o que sempre tivemos, tudo o que sempre sentimos e que sempre fomos um para o outro e uns para os outros. será o começo sem fim de uma nova fase, onde saberemos que temos um ao outro sempre que quisermos ter um ao outro. será morta entre beijos e abraços apertados a saudade que teima em se acumular em peitos cheios de dissabor, lembranças e saudade. será o começo do fim de uma saudade que parte e dói, todos os dias passados longe do corriqueirismo de nossa convivência. saudades das manhãs de sábado, das tarde de domingo e das noites de segunda.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E AO CHEGAR não morre toda ela. não matamos e sim somos mortos e arrebatados por uma saudade que não passa, a não ser de um para o outro em círculos. uma saudade mais forte do que nossos sentimentos verdadeiros. mais verdadeira do que nossas verdades. uma saudade que não mora no peito, mas sim em cada vértebra das nossas lembranças, em cada célula do passado que vivemos. uma saudade forjada em ferro e ouro, que não se desgasta, como se desgastam nossas peles e ossos com o tempo. uma saudade que nominarmos assim por não querer assumir que não é tão simples e por querer simplificar é que chamamos saudade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;NÃO MORRE e só aumenta e sufoca na garganta, mas mesmo que apertemos nossas gargantas com mãos cheias de amor, ainda assim não será possível sufocar esta saudade, que saudade não é. e passamos horas falando e discutindo e lembrando e pensamos ser saudade o que nos faz ter lembranças. mas percebemos que só enfiamos adagas em peitos já sangrados de tantos golpes e não morre a saudade que achamos ali estar. e temos a sensação de que cada vez que tivermos um flash de um lugar onde fomos muito felizes estaremos sufocando a saudade e a obrigaremos a sair de nós para poder respirar e uma vez estando aqui fora será morta pela luz do sol ou da lua. mas não sai, cresce por dentro, enraizada nestas mesmas memórias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;E O FIM chega para nós e não para ela, que será passada do passado para o presente. presente sempre que outro dos mesmos que somos nós se manifestar tendo uma suposta saudade de uma manhã, tarde ou noite em companhia de outrem. e saberemos depois de mortos que a saudade que sentíamos de coisas que se foram é a mesma que sentem de nós agora e que nos parece claro que não é saudade, já que não voltaremos a nos abraçar em carnes, já que é claro que não voltaremos a pisar juntos as mesmas pedras e a apertar nossas gargantas em nós de amor. saberemos que se chama nostalgia e que não saudade. e que nostalgia não se mata, pois quando se acha matar se alimenta. e como cresce, mesmo por debaixo da terra. como cabelo, unha e raiz.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5754278256929872165?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5754278256929872165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5754278256929872165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5754278256929872165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5754278256929872165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/08/pra-nao-dizer-que-saudades-nao-senti.html' title='PRA NÃO DIZER QUE SAUDADES NÃO SENTI'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-580232384741991354</id><published>2011-08-06T19:40:00.000-03:00</published><updated>2011-08-06T19:40:58.014-03:00</updated><title type='text'>SEMENTE</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Plantou  flores por todo o jardim. cuidou como pode. cuidou do frio, da chuva,  dos gatos, dos cachorros, dos pés cegos que teimavam em pisar na  recém-nascida, das pragas, dos pássaros. cuidou mais do que de si.  passou horas e mais horas, imersa naquele mundo florido. tirava folha  amarela por folha amarela, marrom. conversava com elas. eram sua  compania num mundo tão cheio de não florescidos. tinha coragem de  acordar cedo num dia de geada, logo quando o sol saia, pra retirar de  cima das suas companheiras o plástico que as cobria do gelo e deixar que  respirassem em paz. e não tinha quem não admirasse tal jardim. não  tinha quem não desse uns dois ou três minutos do seu dia para ver  aquelas belezuras. mas a beleza era só o fim. gostava mesmo da troca  diária, eu te cuido, você me cuida. eu não me cuido. nada nas costas.  nada nas mãos. nada por fora. mas por dentro, esqueceu de plantar  algumas sementes necessárias para seu crescimento. esqueceu que dentro  também é jardim. e deixou crescer erva-daninha, deixou o mato grande.  deixou tanto. já havia passado mais da metade, supunha. tinha filhos,  netos, crescidos, floridos. dera o nome das filhas de flor, ROSA,  MARGARIDA E VIOLETA. já estavam crescidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;foi  sentindo o tempo baixando sobre seus ombros. foi sentindo cada acordar  cedo. não contou a ninguém, nem ao menos as suas amigas de raizes e  cores. continuou seguindo em frente. como se isso fosse o que deveria  ser feito. acordando, mesmo que dolorida, por dentro. cuidando, mesmo  que não de si. colhendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e  o que era pouco se tornou muito. muito difícil de suportar. mas mesmo  assim foi ao médico sobre seu próprio eixo. ereta, feito haste de  margarida. havia aprendido muita coisa. e depois tudo aquilo que já se  sabe, que já se viu. o revirar das coisas de dentro do pior jeito,  aquele sem jeito, sem tato. aquele que fotografa pelo avesso. e  descobriram o que ela já sabia. tinha dentro do corpo umas  ervas-daninhas. já grandes, já crescidas. sempre se perguntava de onde  vinham as danadinhas, as daninhas. seria injusto julgar o vento, os  pássaros, as formigas. seria injusto julgar que alguma coisa pudesse  trazer o mal. mas ele vinha. não se sabe nem como e nem de onde. não se  sabe ou se diz não saber...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;era  um mal irremediável. se pegasse pequeno disse o médico, arrancava pela  raiz, tirava, extirpava, jogava veneno. mas agora era como uma árvore,  havia criado raízes profundas e não se podia mais arrancar, sem tirar  dali um grande pedaço de terra, por assim dizer. ela não sabia se ele  sabia da sua predileção por plantas, mas não havia jeito melhor de  explicar. jeito melhor de entender. e foi pra casa. pro seu jardim.  estava sossegada. com suas plantas, com seu quintal, com suas coisas,  com suas amigas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e  a peneira foi se abrindo. já não havia como não deixar o sol penetrar  pelos furos imensos que ali se encontravam. o sol. tão bom, tão  necessário. agora não mais. não mais ali. ia no hospital e voltava.  pedia pra sair. assinava a rendição. dizia que sabia o trabalho que  estava dando. e foi ficando cada vez mais envergada. envergonhada de não  mais poder cuidar das suas flores, do seu jardim. e cada vez que ia  demorava mais pra voltar. e quando voltava, não eram todas que tinham  sobrevivido. sofria por todas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;mas  um dai acordou bem. se sentia revigorada. reerguida em sua haste tão  gasta. regou as plantas, que respiraram aliviadas. arrancou todo mato.  cercou com palitos e fitas, coloridas. passou o dia do lado de fora. vez  por outra ouvia um grito de "entra!", não ligava. estava entretida.  mais do que isso, estava certa. só depois do sol entrou. resolveu dar  jeito em umas coisas, que faz tempo estavam carecendo de ordem. gavetas,  armários. e lá no fundo de uma caixa no fundo do fundo, um envelope.  sementes. pequenas. não se sabia o que eram e nem de onde tinham vindo.  se foram guardadas, ganhadas, compradas. se surgiram ali como surgem as  ervas-daninhas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e  o relógio do corpo deu sua badalada. final. chamou as filhas-flores na  sala. contou de tudo e mais um pouco. regou todas com suas lágrimas.  disse a roupa, vestido e casaco. tinha medo de passar frio em sua  partida. deixou-as regadas na sala e voltou ao quarto. colocou no bolso  do casaco escolhido o envelope. secreto. não se sabia se eram daninhas  ou danadas. curvou-se para a colheita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;como  flor que cai, não se ouviu nem suspiro, nem baque. só colhida, ainda  flor. no chão. no quarto. chamaram médico. chamaram por tudo. ceifada. a  roupa do lado da cama.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;e  como todo tempo que é passado, passa. e todo sábado iam até o jardim  final da florista, MARGARIDA, ROSA E VIOLETA. visitar as gramas. tirar o  mato. regar a flor maior. e depois de seis meses. já com a dor menos  dolorida. assim como acontece com tudo na vida. lá estavam elas. e de  longe viram uma coisa que as deixou regadas. um maço grande de flores,  que não se sabia quem teria levado até o lugar. e chegando mais perto  viram que não haviam levado, estava. brotou da terra. estava plantado  ali um buquê. e sorriram pensando que de tanto que gostava de flores,  Deus havia presenteado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;agora ela sabia, não importava do que eram as sementes e sim como seriam plantadas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;estava de novo em seu jardim! plantada...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-580232384741991354?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/580232384741991354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=580232384741991354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/580232384741991354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/580232384741991354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/08/semente_06.html' title='SEMENTE'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-8144322658646734240</id><published>2011-08-06T09:26:00.000-03:00</published><updated>2011-08-06T09:26:00.027-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tem olho que olha pra ver&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;tem olho que olha pra esquecer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-8144322658646734240?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/8144322658646734240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=8144322658646734240' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8144322658646734240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8144322658646734240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/08/tem-olho-que-olha-pra-ver-tem-olho-que.html' title=''/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3493490397613742066</id><published>2011-07-20T01:14:00.000-03:00</published><updated>2011-07-20T01:14:02.729-03:00</updated><title type='text'>bolhas de sabão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;bolhas de ar são bolhas de sabão. estourando dentro de vasos. vasos são vasos sanguíneos. borbulhando por dentro pensamentos que não trazem se não uma dor inverossímil. distante quilômetros de distância. um simples pensamento cria o copo com sabão derretido em água. sabão que não daria pra lavar toda a sujeira que se acumula dentro do compartimento. e a música enlouquece até as senhoras que rezam de joelhos na brita que retém automóveis e caminhões na curva perigosa dos vasos sanguíneos que entram em ebulição com simples pensamentos bem simples. tão simples quanto imagens acumuladas dentro de uma memória que nunca se cala, que nunca para e que nunca morre. por mais que matem. por mais que deixem sem regar. a repetição é impossível de não ser notada. assim como são impossíveis de não serem notados os deslizes que você cometeu na ânsia de tornar tudo muito claro. e escurece com rapidez noturna. escurece. obscurece. perde os sentidos depois de horas ajoelhada em espigas de milho verde. ajoelhada rezando para poder levantar os olhos e olhar o que está ali adiante. mas não adianta querer olhar as fotos que não foram tiradas dos porta-retratos que não se portam de maneira coerente com as incoerências de rezar por uma alma que não reflete a luz do sol, que não reflete a luz dos olhos que ainda olham para fotos estáticas. paradas num tempo em que fazia sentido sentir. e borbulham seus olhos em lágrimas efervescentes. borbulham seus joelhos dobrados desde os tempos em que pecar estava em vigor. espera sozinha a solidão que não chega. enlouquece esperando a loucura que não chega. espera enlouquecer de tanta dor. mas não sente tanta dor assim. ou sente e não assume para não dar o braço a torcer, já que braços torcidos doem tanto no osso, como na carne, como no nervo, como na alma. e prefere esperar lá fora até que a noite acabe e ela possa ver com os próprios olhos cegos de fúria e cor que ainda existem dias e que depois deles a noite virá e tirará toda aquela claridade que lhe faz ver as coisas tão claras como a luz do dia e sente que não sabe por onde começar e resolve rezar para que tudo passe e as horas em que passa rezando não passam de horas em que passa rezando. deita e dorme e sonha com um mundo onde as coisas não se acabam, onde não se precisa comprar nada, já que não se acabam aquelas coisas que já estavam ali e sempre estarão e fica feliz por não sair dali nunca mais, por não precisar de nada, por não ter que temer o fim das coisas, por não precisar rezar por coisas que não são mais suas, já que elas sempre estarão ali, sempre estarão ao alcance de suas mãos rápidas. e os joelhos calejados rezam por um dia em que tudo acabe e que ela não precise ficar esperando as coisas chegarem ao ponto em que nunca estiveram. e a música se repete. e se repetem as bolhas de sabão que se colorem e se descolorem de acordo com vontades alheias as suas e não passam de uma desculpa rala, uma mistura rala de água e sabão, que não servem nem para lavar as imundices que povoam agora a parte de dentro daquele receptáculo de dor e de amores que não passam de reza de joelhos cansados de esperar por se desdobrar em vasos sanguíneos que se explodem e lavam o chão, os milhos verde e os joelhos se levantam com as mãos erguidas para o céu em sinal de abnegação. e ainda está marcado no lado esquerdo do seu rosto que também é seu e na sua boa inteira que também é minha. e nos olhos não preciso nem falar de fotografias que não figuram mais os nossos cartões postais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3493490397613742066?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3493490397613742066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3493490397613742066' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3493490397613742066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3493490397613742066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/07/bolhas-de-sabao.html' title='bolhas de sabão'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-7547235737851108879</id><published>2011-07-20T00:36:00.000-03:00</published><updated>2011-07-20T00:36:48.168-03:00</updated><title type='text'>d AÇÚCAR</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ERA um homem. era a vez que este homem viu sua paixão se perder no caminho entre seus olhos e outros olhos que não os seus. era uma tarde em que chovia. era uma chuva tão fina que não era capaz de molhar nem o chão pisado e umido. era uma tarde que não temia em se tornar escura. era uma estrada. era um caminho. eram os pés no chão caminhando rumo aquela rua que era estrada. era a chuva que continuava. eram os passos no caminho. era a roupa ficando molhada de tanta chuva fina que se acumulava. era a chuva fina adentrando no corpo nu por debaixo da roupa que vestia. era um corpo de açúcar que não sabia. era a umidade. era o desfacelar lento das coisas reais. era carne. era osso. era pele. era doce.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;não é mais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;é a roupa ficando cada vez mais folgada. é o desfazer que anda pela chuva que não é mais fina. que se adensa. que se engrossa. que derrete. é o passo que não para. é o passo que segue no processo de se desdizer. é o açúcar que se derrete em plena rua. que se mistura com a água farta que escorre pelo lado esquerdo e direito da rua. rua que é estrada. é uma infinidade de açúcar por dentro e por fora. é que demora a derreter por completo. é duro. é denso. não é mais impossível. impassível a chuva que cai. e segue até o fim. até que é chegada a hora de abandonar roupa que não serve pra tapar o que é derretido. não detém. não é detido. derretido. e se mistura com água pura de chuva. chuva sem sabor. dissabor. sem nada. só chuva que cai de um céu que existe já que posto está. e se misturam como corpos não se misturam. como não se misturam pensamentos. como não paixões. e seguem o caminho se juntando cada vez mais. e chuva. e açúcar. e água adocicada. água com açúcar é servida aos bueiros. bocas de lobo. a cada duzentos metros, um pouco menos, um pouco mais. é neste momento. é exatamente nesta hora. a água doce. é boca abaixo. em descida plena. pelas goelas da rua. estrada. que recebe com soluços esparssos. e cura todas as mágoas que ali sempre foram depositadas. nas sarjetas. encontra. escorre adocicada. água com açúcar nos bueiros sujos das ruas. que não se importam. que não se importa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;vai parar a chuva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e a água secará nos riachos das beiras. ficará marcada com linhas vistas por bons entendedores. e nas goelas das ruas e dos seus bueiros e bocas de lobos o gosto terminará com os soluços de uma vez por todas. e mesmo que em futuro distante venham a ser jogados nas sarjetas outros soluços e gotas salgadas, não haverá de se apagar o dia em que havia água com açúcar. mas não haverá solução para os suspiros que teimarão em sair de bocas de açúcar que teimarão em sentir ainda um arrepio frio pela espinha dorsal do algodão doce quando defronte para olhares que emitem raios de paixão. e não haverá esquecimento capaz. não haverá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;era uma mulher. doce. que não adoça mais. era.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-7547235737851108879?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/7547235737851108879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=7547235737851108879' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7547235737851108879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7547235737851108879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/07/d-acucar.html' title='d AÇÚCAR'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2964206226114714080</id><published>2011-07-14T21:18:00.000-03:00</published><updated>2011-07-14T21:18:23.613-03:00</updated><title type='text'>PRONTA entrega.</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;gostava das que viviam nas ruas. não as que tinham casa e de vez em quando iam para a rua. não aquelas que escolhiam trabalhar na rua. não aquelas que passavam os dias nas ruas e depois iam se recostar em algum lugar. gostava das que viviam na rua. e viver na rua significava ficar lá uma vida. estar lá de manhã até a noite. estar lá quando chove. quando faz sol. quando nubla. estar na rua. fazer parte dela. se misturar ao asfalto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;era bem apessoado. tinha casa, comida e roupa lavada. o básico para se viver bem. tinha uma porção de livros, que chamava de biblioteca. tinha seus afazeres, suas manias, suas vaidades, sua vida. sempre sozinho. nada de mulher, nada de filhos. só uma moça, tão gasta pelas horas quanto ele, que ia todos os dias lhe dar de comer, lhe lavar as roupas e limpar a casa. sua rotina consistia em sair e voltar. abrir e fechar. andar e parar. respirar e expirar. comer e cagar. pensar e despensar. ler e esquecer. entender e teimar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;quando saia no final do dia, desde o décimo andar até a portaria, todos sabiam o que ia fazer. pegar pela mão, entrar pelos fundos, subir pelo elevador de serviço, entrar pela cozinha, tirar a roupa, levar pro banheiro, ligar o chuveiro, lavar com água e sabão de coco, enxaguar com água limpa, secar com toalha branca, levar para o quarto, dar chocolate, dar champanha, deitar sobre, entrar dentro, sair fora, levar pra cozinha, dar lanche, colocar a roupa, abrir a porta, fechar a porta. uma vez por semana. quatro semanas por mês, doze meses por ano.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;o que faziam lá em cima só quem escreve é que sabe. não sabia nem o décimo andar, nem a portaria, nem a moça gasta do faz-tudo. só ele e a que vinha. e quem vinha uma vez, nunca mais vinha. gostava da variedade. gostava da &lt;i&gt;primeireza&lt;/i&gt;. gostava da inocência. gostava da surpresa. dele e dela. ganhavam todos. todos se surpreendiam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e quando depois, no dia seguinte, repensava porque fazia. se lembrava de quando era mais novo. de quando ia até o bordel e pegava uma menina. outra menina. meninas novas, meninas velhas. lembrava do que faziam, de como faziam, do desgosto que o gosto delas tinha. de como já sabiam a hora certa de tudo. e como colocar o pé ali dentro era já saber o futuro. e depois de anos na repetição tórrida do amor delivery sentiu-se cansado. sentiu que não podia mais com um amor que já sabia. e ficou um tempo bem grande, não horas ou dias, um tempo, sem amar as meninas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e andou pelas ruas. e andou pelas avenidas. andou pelas nuvens. andou para onde podia. e um dia esbarrou no mundo. na verdade em uma de suas esquinas. surpreendeu-se de o mundo não ser tão redondinho quanto sabia. e a viu. suja. maltrapilha. sem muitos dentes. e sorria. como sorria. havia acabado de ganhar de um motorista uma nota. e já fazia planos de mudar sua vida. comprar casa, comida e roupa lavada com a nota que havia ganho. e ele se pegou olhando. amassando uma porção dessas notas no bolso. bisbilhotando a vida alheia. e não é porque estava na rua que podia ser vista livremente. sem pudor. fechou os olhos para ela e seguiu caminhando.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;mas de noite o suor que tomou conta de seus pensamentos e fez escorregar ideias para fora da cabeça. fez pensar coisas que nunca havia. fez acordar cedo e correr pra rua. e uma vez na rua a vida é outra. uma vez na rua as coisas são da rua. tem sua lógica e sua caracteristica próprias. e começou a olhar para quem não existia. começou a sentar naquele banco do ponto de ônibus da praça. passou a dar ideias aos pombos, que as comiam como pipocas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e num fim de tarde ruivo, resolveu colocar em prática sua ousadia. resolver ver se dava para o gasto o que lhe apetecia. desceu até a rua. deixou o destino escolher por ele. não jogou conversa. foi direto e verdadeiro. como as coisas da rua. viu o sorriso desconfiado sem dente. entrou pelos fundos e desempenhou a sua ladainha.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;com o tempo passou a acertar um ou outro detalhe. uma coisa aqui e outra ali. mas duas não mudavam. a imparidade das que vinham e a pluralidade do que fazia. do banho que dava e que fazia arrepiar até cabelo crespo. da toalha branca macia que se sujava na pele que nunca limpa. da cama esperando de braços abertos. dos bombons finos. da champanha. do lanche. e da porta se fechando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;e o que rememorava das meninas da rua e que nada se parecia com as meninas da vida. como cada bocada nos bombons era a primeira e última para as da rua, quando as da vida já tinham até as suas marcas preferidas. do banho de deleite que não havia rua que pudesse dar e que as outras tomava a cada saída. da champanha fazendo bolinha na boca da garganta e que já não borbulhava nas gargantas profundas. a saciedade do estômago que nunca se sacia no lanche e das outras que pareciam viver de vento, não comiam. e do olhar de rua que davam as da rua, pensando na próxima que nunca aconteceria. quando as da vida tinham certeza de que &lt;i&gt;volver &lt;/i&gt;outro dia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;gostava da rua e da pronta entrega de suas meninas sempre prontas. que nas outras meninas era delivery, as que se vendiam...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2964206226114714080?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2964206226114714080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2964206226114714080' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2964206226114714080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2964206226114714080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/07/pronta-entrega.html' title='PRONTA entrega.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-1396235396677305022</id><published>2011-07-13T11:03:00.000-03:00</published><updated>2011-07-13T11:03:03.085-03:00</updated><title type='text'>o doce amargo da paixão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;que de tão doce arde os olhos e a garganta com um nó. e nem música, e nem pintura e nem arte superior se compara ao olhar nos olhos de quem é apaixonado. e a dor de não ter nas mãos o coração seco para poder molhar, espremer, apertar até sentir um pontada, uma palpitação, um "que" que seja. e um gosto amargo e doce se espalha pela boca daqueles que olham a paixão sem tocá-la, já que ao alcance das mãos sempre está. e a dor de não poder dar o que lhe é oferecido é sempre mais dolorida do que dar e não ser acolhido. ver olhos que saem do globo e penetram nos seus tão secos. pois se pra receber fosse só abrir os braços e pernas e tudo o que possa ser aberto. quando se perde a chave e fica a dica triste de que se tem alguém apaixonado por você e você não está mais. e um dia esteve, mas este dia ficou congelado e depois exposto ao sol de um outro alguém que fez derreter.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-1396235396677305022?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/1396235396677305022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=1396235396677305022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1396235396677305022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1396235396677305022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/07/o-doce-amargo-da-paixao.html' title='o doce amargo da paixão'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-8335489982310155534</id><published>2011-07-09T20:16:00.000-03:00</published><updated>2011-07-09T20:16:16.407-03:00</updated><title type='text'>pra dentro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;ou com os olhos fechados do lado de fora. do lado de dentro aberto. os poros. de quem são? e fica abrindo e fechando perto da minha bochecha e os cílios tocando a pele vazia de cor. a melancolia lhe cai bem e lhe dá uns tons que não existem. não mais. como é bonito daqui e com os olhos fechados. bem fechados quanto mais abertos estão. e nada importa, não é? não é não vai ser mais quando não for, mas ainda será. e sempre. e se você escolhe os seus calçados eles não lhe machucarão os pés pois terão piedade de dar-lhe só dor quando por ti foram escolhidos e lhe cabem e lhe fazem sentir melhor do que sair com os velhos, os mesmos de sempre. como as pontas de dedos que batem de leve que quase não se sente. como as pontas dos dedos dentro da boca que não se sente muito. como as pontas dos dedos dos pés tocando couro de sapato novo. a reprise de um sonho. quando se acorda de leve e tudo pode ser leve e se abre os olhos até então fechados. e se termina de leve um sonho que ainda persiste. e se sente que poderia dormir de volta e não tem volta o sonho que se termina e continua sonhando acordado. sem a alegria de braço abertos. sem braços. sem dedos. sem pele. de leve. como se a solidão pudesse te achar num canto escuro do quarto de hora em que se encontra sozinho. como se a saudade pudesse voltar sozinha e acompanhada da solidão que teima em não te deixar só. como se o canto não fosse um canto e sim um conto arredondado por dedos de barro que moldam o mundo que não cabe em si. como se a melancolia fizesse de ti um cachecol que carrega na bolsa e espera um dia&amp;nbsp; fazer frio aqui no sol e poder te usar no pescoço, no colo de ninar tristezas. e vai. naquele sonho que não espera você dormir. que não espera sonhar.. que só dá de volta o que recebe e ainda dá um pouco mais da solidão que lhe sobra. não mais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-8335489982310155534?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/8335489982310155534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=8335489982310155534' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8335489982310155534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8335489982310155534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/07/pra-dentro.html' title='pra dentro'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2465015190247112264</id><published>2011-07-09T19:07:00.000-03:00</published><updated>2011-07-09T19:07:13.690-03:00</updated><title type='text'>infâmiazinha</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ele não tinha muito o que fazer. mas como ele se tratava de deus, aquele que esteve por aqui e vai estar, o não fazer nada não tarda a findar. e ele resolveu criar uma coisinha num espaçinho ocioso que tinha no seu quintal. foi ali, fechou os olhos, imaginou e depois cabrum... surgiu uma bola redonda, com cores primárias, se vista de longe. eis que vinha pelo universo um dos seus, caminhando pela galáxia como se nada tivesse acontecido. e no fim para ele não havia acontecido nada mesmo. não tinha o dom da premonição. e então ele, que de nada sabia, tropeçou na mais nova criação de deus e caiu. tropeçar e cair é o que haveria de ser mais comum na nova criação. mas até então era erro grave. não havia como se manter o mesmo depois de ter caído...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e depois de ser um caído, ele ficou por ai. sem ter o que fazer resolveu cair mais uma vez, agora em jogatinas, apostas e tudo o que pudesse fazer o tempo da eternidade passar. e como demora quando se tem o tempo todo. e então deus não contente colocou um detalhe aqui, um outro ali, mais um acolá. e chamou de terra aquela bola redonda de terra. era terra pra tudo quanto era lado, como se redondo tivesse lado. era modo divino de dizer...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e como terra serve pra segurar algo que se possa colocar por cima, eis que surge um quadrúpede aqui, outro ali e mais um acolá. sempre que se faz uma coisa aqui, se faz outra ali e ainda outra acolá. cabala... e então numa tentativa mais experimental do que profissional, surge um que diz que pensa, mais diz do que pensa, já que se pensasse não diria e caminha sobre duas pernas ou patas, que no fim dá tudo na mesma. e então as coisas na base de uma semana se dão. é findo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e a jogatina rolando no espaço, com aqueles que um dia também tropeçaram. que um dia também perderam o equilíbrio, com aqueles que caíram. e o tédio controla as cartadas. mas o que é um tropeço pra quem já está caído, o tal resolve dar um bordejo pela leitosa. numa dessas pra dar um chute naquela pedra que até então não estava ali e que surgiu do nada só para lhe fazer caído... e se depara com um pessoalzinho dominando o pedaço. de terra. e percebe que por mais que se digam inteligentes, lhes falta um tanto de malícia... coisa que tem aos montes os dos tropeços.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e depois de observar as peripécias dos terráquios, resolve apostar com quem tem bala na agulha. aliás, com que é por si só a bala e a agulha... e aposta como dá um nó nos pingos d'água que deus colocou sobre duas pernas. e deus de cara com o caído, mas já tedioso por ter feito a terra em sete dias, resolve confiar na inteligência do experimento. se fosse eu...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e então não preciso nem falar que deus perde, perde feio tal qual viria a ser rotina pra uma seleção de um país do bola que ele mesmo criou. e de vergonha por ter feito um experimento que não dura nada, um experimento com garantia chinesa. deus cospe no chão e sai nadando. e uma vez feito o cuspe divino, já não se deveria chamar de terra a bola, pois dali vieram oceanos, continentes, peixes, tubarões, gravidade pra manter tudo amalgamado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;e o outro voltou pra mesa de jogo. desiludido... mas teria trabalho mais adiante, como teria...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2465015190247112264?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2465015190247112264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2465015190247112264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2465015190247112264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2465015190247112264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/07/infamiazinha.html' title='infâmiazinha'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-464620140585082560</id><published>2011-07-06T01:06:00.000-03:00</published><updated>2011-07-06T01:06:31.377-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;NÃO matarás. não ROUBARÁS. não cobiçarás. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;não farás nada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ficarás imóvel e as coisas ainda assim te acontecerão. tanto coisas boas quanto ruins. acontecerão num trilindar frenético de vozes. como se a sua cabeça, por si só, já não bastasse para guardar os mandamentos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;eu te dou uma tábua. quem sabe duas. elas são suficientes para construírdes uma casa. entende agora o que são tábuas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ou dirás que sua mente não é capaz de guardar coisas simples como estas que lhe dou. e se não só a ti, lhes dou então.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;- Eu não farei a ti, meu irmão, nada daquilo que não faria a mim mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;- Eu não farei nada ao meu próximo, que não faça a mim mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;- Não farei a ti.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;- Nada daquilo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;- A mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;- Não farei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-464620140585082560?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/464620140585082560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=464620140585082560' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/464620140585082560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/464620140585082560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/07/nao-mataras.html' title=''/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5254702487482256785</id><published>2011-07-06T00:28:00.000-03:00</published><updated>2011-07-06T00:28:55.277-03:00</updated><title type='text'>um conto insignificante.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;é sobre uma caixa repleta de outras caixas de bala. as balas são de mente. aqui não devemos confundir menta com mente. não devemos cometer erros crássos ou crássicos de digitação. aqui não erramos e temos a noção do que este conto significa. as balas são de menta.&amp;nbsp;cobertas por uma fina camada de baunilha. são balas doces. doces balas. as crianças as costumam chamar de "balas de bafo", tendo em vista o poder que estas tem de retirar da boca de todas as pessoas do mundo que se propõem a isso, o "bafo" e trocá-lo por um hálito saudável de menta. hálito de menta é o que se tem como padrão. para os demais hálitos verificar tabela. então se trata dessas balas de bafo e das pessoas que as consomem. num recorte específico da pessoa que as consome. se consome. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;então esta pessoa compra pela primeira vez as balas e percebe, assim como quis o fabricante, que há um envoltório de baunilha em uma bala de menta. uma pequena bala de menta que consegue esconder pelo lado de fora um segredo, que se torna uma incógnita. essa pessoa de quem estamos falando ou que nos fala percebe o sabor de baunilha, que dura ínfimos instantes de fugacidade e logo em seguida sente o sabor vendido, a menta. e então depois de terminar de consumir a pequena caixa de balas de bafo. depois de refinar seu paladar, sua vida e suas escolhas mais profundas, a pessoa percebe ter uma preferência quase exclusiva pelo sabor de baunilha. percebe não fazer sentido consumir algo que não lhe apetece. toma uma decisão definitiva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;a pessoa que nos fala decide comprar uma caixa completa e fechada de balas de bafo, por assim dizer. tendo em vista que essa expressão não pode ser usada em outro lugar que não este, que é o lugar de onde esta pessoa nos fala diretamente. sabendo-se que se chegarmos em qualquer local do comercio local de varejo, jamais conseguiremos comprar uma bala de bafo, sem ter que dar amplas explicações ao vendedor especialista de doces e balas doces. a pessoa compra a caixa repleta de outras nanocaixas. a pessoa é objetiva. a pessoa já tem a sua decisão. essa pessoa que se comunica diretamente conosco chupa as balas. mas somente enquanto há o sabor de baunilha. não menta. somente a baunilha. néctar maravilhoso extraído de um lugar que desconhecemos. depois de e no exato instante em que se tem menta, a bala&amp;nbsp;é expelida da boca com um cuspe econômico sem saliva extra. a bala volta ao mundo em sua forma mais cruel e justo por isso, mais natural.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;a pessoa tem o &lt;em&gt;filing&lt;/em&gt; de percebe onde começa a baunilha e onde ela acaba. não onde termina a baunilha e onde começa a menta. não menta. estamos num recorte específico sabor baunilha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;a pessoa que vos conta pessoalmente este pequeno conto insignificante sabe das coisas. e depois da caixa de balas finda. do mundo cruelmente, mas naturalmente povoado de balas de menta sem baunilha, realocadas no espaço. alguém alheio&amp;nbsp;a pessoa, aos consumidores, as crianças, aos produtores de menta e baunilha, dos vendedores especializados e dos blogs de divagações, pergunta a esta pessoa o motivo dela não consumir balas exclusivamente de baunilha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;é um conto insignificante sobre doces e balas doces. a pessoa que fala com vocês que óbviamente lêem não responde. a que perguntou repete em looping a pergunta relacionada ao doce dos doces. eu não respondo nada. penso em responder. retrocedo ou tarde. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;as que são de outros sabores e as pessoas que as consomem&amp;nbsp;não tem como entender. é claro. officorse. as de laranja, são laranja por dentro e por fora. as de maracujá seguem o mesmo padrão internacional de não prometer retirar bafos de bocas comuns. as de cereja são somente isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;entende que não há resposta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;entende que não há sequer o que perguntar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;um conto insignificante. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;compreende?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5254702487482256785?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5254702487482256785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5254702487482256785' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5254702487482256785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5254702487482256785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/07/um-conto-insignificante.html' title='um conto insignificante.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-1773891673838136463</id><published>2011-06-28T20:12:00.000-03:00</published><updated>2011-06-28T20:12:56.744-03:00</updated><title type='text'>SE soubesse o que significa "dantesco", diria ter encontrado o próprio "dante"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e num mundo de diversidade, é tudo muito diverso. e ser diverso não quer dizer nada. mesmo. talvez só tenha sido alguma coisa impressionante lá quando a palavra foi criada. e lá se vão tempos, coisas e situações. quando há uma massificação da coisa toda, a coisa toda se torna nada. e de respeito já não se sabe mais. já que respeito foi também palavra boa, naquele lá que já citei logo ali. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e com respeito se resolve tudo. e tanta coisa desnecessária tem se tornado necessária pra resolver o que uma palavra bem dita poderia sanar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e veio dante e me colocou a mão bem no meio do meu ombro. e me perguntou com&amp;nbsp;uma cara dantesca, se eu sabia o que era uma situação dantesca. e por vergonha dele, calei. e então uma loucura começou a acontecer em minha vida. uma dessas loucuras que as pessoas costumam chamar de dantescas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;era uma rua, de asfalto, nem tão novo, nem tão velho. apenas o começo da loucurada. duas vagas de estacionamento. um cara que não sabia se usava a primeira ou a segunda. coisa de sonho maluco, vulgo pesadelo. depois de dias, o cara se decide pela primeira vaga. eu me direciono para a segunda. há uma caçamba de entulhos estacionada em plena rua. a vaga, logo acima. o carro indo em direção a vaga. uma moça de bicicleta lá longe, se aproxima rápido, tão rápido quanto o pisca-pisca do carro, ligado, sinalizando a entrada, na vaga. ela joga a bicicleta contra o carro. malvado carro. agente poluidor. destruidor das coisas naturais. detentor do poder exclusivo de acabar com o mundo. eu. ela. a bicicleta. dante acrescentou neste momento uma risada. e ainda disse com um certo tom que o carro é branco e grande. depois disso ela olhou para mim dentro do carro, jogou praticamente seus olhos dentro da lata destruidora e sussurou "filha da mãe". pedalou mais umas duas vezes, perdeu uma sacola plástica. amarrou a magrela numa árvore, com corrente e cadeado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e tinha uma velha, que ia na igreja todo os dias. tudo bem, ela até que rezava. mas o que mais gostava era de reparar nas roupas dos outros. ver quem estava gordo e quem estava magro. ver quem se separou ou quem casou. saber da vida alheia. mas rezava, viu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e depois olhei pra trás. só pra dizer pro dante que eu era sim, "filha da mãe", filha do pai, neta da avó, neto do avô, irmã da irmã, prima dos primos, amiga dos amigos e assim por diante. mas dante não estava mais ali. só o peso da sua mão. que ainda persiste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e fiquei mesmo sem saber, o que é uma situação dantesca...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-1773891673838136463?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/1773891673838136463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=1773891673838136463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1773891673838136463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1773891673838136463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/06/se-soubesse-o-que-significa-dantesco.html' title='SE soubesse o que significa &quot;dantesco&quot;, diria ter encontrado o próprio &quot;dante&quot;'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4439016427564342307</id><published>2011-06-25T22:44:00.000-03:00</published><updated>2011-06-25T22:44:09.738-03:00</updated><title type='text'>"NÃO MATARÁS"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- nÃO MATARÁS. e não farás uma porção de outras coisas. quando? como? as falcatruas da palavras escrita ou falada, já não se sabe mais. de boca em boca, de mão em mão, de papel em papel, de opinião em ilusão. de achar que só se mata na carne, com navalha, com faca, com tiro. que é só tiro que tira a vida de alguém. e que só assim se desrespeita aquilo que já não se sabe mais se foi bem assim que foi dito. bem dito ou mau dito. nem se foi... dito por alguém que não se conhece, que não se sente, que não está mais. pois quando se tira o direito de fazer o que quer, quando se tira o respeito do peito de alguém que mal se conhece, quando se tira o que quer que seja de outro alguém, se mata. então matar não é só fazer parar de bater o coração. não é só congelar o pensamento em um cérebro inutilizado. não é só dar como destino próximo aquele palmos debaixo de nós. existem palmos pra baixo que também matam. existem paralisações de órgãos vitais que também matam. existem mortes piores do que fechar os olhos e dormir um sono diferente do que se está acostumado. e então "não matarás" se escreve com letras minúsculas. entre aspas, mas com letras pequenas, tamanho da importancia que se dá. e depois de um tempo certamente irão embora também as aspas. e por fim o NÃO se retirará.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;já que o motivo torpe toma conta de nossas desmotivações. e a cada dia que passa, passamos a desrespeitar as regras claras da sobrevivência. em prol de um sobrevivência que mata, que fere, que não sobrevive muito, se não aquele pouco tempo de matar e logo morrer. ainda penso que se morre quando se mata. e a cada vez que penso que se torna mais rápida a morte de quem mata. e como falar de motivo banal, quando a banalidade é vigor e moda nos dias atuais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;sem falsidade. sem muita pretensão. eu mato. tu matas. ele mata. nós matamos. se o ser "humano" é capaz de matar, eu sendo humana também sou. e não há como fugir da raça que me foi destinada. e se não matei até agora, só há dois motivos para que não tenha acontecido. primeiro porque não percebi, o que me torna uma tola matadora. o segundo é porque ainda não me foi dada a oportunidade. um planta. um peixe. um sonho. uma expectativa. uma vida. uma pessoa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e com a reforma da lingua se dirá "não mais matarás", em letras miúdas, pra não dizer tanto, pra não impor, pra não maltratar a natureza deste ser que vos fala. e não se falará mais em crime ou castigo. já que sem culpa pressuposta não há o que castigar. e iremos aceitando os novos formatos. as auteridades na maneira de ver a vida. ainda que num "s" possamos reler au(s)teridade, mas que nada possamos fazer. a não ser deixar de ser o que sempre fomos. banalizadores banais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;já que não há mais como banalizar a vida, passamos a banalizar a morte. como se pudessemos dormir num dia e no outro acordar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4439016427564342307?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4439016427564342307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4439016427564342307' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4439016427564342307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4439016427564342307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/06/nao-mataras.html' title='&quot;NÃO MATARÁS&quot;'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3060446859932086927</id><published>2011-06-20T22:34:00.000-03:00</published><updated>2011-06-20T22:34:12.950-03:00</updated><title type='text'>COM amor. SEM amor.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;brigaram. feio. depois de alguns dias se dando bem. brigaram forte. com toda força que o tempo nos dá. ele sabia que já não havia mais condições de continuar. ela sabia que já não havia mais condições de continuar. continuaram. brigando de tempos em tempos. brigando de cantos em cantos. brigando e rebrigando. revirando os estômagos depois de cada refeição. sobremesando uma discussão depois da outra. remediavam. mas o remédio sempre lhes parecia amargo. dia tal ela acordou do lado avesso. colocou todas as roupas dele na mala que era dela. sabia abrir mão. colocou tudo na sala. onde ele dormia depois do jantar brigado. quando acordou as coisas estavam ao lado. olhando para ele como se pudessem dizer o que havia ali. olhando como se precisassem dizer alguma coisa além. olhou. compreendeu. compreendeu o apreendido. trocou de roupa. lavou o rosto. escovou os cabelos. pegou as malas que as duas mãos davam conta. saiu porta afora. simplesmente saiu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;ficou no canto da sala a maleta. ela não sabia pra onde ele tinha ido. passou a mão no telefone. não queria ficar com as coisas dos outros. agora ele era outro. não passava dum outro. não mais o mesmo de outrora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- alô?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Oi amor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Oi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor, você esqueceu uma mala aqui em casa. Tem umas coisas que eu acho que você vai precisar. Tem documentos, coisas pessoais...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Ahãn.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Se você quiser eu posso levar onde você tá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Não precisa. Eu passo buscar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Oi?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Tudo bem com você?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- É...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Então tá amor, quando você quiser me ligar pra avisar que vai passar pra pegar a maleta, me avisa tá?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Tá...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Desligou. a mala tinha um costume muito feio de ficar no canto gritando. e como gritava alto e estridente. ela não estava acostumada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e os dias se passam. passando com toda certeza, tal qual os intervalos comerciais. ele veio buscar a mala. ele levou a mala. a sala ficou muda. calada. sem brigas. sem jantares e sobremesas. sem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e a cada passada, a cada rodadinha que o mundo dava, ela tinha um assunto. uma coisinha pra falar. outra pra dizer. mais uma pra dividir. foram anos. e depois de anos, sempre sobra alguma coisinha. ligava por amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor, você sabe onde...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor, a nossa menina...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor, onde fica aquele escritório...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor, você precisa passar aqui pra pegar...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e não tinha um dia que não ligasse. não tinha uma coisa na vida que fizessem sem depois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Um dia o telefone tocou. ela atendeu e já soltou um amor. não era ele. era o advogado do pai. tinha terminado de fazer todos os papéis. tinha finalizado o processo de separação. tinham que ir na frente do juiz. dizer na frente dele que não queriam mais. que não queria ele. que não queria ela. que não queriam os dois. que o ponto final havia sido gravado bem no meio da relação. que não precisavam ou nem podiam mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Oi?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;-O advogado ligou...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Sei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amanhã às 15...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Mesmo endereço?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;-&amp;nbsp;É...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Tudo bem...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;quinze horas. quinze é&amp;nbsp;sempre de tarde. sempre tarde. estavam na mesma sala de espera. não esperavam por aquela espera. o advogado chamou. tinham que assinar e partir. partir ao meio. entraram.&amp;nbsp;sentaram. olharam. ela não assinou. não se sabe se por falta de coragem. por falta de sorte ou prática. não se sabe. criou caso de um caso que já estava findo. disse que não queria. disse-que-me-disse. ele saiu puto. fez a mesa&amp;nbsp; e serviu. amargura. fria. cortada em fatia bem finas. tinha se acostumado. a duras penas. pena de si mesmo. tinha refeito os costumes. tinha se refeito. puto. deu uns pulos bem pequenos. quase inotáveis. quase engolíveis. estourou umas raivas por dentro. estourou uns ódios bem ínfimos. duas ou três veias do peito. estouros de desentendimentos. saiu de lá com a couraça jogada por cima do ombro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;entrou na primeira porta com placa de advogado que viu. contou tudo e mais um pouco. das ligações. da perturbação. da vida refeita. queria o litígio. queria entrar com a ação que desse saída pra vida que tinha agora. queria pra ontem. queria pagar pela borracha que pudesse apagar certas situações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;dias depois ela recebeu a intimação. dia e hora certa para o fim adiado. um ponto final forçado. contratado. pago. ela chegou com cara de sempre. com a mesma das mesmas. trouxe a menina debaixo do braço. tinha suas cartas de comoção. maquiagem debaixo do olho com alguns milímetros de borrão. roupa amarrotada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Quero ficar com ele de novo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Não quero mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Mais Amor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Seu Doutor, não tem mais nem menos. Agora eu quero o divórcio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Mas eu não sabia. Amor eu juro que não sabia...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e foi longe essa discussão. desconfia-se que depois de alguma tempo, o próprio juiz da questão saiu dali com seus pensamentos. foi e voltou várias vezes. e numa dessas voltas, falou com a voz até bem mais alta do que poderia ter usado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Dona Abigail, a senhora não quer aceitar um acordo? Vamos por fim a este conflito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Não quero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Após aferir do fatos, designo que Senhor Amor de Almeida, não é mais considerado esposo de Abigail de Almeida, que passa a se chamar Abigail Souza, seu nome de solteira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e ela, com os olhinhos rasos d'água. De acordo, Senhor Amor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;- Amor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;estava feito. estava divorciada. o amor não fazia mais parte de sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3060446859932086927?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3060446859932086927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3060446859932086927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3060446859932086927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3060446859932086927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/06/com-amor-sem-amor.html' title='COM amor. SEM amor.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3533305212090510070</id><published>2011-06-08T13:19:00.000-03:00</published><updated>2011-06-08T13:19:40.829-03:00</updated><title type='text'>DIA. APÓS. NOITE.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;EU ACORDO. estou de acordo em acordar. na boca. um gosto. conhecido. nem por isso querido. quisto. o frio entra por frestas inexistentes. nem por isso menos gélido. o movimento involuntário pede para acontecer. complexidade. manhã. o dia segue. seguinte. mandíbula cortante. travada. trava social. focinheira humana. as pernas se deslocam cama afora. não. não é como se flutuassem. tem o peso real. na realidade um pouco maior do que a realidade exige. mas não há como mensurar. nem peso. nem realidade. consulta marcada. não mais o mesmo doutor de sempre. dentes. consulta marcada. programada dias atrás. eletiva. eleita numa manhã pra outra manhã. programação. ainda existem situações programadas. e essas mesmas, muitas vezes nos fogem. sempre. dia. após. noite. nos fogem. escova. pasta. água. dentes. saliva. o mesmo de sempre. por favor. o mesmo de sempre. não como sempre. já que o gosto conhecido se faz presente. desagradávelmente presente. desagradável. presente. você quer ganhar um presente? desagradável presente dado por outras mãos dentro da boca alheia a minha vontade de querer o gosto. gosto. escovo. dentrífico serve somente para os dentes. não tente. não tente isso. em casa. gosto. artificial de tutti-frutti. como se fosse possível colocar num pequeno tubo todas as frutas do mundo. você conhece todas as frutas do mundo? como cabem&amp;nbsp;em meu pequeno tubo vermelho todos os sentimentos do mundo. mesmo que eu não conheça todos os&amp;nbsp;sentimentos do mundo. mesmo assim eles habitam aqui dentro. que também é&amp;nbsp;fora. que também&amp;nbsp;é tudo e nada ao mesmo tempo. que no fim do dia é o que sou. nem dia. nem noite. e depois pensar e dirigir não são compatíveis. como um coração de alguém que nunca amou num peito de quem sempre ama. e dirigir um carro seria num momento qualquer como dirigir a vida de alguém. e quando se bate contra um poste se descobre que este alguém pode e vai já é você. e seus dentes de repente se quebram nessa quebra. e você sente o gosto que eles soltam quando partem. seus dentes. e o volante em suas mãos já não faz mais sentido. não tanto quanto as&amp;nbsp;piores músicas tocadas nas piores rádios. que neste momento são só o que você deseja ouvir.&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3533305212090510070?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3533305212090510070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3533305212090510070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3533305212090510070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3533305212090510070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/06/dia-apos-noite.html' title='DIA. APÓS. NOITE.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4370494731965377170</id><published>2011-06-06T12:57:00.000-03:00</published><updated>2011-06-06T12:57:01.864-03:00</updated><title type='text'>Doutor?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Eu tenho sonhado com você, Doutor. tenho sonhado com certa frequência. para não dizer todos os dias, uso "certa frequência". mas a verdade é que em meus sonhos Doutor, as coisas são bem diferentes. neles você faz coisas que eu desejo que fizesse na realidade. mas na realidade as coisas não são como eu acho que deveriam ser. nos sonhos você é gentil, amável, seguro, tem certas atitudes Doutor. me entende, Doutor? Não. não é? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;eu sei que sonhos são apenas projeções, Doutor. sei que neles você não é você e sim eu, um eu que se transforma em você, como uma projeção do que eu gostaria que você fosse, fizesse. mas realidade é outra coisa, não é Doutor? na realidade as coisas acontecem como tem que acontecer, e não como gostaríamos que acontecessem. e o que eu faço com a sensação com a qual eu acordo, depois destes sonhos? o que eu faço quando te olho, Doutor, e vejo o que não gostaria de ver. quando percebo que foi apenas um sonho e que na realidade, a realidade é o que se apresenta e não o que se sonha? o eu faço quando te ligo Doutor, e você não atende. e quando atende me diz com a mesma voz dos sonhos que na realidade, não pode me atender, que não sabe do que eu estou falando, que não pode agora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;o que eu faço com todas aquelas coisas que estão aqui Doutor? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;o que faço com as sensações, com os cheiros e gostos Doutor? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;o que eu faço com a minha realidade, que não corresponde com a sua realidade e que no fim das contas, que são bastante altas, não fazem parte da realidade real?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, eu tenho sonhado muito com você. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, eu sei que isso quer dizer alguma coisa, talvez você queira me dizer alguma coisa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;mas eu não sei o que isso quer dizer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Eu sei que sonhos não fazem parte da realidade. mas a minha realidade é que eu tenho sonhado muito com você. e que os sonhos são bons e me fazem muito bem. e que é neles que eu me pauto. e que esse você que não é o você dos sonhos, não faz sentido pra mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, que horas são?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, eu liguei para lhe fazer duas perguntas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, eu posso fazer?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Você também tem sonhos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, Eu também estou neles?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, talvez sejam mais do que duas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, nos seus sonhos eu sou muito diferente?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Doutor, eu estou acordada ou sonhando?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Boa noite, Doutor!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4370494731965377170?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4370494731965377170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4370494731965377170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4370494731965377170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4370494731965377170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/06/doutor.html' title='Doutor?'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-7098677218665093459</id><published>2011-06-06T12:02:00.000-03:00</published><updated>2011-06-06T12:02:56.492-03:00</updated><title type='text'>leve 1. pague 2.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;aos poucos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;vamos perdendo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;a capacidade de. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;amar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;já que o que se vende nas prateleiras dos supermercados, esse combo formatado e auto-explicativo, não é amor. mas perdemos a noção do outro. perdemos a noção da existência do outro. ali, ao lado. e amamos a nós mesmos e o respingo disso, que suja a "roupa" do outro chamamos de amor. já que na minha opinião, está longe de se chamar de "amor" uma atitude egocêntrica de adoração ao máximo (mínimo) que somos e que não tem nada haver com as outras pessoas. estejam elas ao nosso lado ou não. vamos perdendo a capacidade de amar, por julgar que qualquer coisa, sem pensar, sem refletir, sem nada, é amor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;por banalizar. por deixar raso. por ser presunçoso. por ser pretencioso. justamente por isso compramos as mensagens toscas que nos vendem como se isso fosse amor. como se só de pegar na mão, já amor. como se só de olhar no olho, já amor. como se só de passar um tempo junto, já amor. como se só, já amor. e então tudo (e nada) já é amor. amamos mais do que poderíamos suportar, mas suportamos. já que isso que dizemos o tempo todo ser amor, não passa de uma outra coisa, uma gama de sentimentos incompletos, que falsamente denominamos amor. e não que eu saiba, e não que eu ame, e não que eu fora disso tudo. não! no meio da massa mole de pessoas que "amam", também estou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e mais um dia, e mais uma hora, e mais uma vida e mais um amor. e passamos o tempo todo nos convencendo. nos enganando. amando!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e daqui a pouco não saberemos mais amar. já que não sabemos o que é amor. e como é que se faz um bolo, sem receita, sem saber a receita de cor. se faz um bolo que é pizza, e se chama de bolo, e se diz pra todo mundo que daqui por diante, bolo é assim. pizza.&amp;nbsp;e depois cada um passa adiante. passa a " receita" do novo modelo moderno de bolo. e o que era bolo nunca mais se soube...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;e respostas eu não tenho, já quem nem as perguntas sei mais fazer. e teremos que aceitar o que houve com nosso amor. ou procurar se ainda existe alguma ponta que possa ser puxada. pra recuperar o que era e já nem sei se foi o TAL DO AMOR.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;"e nesse dias tão estranhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;fica poeira se escondendo pelos cantos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;esse é o nosso mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;o que é demias nunca é o bastante."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-7098677218665093459?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/7098677218665093459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=7098677218665093459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7098677218665093459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7098677218665093459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/06/leve-1-pague-2.html' title='leve 1. pague 2.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5329108268517186336</id><published>2011-05-16T12:07:00.002-03:00</published><updated>2011-05-16T12:07:37.698-03:00</updated><title type='text'>GEADA OU DAS COISAS QUE SABEMOS, SÓ EU SEI.</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Como se sentisse o vento bater na janela, no vidro e transpassar para dentro do corpo. Era como se a janela desse para um muro ou lateral de outra janela ou outra casa. Digamos que ali houvesse um banco, e que por algumas várias horas do dia e outras muitas da noite eu me sentasse ali. Seria de ficar olhando por aquela janela sempre com o vidro meio embaçado e meio quebrado. Ficar olhando para janela sem poder saber ao certo o que há atrás dela e ver que na outra janela ou muro, também tem outros olhos que olham através, mas sem ter a certeza de que se é visto, sem ter certeza do que se olha, de que se olha. Imaginar olhos que olham e não vem, quase uma heresia, quase um pecado incluso nos livros das capitais. Quase um novo pecado, não fossem pecados coisas tão velhas que chegam a ser mortais ou imortais, já não sei, ando meio afastado. Voltei para janela, olhei ao redor daquele perímetro que a compunha, me desconcentrei, havia além dela outra janela na qual eu via além dela e outra que dava pra ver adiante e que dava para outra janela. Todas tinham olhos curiosos que nada viam além delas, janelas. E sentado naquele banco eu me deixava divagar pelos pensamentos que nos são trazidos quando estamos especificamente frente a janelas. Me deixava levar e por vezes ou outra me deixava trazer, mas só por vez ou outra, não queria me banalizar. Os pensamentos que me vinham eram sempre os mesmos, pensamentos de janela, que te fazem fazer uma cara de quem olha por ela. Pensamentos sobre mentiras e notícias, distintos, pois em nada se parecem uma com a outra. E eu ficava sentado nela, já nela, ainda nela, sentado com pensamentos do lado de fora dela, mas ainda dentro de outra dela... E fortemente me vinha ela, minha mente nela, já nela e ainda nela. Eu respirava forte contra o vidro e o deixava ainda mais embaçado, ainda mais branco, ainda mais geado e desenhava nele uma pequena janelinha, que dava para uma janela de varanda, que dava para uma janela. E não tinham fim estes pensamentos, cada vez que eu criava uma, outra aparecia e eu olhava através dela, e me via em outra, outras delas. E quase no fim do infinito que criava em meus pensamentos eu vi aqueles olhos que se refletiam num lugar que não existe. Meus pensamentos quase pulavam pelas inúmeras janelas ao ver aqueles olhos refletidos nela. Eles me levam para além dos vidros, para além do mundo e muito mais para além de mim. Mergulhavam num mar de solitude, num mar de sal, num mar. E eu me perdia na volta, já não sabia em que janela estava, para qual olhava. Já não sabia de tanta coisa, de tanto alfabeto e poesia, de tanto filósofo que morreu na frente de uma janela de um quarto sem luz, que dava para outra janela.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Trazia meus pensamentos de volta, corava o rosto, corava todo corpo e os olhos me seguiam, os olhos tal vento penetrante por detrás de janelas de vidros quebrados, transpassavam minha pele, entravam na minha solta alma. E se eu me concentrasse e se não pensasse e se saísse da janela. Mas e se os olhos me acompanhassem para dentro de casa e se eles me acompanhassem em meu recinto. Voltei para o lugar onde estava. Usei o telefone para encomendar um banco, tirei as medidas da janela, o banco ficaria lá. A campainha tocou, entrou o entregador da estofaria 24 horas, &lt;i&gt;mandei caiar de branco&lt;/i&gt;, mandei colocar exatamente na janela. Mandei de longe. E ficou lá aquele banco me olhando. Em frente ou embaixo, não sabia como mensurar, enfim, na janela. Tinha vontade de ficar sentado nele, na janela. Seria muito bom para divagar com meus pensamentos, seria muito bom poder sentar em um banco na janela e ver o que se passava através dela. Talvez existissem mesmo outras coisas para dali a diante. Mas não. Um dia tive um sonho que me pareceu um presságio. Neste sonho eu ligava para uma estofaria 24 horas, o atendente me dizia para falar rápido pois já estava fechando a loja. E eu mais do que rápido soletrava meu pedido para que fosse feito sob medida, desligava o telefone. Tocava a campainha. Eu atendia com o pé batendo no chão, a demora sempre me fazia indiscreto. O entregador subia com o banco até o quarto, colocava conforme eu mandava. Instalava-o debaixo ou em frente à janela, não sabia mensurar pois já estava meio perdido. E no sonho que era um sonho digno de noite inteira, eu ficava olhando para aquele banco, pensando como seria bom poder me sentar em frente à janela e ver o que havia através dela. E logo em seguida eu acordava. Nunca tive petulância suficiente para me sentar em frente ou naquela janela. Nunca tive tantas coisas, mas nem por isso parei de reclamar. Nem por isso. Começou a chover de novo, era madrugada de domingo ou domingo de manhã cedinho, madrugadinha. Estava voltando de mais um dia daqueles, geava frio naquele domingo. Nunca vou esquecer, quase nevou, era 13 de fevereiro, catei do chão um tanto de papel branco picado que restou do carnaval. Quis jogar para cima e fazer parecer neve, estavam úmidos de geada, não deu certo. Guardei os papéis no bolso, até o fim do dia estariam secos e eu teria minha própria nevasca. Cheguei a guardá-los com certo carinho, tinha apego as minhas coisas, as minhas tempestades, aos meus granizos, as minhas neves e ao pote de bolacha maria que havia sido da minha vó. Caminhei pela rua com a mão salvaguardando minha neve no bolso. Por mais que meus dedos estivessem dormentes, congelados, não poderia tirá-los de lá e desprotegê-las. Tinha esse dever para com a sociedade e para comigo mesmo. Caminhei mais alguns passos, dobrei a esquina da 29 de março ou maio, nunca guardava datas.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Tropecei em um paralelepípedo solto e dei de cara com aquela cara estampada e sorrindo. Dentes claros e acirandados. Cabelos negros manchados de neve. Apertei a mão no bolso, precisava ter a certeza que as que estavam nos cabelos não eram as mesmas do meu bolso. Não pude caminhar, nem mesmo seguir a diante. Meu bolso tinha apenas uns pedaços de papel úmido. Olhei superficialmente nos olhos para os quais estava defronte. Lacrimejei os meus, apertei novamente uma mão contra o bolso, a outra foi de encontro a cara da figura. Não relei no rosto, subi verticalmente para o topo. Recolhi dali as minhas brancas e por vezes prateadas. As coloquei de volta em meu bolso. Lacrimejei&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;novamente, agora com os dois olhos. Pedi nome, endereço, cpf, rg e nome da mãe da figura. Precisava angariar dados para averiguações futuras. Tinha certeza que se não a polícia local, ao menos os jornais de meio-dia se interessariam pela notícia. Olhei bem dentro dos olhos, que me pareceram duas janelas de vidros embaçados por geada. Olhei dentro daqueles olhos que nem me viram. Dei meia volta, coloquei a mão dentro do bolso. Retirei de lá o punhado de neve que havia me sobrado depois daquele dia. Não era exatamente neve, já que aqui nunca chove, e sem chuva não há nem geada, nem neve. Tudo bem eram apenas umas lantejoulas brancas, que nem me lembro como consegui. Estavam secas, as joguei pra cima. Caíram em minha roupa como flocos de neve, senti o frio que me traziam, me aconcheguei por detrás da janela, era fria aquela madrugadinha. Catei do chão um punhado de lantejoulas brancas e pus no bolso do paletó, não se pode desperdiçar nenhum punhado de neve, nem ao menos de geada, nunca se sabe se amanhã chove. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;Um dia sonhei que estava sentado numa janela que tinha um banco, mas não dava pra definir nesse sonho se o banco estava embaixo ou em frente à janela. Sentava lá e ficava por horas olhando por ela, que dava para outra janela. E neste sonho que começava como história de noticiário, era uma vez uma pessoa sentada na janela, que dava para outra e geava e minha vó trazia uns biscoitos, que eu só sabia chamar de bolacha, um xícara de chá mate leão, eram bolachas “maria”, elas combinavam com dias frios de neve, e chuva e geada. Um dia sonhei que estava sentado, uma pena que aqui nunca chove.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;QUANDO SE OLHA POR UMA JANELA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;QUANDO SE OLHA O QUE SE VÊ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;QUANDO SE OLHA VOLTAM OS REFLEXOS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;QUANDO SE OLHA VOCÊ QUASE SE VÊ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;QUANDO SE OLHA NOS OLHOS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;QUANDO SE OLHA NOS OLHOS DE ALGUÉM&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;QUANDO SE É OLHADO DE VOLTA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;QUANDO SE OLHA TAMBÉM&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5329108268517186336?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5329108268517186336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5329108268517186336' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5329108268517186336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5329108268517186336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/05/geada-ou-das-coisas-que-sabemos-so-eu.html' title='GEADA OU DAS COISAS QUE SABEMOS, SÓ EU SEI.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4644742187635182144</id><published>2011-05-11T10:25:00.000-03:00</published><updated>2011-05-11T10:25:33.619-03:00</updated><title type='text'>PRÉ-SENTIMENTO</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Todos que preencheram o cupom terão a chance de sair daqui motorizados. São cinco carros zero quilômetros. Não percam a chance. Mas só serão premiados os proprietários dos bilhetes que estiverem presentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;24 horas antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu não me sinto bem. Estou com um dor de cabeça forte. Devo ter trabalhado demais nos últimos tempos. Vou me deitar. Ainda bem que essa semana tem o feriado. Só me faltava ter que trabalhar no dia do trabalho. Não vou ter que ir. Vou me deitar um pouco, me acorda daqui uns vinte minutos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;22 horas antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por que me deixou dormir tanto? Eu disse só vinte minutos. Agora estou atrasado. Ainda estou com dor de cabeça. Não me sinto bem hoje. Ainda bem que essa semana vai ter o feriado. Dia do trabalho... Ainda bem que não vou ter que trabalhar no dia do trabalho. Ruim. Ter que ficar trabalhando o tempo todo. Não tenho tempo nem de dormir. Tive um sonho ruim. Um pressentimento. Depois te conto, agora não dá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;14 horas antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Amanhã vamos sair cedo. Vamos comprar algumas coisas naquele mercadinho, certamente vai estar aberto, todos querem ganhar algum extra. Dia do trabalho. Ainda bem que não vou ter que trabalhar no dia do trabalho. Espero que não me chamem. Ano passado me chamaram no meio do dia. Estou cansado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;12 horas antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não consigo dormir. Você me deixou dormir muito. Tive um sonho ruim. Um pressentimento. Amanhã é dia do trabalho, acho que não vou trabalhar. Não vou. Você está dormindo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;4 horas antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;As crianças? As crianças já levantaram? Está tudo pronto? Pegou as cadeiras de praia? Não filho, não vamos pra praia. Tem que levar um guarda-chuva. Agasalhos. Estamos em cima do horário. Dia do trabalho. Ainda bem que hoje não vou ter que trabalhar. Não me chamaram. Será que aconteceu alguma coisa? Eles sempre me chamam...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;2 horas antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um bom lugar. Foi bom chegarmos cedo. Bem cedo. Bom ter conseguido trocar todos os cupons. Cinco cupons, um pra cada um. Não tem mais, a mulher falou. Quem chegar agora fica sem. Cada um de nós com a nossa sorte. A minha dor de cabeça voltou. Não devia ter dormido tanto. Tive um pressentimento. Vou comprar algumas bebidas. Suco, cerveja. Qualquer coisa me liga. Essa multidão faz a gente se perder. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;1 hora antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Seu pai. Onde ele se meteu? Não sei se ele se perdeu, se está comprando as coisas. Uma hora? Daqui a pouco começa o sorteio. O celular, ele não atende. Não atende. Não posso deixar vocês aqui sozinhos. Não posso ficar aqui esperando ele voltar. Vamos atrás dele. Eu sei onde fica a barraca de bebidas. Vamos todos. Levamos as cadeiras, as coisas todas. Não perde os cupons. Vão sortear.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O celular. Eu não trouxe o celular. E se eles me ligarem. Se me ligaram. Não vou atender. Sempre atendo. Se precisarem de mim. Minha cabeça está doendo. Tive um pressentimento. Vão me chamar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;30 minutos antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tem gente demais. Não consigo andar. Pega na mão do seu irmão. Pega na mão das suas duas irmãs. Se a gente se perde. Ele não atende o celular. Nunca atende.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dá tempo. Eu vou, pego e volto. Minha cabeça. Eu tive um. Sabia que eles iam me ligar. E se eu não atendo, eles se perdem. Eu volto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Daqui a uns minutos vamos fazer o grande sorteio do dia. Cinco carros zero! Cruzem os dedos. Fiquem todos por aqui. Os vencedores vão subir no palco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;1 minuto antes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em casa ele vai nos achar, uma hora ou outra ele percebe que nos perdemos e volta. Tenho medo que tenha acontecido alguma coisa. Ele teve um pressentimento. Quando chegar em casa ele vai estar lá. Andem mais rápido. Parem de chorar. Outro dia tem festa de novo. Sempre tem. É só mais uma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mexe a urna. Mexe. Vamos conhecer agora os cinco ganhadores! Cinco carros zero quilômetros! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Minha cabeça. Não devia ter dormido tanto. Eles não me chamaram. Sempre chamam. As coisas não funcionam direito se eu não estou. Devia ter vindo de ônibus. Nunca achei que era tão longe. Eu quero ter um carro. Eu trabalho todos os dias. Tive um pressentimento ruim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;NOW&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Cinco carros zero quilômetros. Todos que preencheram o cupom terão a chance de sair daqui motorizados. São cinco carros zero quilômetros. Não percam a chance. Mas só serão premiados os proprietários dos bilhetes que estiverem presentes. Eu tenho cinco bilhetes na minha mão! Cinco carros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Minha cabeça. Não chego nunca. Eles devem estar preocupados. Eu sempre atendo. Eu vou ganhar aquele carro, eu não vou andar mais de ônibus, a pé. Eu trabalho todos os dias. Eles precisam de mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Esse ônibus dá tantas voltas. Não chega nunca. Parem de brigar. Ano que vem vamos de novo. Se seu pai não trabalhar. Ele sempre trabalha. Só fico feliz quando chegar em casa e descobrir que ele está lá. Ele teve um pressentimento. Não sei se tem pressentimento bom. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;São cinco ganhadores. Cinco felizes ganhadores que sairão daqui motorizados. Cinco carros zero quilômetros. Vou ler os nomes!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ainda deve faltar muito. O sorteio é sempre no fim da festa. Com quem ficaram os cupons? Não comigo. Sorte!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No próximo ponto a gente desce. Tomara que a janela esteja aberta. Assim eu sei que ele está em casa. E se ligaram do trabalho? Eles sempre ligam!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Isso nunca aconteceu antes. Deve ser a primeira vez na história que acontece uma coisa assim. Eu tenho cinco cupons nas minhas mãos. E eu vou revelar os números agora!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Minha cabeça está estourando. Se eles me ligaram, vai ser a primeira vez que eu não atendo. Eu estou cansado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vamos! Seu pai vai estar lá... E se ele tiver passado por lá e saído? Vai ter um bilhete na porta da geladeira. Ele sabe que eu me preocupo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;019, 020, 021, 022 e 023! Vamos entrar pro Livro dos Recordes. Nunca tivemos um sorteio de números seqüenciais! São conhecidos, amigos? Quem sabe de uma mesma família! Tive um pressentimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tudo fechado. Ele não está? Pode ser que tenha vindo. Pode ser que esteja a caminho. Melhor esperar em casa, com aquela multidão nunca iríamos nos encontrar. Ele não precisava ter saído, ainda mais que teve um pressentimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ainda bem que está perto. Eu não agüento mais andar. Chego, pego o celular, se tiver alguma ligação retorno e volto pro sorteio. Eles sempre me ligam. Deveria ter levado o celular. Não podia ter esquecido. O pressentimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vocês não vão acreditar! Todos tem o mesmo sobrenome. Me parece que são uma família. Eu tive um pressentimento bom... Silva! Adelcio, Dirce, Adriano, Valéria e Cristine Silva! Ganhadores de cinco carros zero quilômetros!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dirce, Adriano, Valéria e Cristine Silva. Onde está o cupom do seu pai? Você não estava com todos os cupons? Será que ficou no meio do caminho. Nunca mais vamos achar... Mas também agora, de que adianta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Onde está a chave de casa? Entrar, pegar e sair. Que papel é esse? O meu cupom? Que merda... Achei que o Adriano tinha ficado com todos. Espero que eu não tenha sido sorteado. Espero...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Venham ao palco! Que suba aqui a família Silva. Adelcio, Dirce, Adriano, Valéria e Cristine Silva. A menos que seja uma grande coincidência, espero receber aqui uma família!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Uma hora ou outra ele vai chegar. Será que eu ligo no trabalho dele? Melhor não. Onde eu coloquei o meu celular? Procura pra mim? Nas gavetas. Sempre deixo na gaveta. Se achar traz aqui pra mim...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Uma quadra. Uma quadra. Uma quadra. Menos de uma quadra. Menos de uma quadra. Poucos metros. A janela está aberta? Ladrão? Entro ou não? Eu sabia! Tive um pressentimento ruim de que alguma coisa ia me acontecer hoje!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Última chamada minha gente. Se você conhece, sabe onde estão os Silva, gritem para que venham ao palco agora! É a última chamada!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu vou entrar pelos fundos. Se for ladrão não vai me ver. Não posso ter medo. Trabalho todos os dias, é tudo o que temos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Achou? Esse não é o meu celular... É o do seu pai. Puxa vida, agora não vamos conseguir falar com ele mesmo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu não acredito!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu não acredito!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu não acredito!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ninguém acredita. Cinco pessoas da mesma família. Ao menos é o que eu acho... E nenhum deles está presente. Teremos que sortear outros cinco cupons.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O negocio é esperar. Vamos assistir televisão. Deve estar passando o final da festa. Assim vocês não perdem tudo, assistem pela TV.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Cada um tem a sua sorte. Cada um tem a sua sina. Cada um tem a sua vida. O que tiver que acontecer comigo, vai acontecer comigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O sorteio. Vamos ver quem ganhou. Depois a gente conta pro seu pai. Cinco chances. Vai que ele ganhou e aparece lá na televisão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um pena os Silva não estarem aqui. Última chance. Adelcio...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ele ganhou! Vai subir no palco. Seu pai ganhou um dos carros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vocês? Achei que eram bandidos... O que vocês estão fazendo aqui?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dirce. Adriano. Valéria. Cristine Silva. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Viemos te procurar. Achei que tinha acontecido alguma coisa. Você ganhou...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ganhei o que? Vim pegar meu celular. Vamos voltar, ainda dá tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não dá mais... Vamos sortear outros cinco cupons.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não dá mais... Acabaram de sortear.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não dá mais? Quem ganhou? Eu tive um pressentimento...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4644742187635182144?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4644742187635182144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4644742187635182144' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4644742187635182144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4644742187635182144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/05/pre-sentimento.html' title='PRÉ-SENTIMENTO'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3994451563264719691</id><published>2011-05-11T10:13:00.000-03:00</published><updated>2011-05-11T10:13:20.194-03:00</updated><title type='text'>a ligação...</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Minha irmã mais velha liga pro meu único irmão. Meu irmão liga pra minha mãe. Que liga pra minha avó. Que liga pra minha tia que é solteira. Que liga por meu pai. Na minha família, todo mundo se liga. Eu também estou ligada á eles. E é assim que a história toda começa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu tenho dois apartamentos. Moro um pouco aqui e outro pouco a uns 2500 km daqui. A chave do apartamento daqui fica com a minha irmã mais nova. Ela recebe as minhas correspondências, molha as plantas, abre as janelas. Ela mexe nas minhas coisas, pra passar o tempo, por saudade ou curiosidade. Eu só descobri isso depois de ligar muitas coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu estava lá e recebi uma ligação daqui. Era minha irmã mais nova querendo saber, com ar de preocupada, quando eu estaria de volta. Eu não sabia ainda ao certo quando voltaria, mas sabia que seria logo. Liguei em seguida pros meus pais. Ela não tinha dito nada, mas todas as vezes que me ligava preocupada, eu ficava preocupada com os meus pais. Depois liguei pra minha avó, já que tinha certeza que se alguma coisa acontecesse com ela, eles me negariam a ligação pra contar o problema. Estava&amp;nbsp; supostamente tudo bem, com todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dias depois desembarquei por aqui. Cansada de tanto ficar fazendo a ligação entre aqueles 2500 km. Minha irmã mais velha foi me buscar no aeroporto, estava sem graça com alguma coisa, mas eu não consegui me ligar no que. Cheguei em casa e as coisas estava todas nos seus devidos lugares, mas a sensação de que alguns dedos hábeis haviam passado por ali, persistia. Estava cansada. No dia seguinte começou a minha peregrinação pelas inúmeras casas pela quais deveria passar num curto período de tempo. Em todas elas, ligadas pelo parentesco, havia um desconforto. Pensei que fosse o fato de eu ser uma carta fora do baralho. Estava redondamente enganada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Sempre havia alguém que me perguntava alguma coisa sem sentido e logo depois os olhares se ligavam uns aos outros ao redor de uma mesa de jantar, de uma sala de TV, de uma sala de conversas, de um jardim. Chegou uma hora que eu me liguei. Eles querem me dizer alguma coisa muito grave, mas não tem coragem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No domingo, depois de tudo, perguntei. Eles se ligaram de que eu sabia de alguma coisa, que eles não sabiam que eu sabia e que eles sabiam alguma coisa que eu sabia que eles sabiam, mas não sabia o que era. E depois de limparem todas as gargantas ao mesmo tempo, minha mãe falou. Minha irmã mais nova descobriu e ligou pra minha irmã mais velha pra se aconselhar, minha irmã mais velha horrorizada teve que pedir penico pro meu irmão, que teve que contar pra minha mãe, que pra minha avó, que pra minha tia, que por fim pro meu pai. E o motivo de todas aquelas ligações, era um toco de cigarro ilegal, escondido numa caixa velha de óculos no fundo de uma gaveta. Ilegalidade. Focinho de porco é tomada?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Depois de todo constrangimento de explicar , sem ninguém acreditar, que era uma experiencia com camomila, que relaxava, que tinha sido uma vez, que tinha passado mal, que tinha sido uma amiga, que tinha sido, que nem foi, acabou tudo em “cala-te boca”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Semanas depois, estava nos 2500 km de lá e meu telefone tocando sem parar. Ligação atrás de ligação. Minha irmã mais nova, a mais velha, meu irmão, minha avó, meu pai na surdina, minha mãe e até a tia solteira. Que amiga mesmo era aquela? Porque diziam que pra certas doenças até era bom. Porque eu nunca tive um contato seguro. Porque eu tinha medo de virar. Porque eu, porque ele, porque todos tinham a mesma curiosidade. Porque no fim das contas, até mesmo as telefônicas, temos todos a mesma ligação, estamos todos ligados!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3994451563264719691?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3994451563264719691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3994451563264719691' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3994451563264719691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3994451563264719691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/05/ligacao.html' title='a ligação...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-8850165967878632028</id><published>2011-05-11T10:06:00.000-03:00</published><updated>2011-05-11T10:06:12.883-03:00</updated><title type='text'>O PEQUENO ACONTECIMENTO</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Era uma vida normal, mas corrida. Tinha seu trabalho, suas coisas, seus afazeres. Não reclamava. Nunca ouviram pronunciar uma reclamação sequer. Passava os dias mais calada do que dizendo. Passava mais os dias vendo do que sendo vista. Tinha necessidade de olhar. Quando olhava pra fora, era quase como se conseguisse chegar dentro. Não comentava. Achava demasiada falta de respeito com as coisas alheias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Coisas alheias eram os sentimentos, era isso que ela se referia. Pois quando olhava, sabia ver o mapa das coisas de dentro. Entendia quase tudo de sentimentos. Não que sempre tenha sido assim, mas com o tempo e de tanto que viu, acabou conhecendo. Sabia o que era um olhar suspenso, um suspiro, um piscar, uma saliva engolida. Sabia. Eram tantas as histórias, que se fosse catalogar, não haveria no mundo arquivo grande o suficiente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E quando chegava a noite, deitada em sua cama, com as pernas dobradas e os joelhos para cima, recordava todos os sentimentos do dia. O rapaz que havia recém terminado o namoro e sofria com cada abraço ou aperto de mão que ela recebia. O outro que puxava a blusa da colega de trabalho, só para levar uma bronca, já que o que queria era pedir para saírem depois do trabalho, tomar uma cerveja, comer uma pizza, conversar sobre a vida. A menina que olhava de longe o menino grande, só para ver se ele estava olhando quando ela não estava olhando. O aperto de mão que queria ser beijo. O beijo no rosto que queria ser no lábio. O beijo rápido que queria ser demorado. O encostar de leve que queria ser toque que nunca mais solta. A nuance que queria ser cheiro guardado dentro do peito. Eram tantos os sentimentos, que precisavam ser muitos os personagens pra dar conta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas um dia se pegou sem graça. Se pegou olhando pouco. Se pegou em tantas perguntas que não caberiam naquele arquivo grande o suficiente. Tantas que não cabiam dentro do peito. Se sentiu estranha. Deslocada dentro de uma multidão que sentia e sentia e sentia. Percebeu que sabia, mas não entendia. Não sentia. Desde pequena percebeu o dom de saber dos sentimentos dos outros. Seus olhos eram uma espécie de raio-X de sentimentos. Era olhar para uma pessoa e sabia o que estava acontecendo. No começo achava que todas as pessoas conseguiam ver o mesmo que via. Mas depois percebeu que ninguém mais via. Depois ainda, percebeu que nem os que sentiam sabiam mensurar o que eram seus sentimentos. Chegou a se incomodar, pensou ficar invadindo a intimidade alheia. Desviava o olhar sempre que pressentia um sentimento brotando. Envergonhava-se. Mas depois percebeu que eles acontecem o tempo todo, em todo lugar, com todas as pessoas. Percebeu que teria que andar com os olhos fechados. Passou a achar bonito ver as pessoas sentindo. Passou a decorar os sentimentos. A repassar no final do dia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No final do dia, até que chegou o dia em que se pegou pensando como seria sentir aqueles sentimentos. Percebeu que de tanto olhar, tinha ficado prática em decifrar, mas inábil em senti-los. Buscou na memória cada um dos que tinha visto. Buscou e tentou reproduzir. Olhou querendo sentir algo mais. Pensou uma coisa e fez outra. Mas era tudo vazio. E o vazio foi se adensando. Aumentando de volume e altura. Foi tomando artéria, veia e capilar. Foi circulando por dentro das suas entranhas. Foi tomando cada parte do seu interior. Até que ela fechou os olhos bem forte. Nada de lágrima. Nada de nada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E lá no outro canto. Bem no fundo da sala, quase escondido. Ele olhou pra ela. Uma menina que não estava sentindo nada. Estava tentando e não conseguindo. E ele sabia bem o que era isso. Um vácuo de sentimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-8850165967878632028?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/8850165967878632028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=8850165967878632028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8850165967878632028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8850165967878632028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/05/o-pequeno-acontecimento.html' title='O PEQUENO ACONTECIMENTO'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-8795433561523848997</id><published>2011-04-11T10:27:00.000-03:00</published><updated>2011-04-11T10:27:23.272-03:00</updated><title type='text'>MATOU E FOI DORMIR</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;MATOU por amor e foi dormir. com os olhos ainda brilhantes das lágrimas d'outros olhos, que não mais seus, que não mais os seus de sempre. matou com toda a crueldade que morrer de amor sugere. não era mais morrer de rir. mas não foi o morrer de chorar que esperava que fosse. sempre esperou. poderiam ser tiros, que tirariam de dentro dali uma dor que não tinha mais pra onde expandir. poderiam ser sufocações. poderiam ser murros nos muros que os separavam. que o separava do mundo, em que ele mesmo se retirou. poderia ser qualquer coisa que fizesse morrer, menos rir, menos chorar de rir. ele disse que nunca mais havia chorado de tanto rir. ela disse que ele nunca mais havia rido de tanto chorar. ele disse que ela disse que ela disse que ele disse. depois disseram dele e disseram dela, mas eles não estavam mais nem ai. nem ai, nem ali, nem aqui, nem em nenhum lugar. que é o que acontece quando se mata ou se morre ou se mata e morre de amor. não se está mais. e acaba o que nem mesmo começou. já que quando é assim que acaba é porque na realidade nunca foi. e já se sabe que nunca será. o que não foi, não será, nunca será, não é?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;DIAS depois ainda se ouvia os gritos pequenos de uma briga pequena, uma briga pouca com pouco amor, pouco nenhum amor. pois quando se mata no outro se mata na gente. quando se mata o outro. se mata a gente. quando se mata, se morre?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E MORRER nunca mais foi tão fácil. depois que matou de tanto amar, de tanto amor. nunca mais ninguém conseguiu morrer sem soltar um riso triste de dor. ninguém mais morreu de tanto rir ou chorou de tanto rir ou de tanto morrer. nada mais foi tão fácil assim. quanto amar de amor e o amor de amar. as sufocações eram então intrínsecas. era pertinentes aos penitentes descendentes de um amor que mata e morrer ao mesmo tempo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;EU NUNCA MAIS VOU TE AMAR TANTO QUANTO NUNCA TE AMEI. ele disse e ela disse. disseram que eles disseram, antes de tudo ser somente um não amor ou desamor à dois.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-8795433561523848997?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/8795433561523848997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=8795433561523848997' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8795433561523848997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8795433561523848997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/04/matou-e-foi-dormir.html' title='MATOU E FOI DORMIR'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-8143115988447392649</id><published>2011-04-07T20:47:00.001-03:00</published><updated>2011-04-07T20:47:25.771-03:00</updated><title type='text'>E OS DIAS COMUNS, DE QUEM SÃO?</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Onde estão aqueles dias comuns, em que não se sente nem dor, nem a alegria eufórica que nos é cobrada? onde estão aqueles dias em que se acorda, que se faz as coisas sem se cobrar, sem ser cobrada. em que as pessoas levam em consideração que cada um tem a sua individualidade e que a sua pode ter haver com a minha, mas não necessariamente. porque as vezes nos dói a dor do outro, porque as vezes nos doem as nossas próprias dores, que ninguém mais vai sentir, que ninguém mais vai saber, que com exatidão só em mim. e é tudo tão volátil, que nem bem sentimos a dor das dores e já vem as alegrias e tudo se mistura e tudo se funde e nos fode a vida, nessa mistura desconexa da agilidade de carregamento em que vivemos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tem gente andando tranquila aqui, enquanto lá tudo se desfaz. tem gente chorando aqui, enquanto ao lado outro ri até não poder mais. a globalização dos sentimento, a padronização do humano. e quando se globaliza, nada mais importa, nada mais vale, nada mais. a tragédia de hoje, se desfaz na de amanhã e na de depois e na de depois e no fim da novela e no fim do reality e no fim do que havia nos tempos em que ainda havia alguma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;eu não sei mais. eu não entendo mais. eu não quero mais. eu não.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;só um eu globalizado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-8143115988447392649?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/8143115988447392649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=8143115988447392649' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8143115988447392649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8143115988447392649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/04/e-os-dias-comuns-de-quem-sao.html' title='E OS DIAS COMUNS, DE QUEM SÃO?'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-6219302943672972153</id><published>2011-03-17T22:45:00.001-03:00</published><updated>2011-05-13T16:57:02.157-03:00</updated><title type='text'>O QUE VEM DE BAIXO NÃO ME ATINGE... E DE CIMA MUITO MENOS!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;TINHA pena dele. andava de um lado para o outro com aquele soro pendurado no braço. tinha que ir ao banheiro assim, à cozinha, sala, quarto. por toda casa seu "cachorrinho" de metal e plástico o seguia. deveria ser uma doença dessas raras e bem graves, para ter que tomar remédios na veia todos os dias e o dia todo. nem de noite dava sossego a tal doença. rezava todas as noite metade do terço para a pronta recuperação do doente. ficava apreensiva quando demorava a ouvir o barulho do suporte de soro sendo arrastado pela casa. ficava quietinha até escutar o barulho. e então se acalmava. desconfiava que tinha até uma enfermeira que cuidava dele. quer dizer, dele ou dela. não tinha certeza se era um homem ou uma mulher. nunca havia visto a pessoa pessoalmente. um certo dia, como as janelas do prédio hexagonal por dentro, eram todas coladas de frente e de lado, ouviu uma conversa das vizinhas, meio por cima. ouviu do doente do andar de cima. depois disso, foi só prestar atenção para despertar a piedade, apesar da irritação. confiava muito em Deus e agradecia ter ouvido a conversa, pois caso contrário e por muito menos, já teria subido ao apartamento de cima e ditos muitas e más ao barulhento ou barulhenta. no começo, quando se mudou, acreditou ser uma obra desaforada do destino, ter novamente um vizinho barulhento. tinha vindo de um outro prédio, onde uma criança corria atrás do cachorro e jogava bola de gude o dia todo e de noite a mãe chegava de salto alto e assim permanecia até a meia-noite. estava ficando louca com o barulho quase 24 horas por dia. chegou a dar uns gritos e esmurrar as paredes diversas vezes. depois se mudou. não só de prédio, mas de cidade, de região. mas não conseguir fugir de morar novamente num prédio e novamente com vizinho de cima. não tardou começar a ouvir os barulhos desagradáveis. começaram suavemente, como todos os barulhos que vão durar muito tempo começam. mas depois de um tempo eram praticamente o tempo todo. quando começou a questionar sua sanidade e sorte, ouviu a conversa das vizinhas sobre o doente. o pobre enfermo. teve uma vergonha imensa de seu comportamento inaceitável e egoísta de querer morar em comunidade, mas não poder tolerar que alguém fique doente. passou a evitar fazer qualquer tipo de ruído. quando reinava o silêncio em cima de sua cabeça, ai então se prevenia ainda mais de qualquer suspiro, tudo para não incomodar o coitado. com o tempo se acostumou. não que não ouvisse mais. ouvia e muito. mas cuidava dele ou dela à distância, se preocupava com a recuperação. as vezes não dormia direito, é verdade, mas não reclamava, tinha uma saúde de ferro. e a doença foi durando, durando e durando. não imaginava como o doente aguentava tanto, ela mesma já não aguentava. tinha vontade de subir lá e fazer alguma coisa, tinha uma solidariedade pulsando. mas não tinha coragem. havia se apegado ao doente. vai que estivesse muito mal. vai que estivesse nas últimas. vai que fosse contagioso. preferiu não. aliás, não tinha costume de se enfiar na casa dos outros e se meter em suas coisas. só que de tanto não dormir por tanto tempo, a saúde dela foi reclamando um pouco também. foi envelhecendo antes do tempo, pegando gripe uma atrás da outra. tendo uns desmaios esquisitos. chegou a ficar internada numa clínica de repouso por uns dias pra reestabelecer a saúde perdida. e quando voltou, teve ainda mais piedade do vizinho ou vizinha. sabia o que era ficar ligada aos soros o dia todo. já desenxabida e sem querer ou poder se mudar, dormindo e se alimentando mal, sem nem mesmo saber por que motivo, sentou-se pra assistir baixinho ao telejornal local. fazia tempo que não se indignava tanto. fazia tempo que a boca invisível do estômago não borbulhava daquele jeito. não ouviu a noticia direito, mas viu muito bem. viu principalmente a fachada do prédio em que morava e o interior do apartamento muito parecido. um puto, sim, um grande puto de um vadio sem-serventia, querendo aparecer e sem um cabo de enxada pra puxar, estava tentando quebrar um recorde, andando durante 450 dias de skate dentro de seu apartamento. parando apenas para dormir e tomar banho. acabava de conseguir cumprir o feito, era recordista. ela indignou-se. como podia um ser humano tão cruel e desprezível. imagina se o puto morasse em cima do coitado do doente? mataria o coitado em 450 dias... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-6219302943672972153?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/6219302943672972153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=6219302943672972153' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/6219302943672972153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/6219302943672972153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/03/o-que-vem-de-baixo-nao-me-atinge-e-de.html' title='O QUE VEM DE BAIXO NÃO ME ATINGE... E DE CIMA MUITO MENOS!'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4873904117451600918</id><published>2011-03-13T23:56:00.000-03:00</published><updated>2011-03-13T23:56:19.596-03:00</updated><title type='text'>infinito inventário da sanidade</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;andava de um lado para o outro, bloco de notas na mão, caneta fincada no meio dos dedos duros de tantas palavras incrustadas. fazia dias estava com a ideia fixa de fazer o inventário. precisava disso para continuar a jornada. foi lembrando o que pode, de cabeça. e o que não deveria durar mais do que algumas horas, durou dias, meses, anos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;dez gavetas, sendo cinco da cozinha e cinco da sala. frente de armário branca. uma palmeira. quatorze dúzias de passarinhos variados. lagartixas. bancada de mármore petróleo. piso de madeira na cor embuia. variedade climática. pastel de feira confiável. elevadores limpos. lixeiras com tampas longe da porta. janelas laváveis, ao alcançe dos braços. andar térreo. conhecidos, amigos e parentes. roupas de frio com possibilidade de uso. dois edredons e um cobertor pêlo alto. silêncio. identidade. personalidade. identidade profissional. arte. calçadas de paralelepipedos. garoa. bolo de chocolate. possibilidade de dar um pulo logo ali e já voltar. localização espacial. couve-flor e brócolis. carro. supermercado. quartinho 1x1 na garagem. lavanderia com possibilidade de circulação. parque. grama verde. cinza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e seguiu canetiando. colocando no papel todas as coisas que tinha e que agora lhe faziam falta. precisava disso para seguir adiante. precisava disso para seu processo. tal qual precisou um dia o Senhor K. as anotações fluiam numa inspiração vital. terminou um bloco, dois, três, quatro. quando viu tinha no canto da sala uma pilha deles e não estava nem beirando o término do inventário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;puff vermelho. divã. almoço de domingo. encontro casual. linha reta. abridor de latas. garrafa de lambrusco. livro do garcia marquez. carregador de pilhas. passada de mão nos cabelos. pizza dividida entre muitos. reunião profissional. joana, minha amiga. shopping pertinho. colher de pau. panela de fundo triplo. sapato preto. batom vermelho. casa de samba. feira de artesanato. nata. café da tarde. ruas com semáforos. gente conhecida. silêncio. verduras frescas. morangos frescos. bolo de chocolate com nata e morangos frescos. colo de mãe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;de um lado para o outro. com o tempo ao seu desgosto. tendo pressa e com apenas um mão cursiva. tentando ir cada vez mais fundo. lembrar o imemorável. precisando do inventário pronto pra poder tomar as medidas cabíveis. por vezes com a caneta na boca, noutras com o bloco na cara. sempre pensando nas faltas que havia tomado. não comia direito, se não fosse para lembrar alguma coisa que faltava. não fazia outra se não tentar saber o que estava fora do lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;porta-canetas. peças de teatro. médico ginecologista. hospital próximo e confiável. brisa sem maresia. sair meio-dia sem insolação. festa de aniversário dos outros. sua festa de aniverário com mais que um convidado. flores não murchas. meia de lã. sala de cinema não lotada. museu. ônibus amarelo. ponto de ônibus pré-definido. linguagem sem sotaque estrangeiro ou muito acentuado. loja de 1,99. loja de fantasias. festa de formatura ou casamento.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;quem olhava tinha a impressão de que nela os anos passavam como minutos. tinha a mão um pouco deformada pelo uso indescente da esferográfica. os pés cansados dos passos-pensantes. os cabelos compridos. as unhas desbotadas. olheiras. pele seca. lábio partido de tanto vociferar lembranças talvez desnecessárias. tinha o peso de muitos blocos carregados de tinta, dores e palavras. tinha um inventário sobre os ombros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;caderno de receitas. cartas. carteira de trabalho. formas de vidro. forno que puxa a grade quando abre. bom retiro-puc. ponto de ônibus em formato de tubo. tempo nublado. esperança de refrescar. silêncio. ponte de madeira seguida de ciclovia. vontade de andar de bicicleta. vontade de sair de noite. garrafa de champanhe guardada. balneário chinfrin. copos herdados da tia morta. fones de ouvido. cabo usb. roupas que não servem mais. banho quente. aparelho de bolinhas de sabão. squize de água. sonhos de noite inteira. cama pra três pessoas. pés gelados. sapatos com meia. ventilador desligado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;a cada linha colocava um ponto. mas não finalizava. sabia que precisava dele completo. caso contrário não serviria. não entenderiam a gravidade. precisava que soubessem que a coisa toda era complexa. que precisava de coisas ocultas aos outros. que temia não ser entendida. não ser levada a sério.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;fitinha na cor rosa pink. tecido para fuxico. pé de amora carregado. ligação de não longa distância para a casa dos pais. distância menos do que três horas de vôo. apartamento de fundos sem rua próxima da janela do quarto. quarto escuro. cheiro de chuva. programa de domingo no domingo. voltar de férias. calça jeans. porta cd. silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt; o companheiro, que acompanhava desde o começo o passatempo. achou que já havia muito passado. resolveu resolver a questão com outra questão. tirou de suas mãos a caneta e o bloco. sentou-a numa cadeira e questionou sobre a real necessidade das coisas anotadas. estava sendo julgada. como havia previsto, seu processo estava instaurado. porém ela não teria como defender-se. tinha sua defesa incompleta. ainda não tinha o seu inventário. virou-se contra ele de dentro para fora. de fora para o lado. do lado para todos os outros. deixou de amá-lo naquele mesmo instante. agarrou-se aos blocos já completos e pegou quantos em branco pode. correu em direção à porta. trancada. ele completava uma ligação que ela ainda não tinha feito. ela lembrou de umas coisinhs mais e voltou-se para a caneta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;caixa de lápis de cor. agulha e agulheiro. alicate de cutícula. depiladora. sandália de samba. vestido verde e preto. prateleiras. tomar banho em dois. pular a sacada. pular a janela. narguile. taça de vinho branco. convite pra não fazer nada. ensaio ao ar livre. silêncio. silêncio. silêncio. liberdade. capa de travesseiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ele abriu a porta de supetão. ela saiu correndo e sentiu seu corpo sendo bloqueado por outro corpo. sua visão ficou branca como se fosse avião entrando em nuvem. sentiu-se voltando involuntáriamente. sentiu o carpet sintético ralando sua pele. ouviu de uma voz desconhecida a sentença: sintomas de insanidade. teve tempo de engatinhar para dentro, encostar-se no sofá de courino vagabundo. catar no chão bloco e caneta que tinham voado e dar fim ao que tinha começado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;sanidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4873904117451600918?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4873904117451600918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4873904117451600918' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4873904117451600918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4873904117451600918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/03/infinito-inventario-da-sanidade.html' title='infinito inventário da sanidade'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5801803751374930221</id><published>2011-03-04T18:13:00.001-03:00</published><updated>2011-03-13T22:45:07.279-03:00</updated><title type='text'>pela janela. um sonho.</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;teve um sonho premonitório. acordou aos prantos. suando. repetia baixo, por entre os dentes, que não queria morrer, que não queria morrer. passou dias com dificuldade de aceitar. com dificuldade de digerir o que quer que fosse. passou dias perdida naquela premonição. teve grande dificuldade de aproximar-se dela. era a causa de seu desgosto, de sua tristeza, do fim de sua vida. perdia muito em não se aproximar, mas preferia. premonizara sem saber quando. premonizara apenas como. preferia nunca mais chegar perto, achava que poderia assim se livrar da desgraça que as unia. depois de dias, quase esqueceu. como tudo, aquele sonho passou. não que não se lembrasse mais do seu destino anunciado. mas conseguia pensar melhor, conseguia ser novamente a mesma pessoa. passou uns bons tempos sem se preocupar. e depois voltou a procurá-la. a observá-la de perto, encostada, debruçada. voltaram as boas. mas um dia, lendo o jornal, viu uma noticia que a deixou agoniada. uma moça havia sido empurrada da janela, do décimo terceiro andar, morreu espalhada pelo chão. lembrou-se de tudo. do pranto. da dor. do sonho. sentiu os ossos todos do corpo se quebrando. sentiu suas carnes espalhando-se pelo áspero asfalto. sentiu pena de si mesma. passou a noite seguinte acordada. tinha medo de um sonho ainda mais revelador. medo de sonhar confirmatóriamente. mais uma vez, percorreu o mesmo caminho. o da auto piedade. o do afastamento. a agonia latente. depois de não suportar mais, resolveu sentar á mesa e conversar consigo mesma. nunca havia feito isso, mas viu uma vez num filme e achou que funcionaria. e nesta conversa revelou-se a suposta verdade daquele sonho e de todos os seus entorces. não era a morte que temia. ela era certa. e certa não só para ela. o que a deixava dias sem poder sequer levantar da cama, congelada por uma força distante, era a espera. saber que ia morrer era dolorido, mas não saber quando era mais ainda. começou a forçar a mente, viver para relembrar aquele sonho. tentar extrair da memória qualquer informação que pudesse levá-la ao dia certo. errado. era duro rememorar a mão que a empurrava, as costas sendo levadas para frente, o quadril girando, as pernas flutuando, o vento no rosto, os cabelos tampando a visão, o baque surdo do corpo no solo e a dor rápida e enlouquecedora que tomava conta dela num segundo, para depois partir para o nada. era dolorido. mas preciso. não tanto quanto ela gostaria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;numa outra manhã dessas, teve a ideia que lhe acendeu a mente, tomou novo fôlego. foi até ela e olhou. olhou com toda firmeza que era possível. fechou os olhos na sua frente. tentando rever cada segundinho daquela visão do futuro. abria os olhos de supetão, chegava a sentir a mão que lhe tocava as costas. mas estava ali. ainda estava. fez isso todos os dias durante meses. se aproximava, encostava, fechava os olhos. num dia chegou a abrir os braços. e nada. o nada era rotina por aquelas bandas. degrigolou-se. os cabelos desgrenhados, as mesmas roupas de sempre, não comia quase nada, nem água bebia. tudo que fazia era se aproximar dela. tudo o que fazia era rememorar o irrememorável. sem perceber colocou seu sonho nas mãos e tomou posse dele como se fosse um lote de terra. sem perceber cumpriu seu sonho. sem perceber, não suportou mais a espera da morte que não chegava nunca. acordou como todo dia comum, foi até ela e impulsionou como se lembrava. teve que imaginar a mão, e de tanto que o fez chegou a dar uma leve olhada para trás e vê-la, empurrando suas costas. recordou com precisão que era tal qual havia sonhado. as costas se dobrando, o quadril girando, o desequilíbrio, os pés que procuram um chão não mais possível. era tudo perfeitamente como ela havia visto. somente uma coisa lhe foi revelada no último momento. um instante antes do nada previsto, conseguiu ver um ângulo que no sonho não era possível. olhou para ela de fora. e se viu emoldurada. com a mão ainda esticada, típica de quem empurra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5801803751374930221?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5801803751374930221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5801803751374930221' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5801803751374930221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5801803751374930221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/03/pela-janela-um-sonho.html' title='pela janela. um sonho.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-1934618085005246722</id><published>2011-03-02T20:00:00.000-03:00</published><updated>2011-03-02T20:00:11.095-03:00</updated><title type='text'>antes que amanheça</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ela andava descalça pelas areias. não sei como era seu pé, seus pés. não sei se eram inchados como os meus, mas ela andava descalça, para mim é assim que andava. tinha a cintura com molejo. tinha os cabelos presos. suava nas têmporas. usava um lenço sem bordado. com o calor que sempre fez. suava. não sei se era assim que aconteceu, mas é como gosto de lembrar. lavava roupa na beira do rio, com trouxa grande na cabeça, equilibrando os pensamentos. me contaram. fazia comida boa, com banha de porco. assava chimangos, uma baciada. comia bem, se deleitava. fazia compotas, doces cremosos e doces de corte. cuidava das galinhas, dos porcos, das vacas, tirava leite, recolhia ovos. não me contaram, mas eu sei. usava roupas que ela mesma costurava. ponto por ponto, nó por nó. dava conta de várias crianças, de vários sonhos e de várias esperanças. dava conta da sua. morava perto do rio. morava debaixo do sol. morava longe do mar. amava aquele homem. do jeito que dava e do jeito que sabia. amava. soube da história por cima e tratei de rechear.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tinha todos os dias coisas que fazia. vivia num outro mundo que já não existe mais. num desses tempos em que a verdade era corriqueira. e mais verdadeira do que as dos tempos atuais. num desses tempos em que a vida quando encardia, era só colocar pra "quarar" e voltava a ser branquinha como nuvem. e não passava tão rápido quando a nossa amarelada, sem graça de tanta falta de amor. tinha os olhos castanhos, como os meus. e com o tempo os cabelos foram ficando fininhos, como os meus. e quando eu tinha 15 anos, seu vestido de cetim rosa claro, feito durante anos, serviu certinho, pra provar que um dia ela já &lt;i&gt;fui&lt;/i&gt; eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e um dia talvez eu queira, correr pra longe da correria. correr pra longe da cidade. e requerer a minha parte nessa herança. ter uma vida dessas de verdade. com coisas pra fazer e uma felicidade que não se comercializa. uma dessas que não passa na televisão. dessas que talvez nem exista, mas que eu posso criar. assim como as galinhas, porcos e vacas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;uma felicidade de pés descalços e calcanhar encardido e rachado. num chão que não treme e nem se desmonta na virtualidade desta nossa vida real.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;viver uma felicidade, antes que amanheça.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-1934618085005246722?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/1934618085005246722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=1934618085005246722' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1934618085005246722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1934618085005246722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/03/antes-que-amanheca.html' title='antes que amanheça'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5029776405540961023</id><published>2011-03-02T19:42:00.000-03:00</published><updated>2011-03-02T19:42:58.753-03:00</updated><title type='text'>TINHA.</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tantos quantos ela podia contar. na verdade muito mais do que ela podia contar. tinha sim, muitos, diversos, diversificados. estavam sempre presentes, sempre por perto. presentes! não tinha do que reclamar. todos queriam estar em seu lugar, mais do que isso, queriam estar ao seu lado, os dois lados. e quando lhe perguntavam, ela não demorava a responder da felicidade que se apresentava por tê-los sempre por ali.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;mas havia os que desconfiavam, como sempre e como em qualquer lugar. havia os que maldiziam. que pensavam coisas e mais coisas a seu respeito, desrespeito. achavam inibida demais, introvertida demais, recolhida demais, achavam tudo demais. e questionavam tanto quando pudessem perguntar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;como teria ela tantos amigos, se não era vista com niguém, se não era visitada, se não. quem eram esses benditos, aonde se escondiam?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;mas um dia não suportou mais. pegou megafone e foi pro meio da rua, proclamar, reclamar o direito que tinha de ter quantos amigos pudesse suportar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;gritava para os que passavam, quem eram os seus amigos. e quem passava nada entendia, alguns paravam, outros iam. mas ela gritava, vociferava, dizia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tenho sim muitos amigos, tantos quantos minha alma pode aguentar. tem o da sacada do terceiro andar do prédio da frente. tem a moça da janela de revesgueio com a minha. tem o cara que varre a rua debaixo todos os dias. tem o menino que chuta bola, o que empina pipa. tem o moço da livraria. tem o do avião. o do parque. o da rua. o.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tantos quantos eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tenho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tenho sim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;e ninguém pode duvidar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5029776405540961023?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5029776405540961023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5029776405540961023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5029776405540961023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5029776405540961023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/03/tinha.html' title='TINHA.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-8954188480920386363</id><published>2011-02-24T14:25:00.000-03:00</published><updated>2011-02-24T14:25:46.126-03:00</updated><title type='text'>lugar</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;o desabafo já não desabafa o calor que permeia nossos corpos. ele não está em nós, vem de fora e devora nossa parte aquosa, nos derrete em gotas meladas que escorrem muito mais do que as lágrimas que costumavam estar presentes por fora. e que agora estão do lado de dentro, perdidas num fluido de sentimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e o que mais nos agradava, já não agrada. e não sabemos se não nos agrada porque não queremos ou se é outro o motivo do desagravo. estamos levemente cansados de ficar esperando o que não há. e não há porque não damos o mínimo espaço para que seja. o que não queremos que seja, muitas vezes não será... temos no peito ainda, cravado em espaço notório o brasão de uma outra terra, que ainda que esteja unida a essa, nos parece um outro lugar. um lugar distante tanto em espaço quando em nós. queremos estar lá para fugir daqui, talvez porque fugir daqui seja não lutar, não seguir, seja congelar um tempo e espaço e felicidade que nem existem mais. verdade seja dita, a felicidade se enraizou em nossa memória, mas lá fora não há mais o que comemorar, a não ser que estejamos dispostos a nos encaminhar por novos caminhos, desconhecidos, pois é só lá que moram as coisas, tanto as boas, quanto as ruins. mas nunca saberemos se não sairmos de nós, desse nós que nos aprisiona, que nos tolhe, que nos deixa ficar, que não nos deixa partir. vivemos um tempo de calendários riscados, sem perceber que ao fazê-lo, riscamos dias de nossas vidas, nos aproximamos do fim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;que melhor nos aparenta, estar onde se quer ou onde se está?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;que mais nos apetece, estar onde se ama ou com quem se ama em outro lugar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;que mais nos agrada?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-8954188480920386363?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/8954188480920386363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=8954188480920386363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8954188480920386363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8954188480920386363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/02/lugar.html' title='lugar'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4189693345159888040</id><published>2011-02-04T17:01:00.000-02:00</published><updated>2011-02-04T17:01:32.473-02:00</updated><title type='text'>TRUE</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;PODE PARECER que é só pra aparecer, só pra fazer notar, me notar num mundo já tão desgastado pelas nossas relações que não relatam, que pouco acrescentam, que pouco são. pode parecer o que não é, mas não há mais a preocupação em parecer. agora e neste momento, eu só quero poder ser novamente o que nunca fui. desejo coisas que de tão simples me parecem indesejáveis. de tão simples parecem nem ao menos serem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;quero andar com passos firmes e despreocupados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;sentar numa mesa de um lugar qualquer e sentir por debaixo da mesa seu joelho relar no meu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;comer uma bala da tua boca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ouvir um música no silêncio total.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;cozinhar um alimento que não nos alimente só a alma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;passear por um parque de diversões bem colorido contigo vestindo roupa preta ou branca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;sentir bem pouca saudade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;vestir roupa de algodão doce.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;tomar banho de chuva pra lavar a alma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ter uma conta de luz bem baratinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;nunca mais ouvir o celular tocar chamada que era engano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;dormir uma noite inteira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;unhas que não quebrem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;dividir com você a última fatia daquele bolo de chocolate.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;te escrever uma peça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;te dar uma palavra nova.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ser quem eu sou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;não ter medo todo dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;não ter medo toda noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;não ter medo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;dizer não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;dizer sim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;não quero não suar no calor e nem não tremer no frio, não quero um mundo novo onde tudo seja legal e faça sentido, não quero não ter que dizer mil vezes a mesma coisa, não quero comer sem engordar, não quero sair sem ter que voltar, não quero não ter mais que olhar pra trás, não quero esquecer o que foi ruim, não quero ir pra lua, não quero que sempre tenha sol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;só umas coisas simples, dessas simples demais, que talvez nem existam, que talvez sejam só criação da minha imaginação, que talvez estejam nos sonhos que não tenho sonhado mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;só quero uma vida só pra mim. que nem precisa ser muito longa. que nem precisa ser tão azul. que pode ser de qualquer cor. desde que tenha alguma cor. desde que exista. que exista além do presente, exista além da praça, além das quatro paredes, exista além.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4189693345159888040?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4189693345159888040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4189693345159888040' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4189693345159888040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4189693345159888040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2011/02/true.html' title='TRUE'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-1803244494851064981</id><published>2010-11-27T11:51:00.000-02:00</published><updated>2010-11-27T11:51:40.429-02:00</updated><title type='text'>ctrl+d</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;não há verdade, não amor, não há nada que suporte uma vida onde ela não está. pois se temos boca, ouvido, cabeça e membros. pois se desde pequenos temos no peito a alegoria do coração. se funcionamos com perfeição. todos os dias, e até mesmo nos piores. se o olho se abre quando acordamos, se fecha quando dormimos e depois se fecha quando estamos acordados, quem sabe prum sonho atemporal. se escolhemos pares, vários deles como em uma loja de sapatos. sairia você somente com o esquerdo, somente com o direito, com um diferente do outro? há uma necessidade inata em mim. uma dessas que tive que ter tempo não perdido pra encontrar, pra identificar, pra saber como faz... como se vive uma vida sem saber o que há logo ali, bem na frente do seu nariz, arrebitado na ignorância de que é simples, muito mais do que se possa crer. pra que esses olhos tão grande, pra te ver, e a boca, pra te comer, te falar, te dizer, e os ouvidos pra te ouvir. caso contrário bastaria uma grande massa, um bloco móvel e ponto final. mas se temos acessórios, apetrechos tão bem elaborados, se tenho você do meu lado, na minha frente, atrás de mim. tank you man. de que adianta ter olhos pra não ver, ter boca pra não te comer, emudecer, não te ouvir, nem que seja num breve suspirar.&amp;nbsp; de que me adianta olhar e não ver, escutar e não ouvir, falar e não dizer. de que adianta tanta perfeição se a delicadeza nos falta? se nos falta saber do outro, onde doí, onde é bom. se você está ali mas não está, de que adianta verbificar? a verdade, preciosismo dos maiores, nada é se não houver em mim a delicadeza de perceber que o que é meu nem sempre lhe é pertinente. o que te adianta? de que adiantam tantas coisas se acha que aqui dentro é só sangue, comida, detritos, fluidos, ossos, carnes e banhas? se ao invés de ver um ser móvel, movediço em si, apenas vê uma fotografia em 3D. as salvações estão todas perdidas, se não há uma delicadez em nós, todos os dias, todas as horas, com todas as coisas. só a delicadeza salva. ctrl+d!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-1803244494851064981?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/1803244494851064981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=1803244494851064981' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1803244494851064981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1803244494851064981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/11/ctrld.html' title='ctrl+d'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-1876567094961839089</id><published>2010-11-27T11:25:00.000-02:00</published><updated>2010-11-27T11:25:35.074-02:00</updated><title type='text'>NA LOJA DE VARIEDADES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;existem várias coisas na loja em que vivemos, na loja de variedades. das mais caras as mais baratinhas, das mais significativas as mais furrecas. e passamos o tempo todo negociando, vendendo, comprando, olhando o que tem de velho e as novidades. passamos o tempo todo. e lá no fundo existe uma prateleira, repleta de coisas fantásticas e ao lado uma placa, que nos queima a boca do estômago. e milhares de nós, se acotovelando na frente dela, olhando com as mãos nos bolsos, bolsos que escondem os dedos variantes, nervosos. unhas levemente roídas, compridas, pintadas, escondidas. existe lá no fundo da loja de variedades, uma prateleira. existem coisas na prateleira. e uma placa. PROIBIDO TOCAR - NÃO TOQUE! e depois de muito tempo, tem uns de nós, uns bem poucos, quem entendem, que existem coisas no mundo que são só pra olhar. nossos dedos não teriam tato pra lidar com tal material.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; pra olhar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-1876567094961839089?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/1876567094961839089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=1876567094961839089' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1876567094961839089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1876567094961839089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/11/na-loja-de-variedades.html' title='NA LOJA DE VARIEDADES'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-9198412210012549244</id><published>2010-11-16T10:30:00.000-02:00</published><updated>2010-11-16T10:30:36.203-02:00</updated><title type='text'>o telefone...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;quando ele toca, toca em algum outro lugar não é? como uma voz pode passar por dentro de um fio que está lá em outro lugar e chegar aqui. e aqui chegando entra ainda mais, mais fundo, funde as coisas de dentro com as de fora. como posso estar aqui? como posso estar lá? como podemos? quando o telefone toca, do outro lado ele chama, mas do lado de cá também há o chamado, uma dúvida de quem está do lado de lá... uma dúvida se devemos atender ao chamado de quem chama. responder, ouvir, falar, sentir. e se não atende, se não ouve o que se diz do lado de lá, a dúvida do que era, do motivo, das palavras que ficaram presas na garganta de quem chamava e não foi atendido. sempre que o telefone toca me dá um sobressalto, um assalto no peito, nunca é corriqueiro quando o telefone toca por aqui. ainda mais se os que tenho aqui dentro, tenho dentro do aparelho também, e sempre que eles ligam eu sei... e se não atendo na hora, retorno, chamo... toda vez que o telefone toca um botão vermelho se acende em mim, toda vez que atendo ao telefone me coloco ao seu lado, te trago bem aqui...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-9198412210012549244?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/9198412210012549244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=9198412210012549244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/9198412210012549244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/9198412210012549244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/11/o-telefone.html' title='o telefone...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5516918910020432571</id><published>2010-10-24T11:19:00.000-02:00</published><updated>2010-10-24T11:19:15.298-02:00</updated><title type='text'>mais um dia comum, em tempos comuns e redundantes.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;choveu muito, muito mais do que se esperava. disseram na televisão que choveu o que era esperado para todo mês de outubro. a água subiu muito rápido, não deu tempo de salvar nada. estavamos dormindo e quando vimos a água já chegava no andar de cima. subimos na lage da casa pra não morrer afogados. não pudemos pegar documentos, fotografias, papéis importantes, roupas, móveis, nada. tudo ficou molhado pela água da chuva. perdemos tudo. teremos que recomeçar, já que era tudo o que tinhamos, tudo o que tínhamos estava na nossa casa que foi inundada com a grande quantidade de chuva que caiu ontem de noite. choveu muito, mais do que todo mundo esperava. ninguém imaginou que a água fosse subir tão rápido, que fosse chover tanto assim. agora não temos as nossas coisas, não sabemos o que poderá ser salvo ou recuperado, já que está tudo molhado. muito molhado. vamos ter que começar do nada, do zero, ter que reconstruir nossas vidas, recuperar nossas coisas. choveu muito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;versus&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;a chuva. nossa casa, não há mais nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;uma questão de estilo ou uma necessidade de se fazer entender por meio de muitas palavras e redundância. fica a dúvida, fica a dica, fica a sensação de não saber se há como saber a hora de parar, de dar fim sem deixar que se arraste e deixe um rastro ruim uma explicação, sim, explicação, que poderia ser mais simples e mesmo assim entendida. entediada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5516918910020432571?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5516918910020432571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5516918910020432571' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5516918910020432571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5516918910020432571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/10/mais-um-dia-comum-em-tempos-comuns-e.html' title='mais um dia comum, em tempos comuns e redundantes.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3152183766157057037</id><published>2010-10-20T00:53:00.000-02:00</published><updated>2010-10-20T00:53:49.169-02:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;você consegue ver meus olhos, consegue vê-los agora. eu deveria rir  alto. eu deveria rir. sussurrar em teu ouvido. eu deveria gritar e por  dentro grito, um grito mudo, tão mudo quanto as marcas que ficarão por  aqui. incandescentes. um coração que pulsa na mesinha de centro, ao lado  de bebidas e pó. um copo d'água, me veja um copo d'água por favor, é  onde vou colocá-lo, e beber até o fim, até a gota que desce do olho.  minh'alma está arqueada, sem ar, já sente o rasgar da pele pós o depois  que há quando se fica e se vai. há uma náusea dentro dos meus  pensamentos, que vem da música que se repete no quarto ao lado, átrio ao  lado. um pequeno compartimento. eu não pude evitar. eu não pude. minha  mão se abre, impreterívelmente se abre, vaza, vaza todo meu corpo mole e  flácido de dor e gozo pelos vãos dos meus dedos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt; particulaseunempedaçospartesencontrosseunemsesoldamsesolidificamerompemesaemevoltameeleeeuépartedotodoquesomos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e  agora, o já, se foi. segundos e a explosão se dá. jorra. quente.  segundos. fim. explodem partes indivisíveis de um ser. eu deveria ser  mais feliz, ouço e digo ao mesmo tempo. sou eu ou é você. sou você ou é  eu.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;a música se repete, repete, repete. "por baixo das suas unhas,  sem gerar sangue, é onde quero estar. onde quero estar no dia de hoje,  já é noite. coisas que não sei. vou cair." e repete.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;as marcas incandescem de dentro pra fora, água fria, água morna,  água quente, nada. já estavam e ficarão. ao toque de um novo Midas  surgem. ressurgem. não passará. como o tempo que dá voltas em seu eixo,  tentando encontrar a saída de um lugar circular.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;sempre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;é tarde. demais. demasiado. tarde.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;há um depois que não queremos conhecer. eu. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3152183766157057037?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3152183766157057037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3152183766157057037' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3152183766157057037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3152183766157057037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/10/blog-post.html' title='...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5986611686827116344</id><published>2010-10-18T23:00:00.003-02:00</published><updated>2010-10-18T23:03:08.724-02:00</updated><title type='text'>diga aonde dói...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="color: black;"&gt;&lt;span style="background: none repeat scroll 0% 0% white; font-size: 18pt;"&gt;...que lhe direi se o que você sente é dor. podem ser várias coisas, basta olhar melhor. basta tentar saber com honestidade como andam as coisas por ai. e por falar em honestidade... como anda sua honestidade? como ela anda se comportando com você? já que mentir se tornou a praxe dos dias atuais e nos acostumamos e mentimos e mentimos sem medir, mentimos todos, todos os dias, para todos, para nós. e mentira é coisa feia, me ensinaram um dia, e verdade é que é bonita, me disseram também. mas dai eu já vi mentira bonita e verdade feia. e dai? como é que fica? como é que faz? acordar, dormir, escovar os dentes, olhar no espelho, olhar, no, espelho, olhar, ver, não ver, mentir, honestizar a mentira, mentir honestamente. e vai seguindo o baile e todos dançam muito bem. e depois eu penso em amor. penso em amor, em amar o amor. penso em amor. volta e meia eu o encontro por ai. numa rua, numa quebrada dessas que a gente passa e nem vê. e eu nem sei se é amor. mas tudo bem também, pois minha intuição intui que é. e está bom assim, minto pra mim. é verdade? é mentira? nem verdade, nem mentira? o que é então? uma dor. uma dor? me diga aonde. me diga como dói. me diga quando começou, se diminuiu, se aumentou, se ardeu, se sangrou. amor. dor. or. e segue a vida a passos largos, largos e rasos. segue pois é assim que tem que ser. seguir. ir. devir. deve-ir. segue-se o que deixa rastro, o que dá pra seguir ou se perde, perde-se o que dá pra perder. tudo muito confuso. entre verdade e mentira. entre dor e amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5986611686827116344?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5986611686827116344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5986611686827116344' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5986611686827116344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5986611686827116344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/10/diga-aonde-doi_18.html' title='diga aonde dói...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-1680163789367855962</id><published>2010-10-03T09:45:00.000-03:00</published><updated>2010-10-03T09:45:38.935-03:00</updated><title type='text'>a felicidade que dói</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;pois  estamos acostumados a segregar, a nominar isso como isso e aquilo  como  aquilo, mas esquecemos que as coisas não podem ser circuladas e  dentro  deste circulo ficar. já que isso pode ser também aquilo e aquilo  um  misto de coisas. e quando descobrimos dores onde não deveria doer, e   quando aprendemos com isso, fica mais fácil viver. saber que onde há   felicidade pode haver a dor da escolha, saber que a descoberta pode nos   causar saudade, saber que dentro de um sentimento há uma gama de   pequenas partes. saber que não somos apenas isso que mostramos, que   temos mais recheios do que podemos imaginar, nos faz mais humanos, nos   faz mais entende(dores) de nós mesmos e por consequência entendedores   dos que se assemelham. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-1680163789367855962?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/1680163789367855962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=1680163789367855962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1680163789367855962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1680163789367855962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/10/felicidade-que-doi_03.html' title='a felicidade que dói'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4689010781106876479</id><published>2010-09-01T20:58:00.002-03:00</published><updated>2010-09-01T21:18:35.601-03:00</updated><title type='text'>só(me)doumal e curita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; bem &lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;marechal engarrafada até o gargalo, carro saindo pelo ladrão, saindo não, ficando pelo ladrão, porque ali todo mundo entra, mas ninguém sai. calor, tentando condicionar o ar a entrar pela janela, mas o ar de curitiba também não quer ser "ar condicionado". olhando pros lados, pode ser moto, pivete, piriguete, ete, ete, ete. pista do meio, o cara da frente e o de trás querendo virar na próxima, eu no meio daquele miolo de lata e estresse. pisquei o olho e um guardinha de trânsito apareceu na minha frente. tipo do nada. pensei, vai me multar, porque na real você não precisar fazer nada pra ser multado, eles fazem por você. cidade de primeiro mundo. cidade de-pri-me(nte). abaixei ainda mais o vidro e quando vi o cara, meio corpo pra dentro do carro. tinha uma cara conhecida o desgramado. nem ousei perguntar. o uniforme era "uó", não ousei nada. ele virou pra mim e disse: - Nana, se encontrares outro motorista que dirija bem, salvarei curita das chamas da destruição. ele falava deste tipo, esquisito que só vendo. sabia meu nome. multa na certa. pisquei de novo e ele estava dentro do carro, sentadinho, me olhando. aquela cara não me era estranho. quer dizer, ele todo era estranho, mas parecia um estranho conhecido. ficamos amigos, ele nem acreditou que eu era nascida e criada aqui. piri-ri-poro-ró. - ... e aqueles que nunca dão pisca? - ...e os que dão e não viram nunca? - e os que dão aquela abridinha de escânia pra virar a esquina? - e os que acham que a rua é deles e que eles é que precisam chegar logo?... horas... andamos meia quadra. no fim ele me olhou bem sincero. até me assustei. sincero. - vai lá naninha (sim, já estavamos íntimos), acha um bom  motorista que a budega tá salva. pisquei de novo e ele desapareceu. acho que cochileiclichê no trânsito, eu acho. nem me lembro se por via das dúvidas ele comentou alguma coisa tipo 2012. sei lá... só sei que comecei a olhar os outros motoristas e me lembro que quase chegando em casa, me deu uma dózinha de curita... achar um bom motorista, de onde eu conheço aquele cara... (buzina e grita) - sai da frente seu fidapuma, não tá de escânia, não!!! (e seguiria em frente, não fosse o engarrafamento de 10 ou 11 carros lerdos na marechal).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4689010781106876479?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4689010781106876479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4689010781106876479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4689010781106876479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4689010781106876479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/09/somedoumal-e-curita.html' title='só(me)doumal e curita'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2178305249091116121</id><published>2010-08-17T11:28:00.002-03:00</published><updated>2010-08-17T11:35:45.974-03:00</updated><title type='text'>hoje, por hoje, hoje...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-family: times new roman; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;resolvi mudar e deixar pra lá tudo o que me incomoda, pensar em ser feliz um pouco, pra que chorar se hoje está tudo bem, pra que chorar pelo que já passou ou pelo que ainda está por vir? resolvi sair da casca em que me encontro, me desencontro de mim... resolvi que a vida é muito mais do que uma depressãozinha por excesso de peso, por falta de trabalho, por excesso de apego, por desapego exagerado... percebi que existe um detalhe da vida chamado tempo, que passa, que passa, que vai, e que este detalhe tão pequeno é grande, nos dá e nos tira. que este tempo com a nossa colaboração faz as coisas mudarem, faz as coisas passarem, nada fica, por melhor ou pior que seja. você já sentiu o vento na face? ele nunca está, sempre vai, vai em frente, talvez saiba o que deve ser feito e vai. resolvi tomar um pouco deste vento e trazer aqui pra dentro. resolvi mudar algumas coisas que podem ser mudadas e deixar pra lá as que por enquanto, não podem. tenho me inspirado em outras pessoas, que tem problemas semelhantes aos meus, tenho visto semelhanças e me deixado dar o primeiro passo pra um outro lugar, onde certas coisas talvez não importem mais, não da forma que sempre me importaram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2178305249091116121?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2178305249091116121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2178305249091116121' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2178305249091116121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2178305249091116121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/08/hoje-por-hoje-hoje.html' title='hoje, por hoje, hoje...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-9010791656564458859</id><published>2010-07-27T20:27:00.002-03:00</published><updated>2010-07-27T20:42:28.201-03:00</updated><title type='text'>eu nunca serei como vocês...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;tem dias que isso não me incomoda, não quero me amoldar. mas tem dias que quero, quero muito, com todas as letras, com todas as carnes expostas, dispostas a ser o que todo mundo é, simples e complexo do jeito que as pessoas são, com mais qualidades do que defeitos, com mais vontade do que desgosto, com cabelos lisos e brilhantes, com pouca quase nenhuma celulite, com uma caixa cheia de remédios que curam tudo, com um amor que me espera e outro que me deseja. tem dias que quero ser comercial, quero ser televisiva, quero a mentira deslavada, desalmada, desarmada das coisas reais. tem dias que olhar no espelho não ajuda, quero minha pele passada pelo fotoshop. quero que todas as roupas fiquem boas, quero levar cantada em todas as obras, das literárias as concretas. quero o que todo mundo quer em alguns dias. nos outros eu posso pensar, posso escrever, posso olhar pra dentro, posso ser diferente, ter na cara uma ou duas espinhas. nos outros, mas não hoje. hoje não. só hoje, que pode ser amanhã ou depois, surge essa vontade de ser o que os outros esperam de mim, o que minha mãe sempre quis e o que meu pai ia aprovar sem nem pestanejar. surge de um fundo que eu nem sabia que estava ali essa vontade, que não dá pra sulfixar em zinha, que não dá nem ao menos pra aguentar. que não dá, que tira. e se eu chorar. não tem lágrima que vá lavar uma vontade tão deslavada. e se eu gritar. não tem grito que vá expressar uma vontade tão sem palavra. e se... se e somente se. não há fadas, não há coisas mágicas, não há nada que possa acontecer num click que vá mudar, agora!, o que sou. e isso deveria me bastar. mas não hoje, hoje nada me basta. hoje quero fugir de mim, ser o que nunca serei, porque talvez não seja dessa massa que eu seja feita, porque talvez eu nem saiba o que sou. mas hoje... faltam poucas horas. vá para o banheiro e veja se acha alguma coisa naquela sua caixa que não cura tudo, mas tem alguma coisa. passe uma massa corrida na cara e durma maquiada. tome um drink forte. tire umas fotos "caseiras". sorria na frente do espelho. coloque um "pretinho" básico, um cinta. faltam pouca horas, continue. minta. finja!!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-9010791656564458859?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/9010791656564458859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=9010791656564458859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/9010791656564458859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/9010791656564458859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/07/eu-nunca-serei-como-voces.html' title='eu nunca serei como vocês...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-6513084946318994401</id><published>2010-07-18T21:21:00.003-03:00</published><updated>2010-07-18T21:32:19.799-03:00</updated><title type='text'>AO HOMEM PIANO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;há dias em que queremos esquecer. desde a dor, até o desengano, a falsidade, a traição. há dias em que o que mais queremos é poder apagar o que de ruim nos aconteceu. mas o que há e houve de bom, quem quer apagar? quem quer &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;deletar&lt;/span&gt; da memória quem são as pessoas que nos rodeiam, quem foram os que não estão mais, as coisas que nos aconteceram, quem somos afinal? quem quer ter todos os arquivos da memória esvaziados, sem opção de escolha de quais devem ir e quais devem ficar. escrever num papel e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;liquidificar&lt;/span&gt; num aparelho que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;liquidifica&lt;/span&gt;-a-dor não me fez esquecer, fez lembrar ainda mais, acender a dor de uma memória que não deveria existir. mas e se ela não existisse, quais seriam as minhas balizas? como seria vida se nos fosse dado a chance de guardar só o que queremos, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;seletivar&lt;/span&gt;. já não são de todo verdade as que guardamos. mas e se não &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;tivessemos&lt;/span&gt; o que recordar. fica a sensação de que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;iriamos&lt;/span&gt; querer desde as piores pra ver se delas as melhores retornariam. fica a sensação de que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;iriamos&lt;/span&gt; forçar a mente até lembrar. acordar de manhã e ver no seu próprio rosto alguém que você não conhece, não reconhece. olhar para o lado e ver alguém que te olha com ternura e não saber de onde ela vem. o que eu quero esquecer? o que eu quero lembrar? o que eu quero? são as perguntas que ficam. ficam ressoando dentro de mim como um piano. e se a cada tecla uma memória fosse apagada, que melodia você iria querer tocar? e se a cada tecla uma memória fosse lembrada, que melodia você ia querer escutar? ao homem piano, obrigada por tocar a melodia que hoje eu queria ouvir...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-6513084946318994401?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/6513084946318994401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=6513084946318994401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/6513084946318994401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/6513084946318994401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/07/ao-homem-piano.html' title='AO HOMEM PIANO'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3739895981014114605</id><published>2010-07-18T21:00:00.002-03:00</published><updated>2010-07-18T21:20:47.172-03:00</updated><title type='text'>pedaços de um todo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pedaços de papel, uns recortes. desde aquele dia viva assim, recortando e colando, escrevendo e apagando. tinha essa possibilidade. inúmeras. todos os dias reconstruia uma parte do que fora perdido. todos os dias tinha o prazer de reescrever a sua história em um caderno. desde aquele dia em que resolvera viver. desde aquele dia em que o que lhe era essencial havia escapado por algum lugar aberto que ele jamais soube onde ficava. desde então percebeu que haviam possibilidades, propostas não para fazer o futuro, mas para refazer seu passado. desde que pensou que fosse enlouquecer da dor vazia de não saber onde estavam os "seus", o que lhe doía e o que lhe agradava, desde que não soube nome, endereço, telefone, quem eram esses ou aqueles, quem havia lhe cumprimentado, a idade, o dia, mês e ano. desde então passou a criar. recriar em páginas brancas as que já deveriam estar amareladas. pegou daquela notícia o dia em que nasceu. daquela foto a mãe. do filme o pai. do encontro casual no elevador a primeira namorada. inventou o motivo pro corte na testa, o do joelho. construiu dores, alegrias, lembrou do gosto e cheiro das coisas, rememorou na imaginação sua vida. recortou e colou inúmeras páginas, tapou buracos, pedacinhos dos mais escondidos. mas em todas as letras coladas, as únicas que se fixavam ao papel era V, A, Z, I, O. sempre na mesma ordem, sempre formando a palavra que ele bem sabia o que queria dizer, o que queria gritar. queria poder se recortar, se colar num outro momento, num outro lugar e tapar o buraco por onde elas havia fugido, por onde haviam escapado suas memórias. e por onde passava o que via eram possibilidades. as de ser, de fazer, de ser. não que não fosse, era. mas queria poder ter sido. do borrão para frente. em frente. havia dias em que se via feliz, crendo nas suas montagens. embarcava na vida que poderia ter sido. mas havia aqueles, em que acordar era a dor de não saber, de não ter, de não ser, mesmo que todos afirmassem que era. havia dias ruins como estes, em que ele não acreditava que palavras juntas, coladas em umas folhas quaisquer pudessem formar mais do que aquela palavra que teimava em não querer lembrar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3739895981014114605?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3739895981014114605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3739895981014114605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3739895981014114605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3739895981014114605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/07/pedacos-de-um-todo.html' title='pedaços de um todo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2333013649462955417</id><published>2010-07-18T20:15:00.000-03:00</published><updated>2010-07-18T21:00:09.760-03:00</updated><title type='text'>minhas imemórias...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;acordou, olhou no espelho e não se reconheceu. não que estivesse velho demais, não que estivesse acabado, mal dormido, não que estivesse. não estava. eram traços que não reconhecia. era alguém que a sua memória não recordava. rodou à esmo, revendo fotos que nada diziam, lendo bilhetes e cartões que não recordavam mais do que palavras, palavras avulsas das quais nunca havia ouvido falar. abriu portas, janelas, guarda-roupas, guarda-coisas, porta-trecos, não havia nenhum lugar que pudesse abrir e ver guardadas suas memórias, suas lembranças. era alguém que no momento presente não era. sem passado. passado para trás por sua mente, que numa noite ou num dia, não sabia ao certo, havia apagado tudo, esvaziado as gavetas, queimado os arquivos, sem lhe pedir licença, sem permissão. agora caminhava ladeira acima, ladeira abaixo, atravessava ruas, lia as placas. palavras. comia, bebia, tomava banho todos os dias, trocava de roupa, andava, pensava, falava. nada disso havia esquecido. necessidades básicas. prioridades. se tivesse um diário, se tivesse escrito um livro, se. não. nada. se o céu estava azul, se o céu ficou nublado. nada. saiu sol. parou de chover. somente o que há e nada mais. laranjas podem ser doces ou azedas. só. algodão doce é sempre doce. só. café quente. só. cheiro. só. sabor. só. só. e só. nada lhe levava dali, nada o tirava dali. espremeu fundo os miolos, corrompeu cada pedaço do seu cerne, cavou, cavucou, cutucou com todas as varas que pode, vestiu todas as roupas do armário, andou por todos os cômodos, olhou por todas as janelas. em nenhuma delas estava o que procurava. em nenhum lugar, nem dentro, nem fora. aquele ele que ele deveria conhecer havia partido, se partido sem deixar pedaço que pudesse colar, colocar no lugar do que não mais ali estava. abriu a porta que dava para a rua, correu pra cima e pra baixo, gritou. gritou. gritou. gritou. a voz. estava. andou sem rumo, sem verdade nenhuma, sem novidade pra contar. desesperou-se, olhou na cara das pessoas, uma por uma, uma à uma, uma e outra. abraçou aquela ali, essa aqui, abraçou todas. quentes, frios, gelados. e nada. não havia o que esperar. nem dos mais cálidos, nem do mais severos. não havia mais o que esperar. voltou a mesma porta. entrou e fechou-a com uma certeza diferente das que tinha, não tinha até ali. fechou as janelas, as cortinas, as palavras pra dentro do peito estraçalhado. desejou o que quis esquecer. desejou as que o teriam matado tempos atrás. desejou. apagou as luzes. apagou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2333013649462955417?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2333013649462955417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2333013649462955417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2333013649462955417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2333013649462955417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/07/minhas-imemorias.html' title='minhas imemórias...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-8421409410203697697</id><published>2010-07-13T23:47:00.002-03:00</published><updated>2010-07-14T00:23:13.192-03:00</updated><title type='text'>mundo cão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;dia do cão. vou ficar por aqui um pouco, descansar. passei o dia todo andando, andando de um lado para o outro. eu praticamente sempre faço isso. espera um pouco ai, meu chapa, espera um pouco que já damos jeito nisso. hoje o movimento tá fraco. o bicho tá pegando pro meu lado. tem dias que eu não paro, faço as três quadras bem rapidinho, caso contrário não dou conta. mas nem tudo é fácil, nem tudo é tão simples quanto parece, meu irmão. tem uns que nem me ouvem, é o famoso "o cão late enquanto a caravana passa". eu ali, latindo e eles lá, passando. mas eu faço a minha parte, que não é pequena, que não é pouca coisa não. pensa que é bom ficar de quatro o dia todo. mas é assim que as coisas são, uns ficam de três, outros de dois e outros de quatro. queria ver se fosse você. puta, uma fome do caralho. puta, que fome. foda ter que ficar pedindo comida, isso é foda. preferia poder me virar de um outro jeito, mas até que tá dando certo. melhor do que, bom, sei lá. vamos deixar como tá pra ver como é que fica. três quadras, é simples. três quadras pequenas e uma bem pertinho da outra e tá tudo resolvido. obrigado. obrigado. senhor, por favor! obrigado. o. b. r. i. g. a. d. o!!! mas também, tanto faz obrigado, vai se fuder ou salve o senhor. eles são assim, indiferentes, individualistas. no máximo um que "bunitinho". que "bunitinho" não enche barriga de ninguém. tenho que me virar. fazer essa cara de cachorro que caiu da mudança e o escambal. que merda, caiu no chão, que merda. fazer o que. vamos lá, mais uma quadra, mais uma, mais uma. e que se danem os outros e o papo de corporativismo. é o que se tem por aqui. aliás, é a única coisa que há por aqui. eu não estou traindo meus companheiros, não estou. é só uma questão de sobrevivência. e depois eu falo em inglês que não ofende tanto., digo hot-dogue! mas eles dizem que é cachorrada minha. que merda! mas deixa eles ficarem dois-três dias sem comer, deixa a barriga roncar que nem trator. vão comer o próprio rabo salivando!! que merda. mas deixa eu ir, deixa de conversa fiada. tem um grupo grande chegando e eles sempre são bons comigo. e tem até criança no meio, criança é bom, você faz alguma gracinha, abana o rabinho e eles já se perdem e derrubam alguma coisa grande no chão. criança é melhor. fui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-8421409410203697697?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/8421409410203697697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=8421409410203697697' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8421409410203697697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8421409410203697697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/07/mundo-cao.html' title='mundo cão'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-9061619163020990768</id><published>2010-07-08T18:18:00.002-03:00</published><updated>2010-07-08T19:44:25.862-03:00</updated><title type='text'>ONDE SE ESCONDE A VERGONHA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ANDAVA sozinha pelo parque. ofegante, encalorada. bolsinha bem pequena, à tira-colo, dentro batom vermelhinho brilhoso, moedas de baixo valor, telefones anotados em papéizinhos. pra lá e pra cá, como peixe na corrente. gostava mesmo de ficar perto da cachoeira artificial, não se importava com esse tipo de artificialidade. aquele barulho ensurdecedor a levava para um outro lugar, um lugar chamado pelúcia, onde tudo era quente e macio. gostava do quente e macio, se sentia bem neste lugar, se levava para lá constantemente. sentiu a presença do outro, sentiu-se tentada a olhar e olhou. a única coisa que viu foram suas mãos, próximas do meio, segurando o tal de leve. aguou-lhe a boca. desejou. estava acostumada, mas desejou. sorriu desajeitada. mostrou os dentes pouco limpos, não alinhados, normais. procurou rapidamente um canto mais deslocado. insinuou a intenção e partiu. ainda lhe restava resquício de vergonha. chegou depressa, abaixou-se escondidinha, querendo diminuir a volúpia. tomou-o das mãos do outro num movimento de ampla destreza. abriu a boca, dando jeito de recolher os dentes, desnecessários. chupou com toda saliva inclusa, chupou em ó, em ú, quis fazê-lo em todas as vogais. tinha pressa, lembrou-se. viu o tempo escorrer por entre os matos secos e empoeirados. e ele ali, sem entender muito, mas olhando. chupou e mordeu ao mesmo tempo, tinha pressa. a boca se encheu daquele gosto vermelhinho que ela sabia decor. escorreu o liquido pelos cantos, ela aparou com os dedos. viu o fim próximo. levantou com a "dificuldade" do desequilíbrio imposto pelo sedentarismo diário. estralaram ao mesmo tempo coluna e joelhos. olhou furtiva para os lados. arrumo-se toda. restava-lhe algum pudor e pouca quase nenhuma vergonha. não costumava fazê-lo em público, mas sabia que não suportaria a vontade, mais tarde não se perdoaria se não tivesse feito. caminhou olhando para os lados. ajeitou-se mais um pouco, ficou com a impressão de um batom não proposital. passou a mão copiosamente pela boca, até deixa-la verdadeiramente vermelha. olhou para os lados uma dúzia de vezes e largou na lixeira, como quem não quer nada, o palitinho de sorvete, lambuzado, o detrito de seu pecado. caminhou sem medo. sem provas, sem culpa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-9061619163020990768?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/9061619163020990768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=9061619163020990768' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/9061619163020990768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/9061619163020990768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/07/onde-se-esconde-vergonha.html' title='ONDE SE ESCONDE A VERGONHA'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3971259121814890683</id><published>2010-07-01T23:22:00.002-03:00</published><updated>2010-07-02T20:52:09.225-03:00</updated><title type='text'>O FIM</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: right; font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ELE chega de viagem, malinha na mão, faceiro. abre a porta.&lt;br /&gt;ELA já lhe atira umas palavras: - TÁ TUDO ACABADO!&lt;br /&gt;ELE quase lacrimeja, tenta sem palavras argumentar. pensa, é inútil. com a mesma mão que fechou a porta volta a abri-la.&lt;br /&gt;ELA nem brava, nem contente: - não vai nem pestanejar?&lt;br /&gt;ELE abaixa a cabeça e sai.&lt;br /&gt;ELA, admirada, corre até a janela com o papelzinho na mão: - a lista, a lista... grita&lt;br /&gt;ELE baixa a cabeça mais ainda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3971259121814890683?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3971259121814890683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3971259121814890683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3971259121814890683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3971259121814890683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/07/o-fim.html' title='O FIM'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5699495206255593003</id><published>2010-06-22T07:08:00.002-03:00</published><updated>2010-06-22T08:23:24.144-03:00</updated><title type='text'>DE QUANDO VOEI MAIS ALTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255); font-weight: bold;"&gt;ela sempre se impressionava com o vôo dos pássaros, era coerente, era crível. eram tão pequenos, dotados de asas maiores que o próprio corpo. fazia todo sentido que voassem, bem alto, planando de vez em quando, libertos pelos céus afora. gostava de observá-los por horas, de imaginar o vento batendo na cara, no corpo, ter asas, abri-las e usá-las ao seu favor. era uma admiradora. gostaria de voar algum dia se fosse possível, mas com asas próprias. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255); font-weight: bold;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255); font-weight: bold;"&gt;com o passar do tempo voou, muitas vezes. ia dali pra cá, de cá pra lá. ia, voltava. a cada vez criava expectativas, frustradas. aquilo chacoalhava, tremia, fazia barulhos, dava trancos, não havia vento na cara, no corpo, não havia a tal libertação. mas a cada vez que levantava ou aterrissava cultivava um medo crescente. aquilo não deveria voar, era grande demais, pesado demais, barulhento demais, não deveria voar. e a cada uma delas mais e mais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255); font-weight: bold;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255); font-weight: bold;"&gt;mais um vôo, sentou na poltrona, afivelou o cinto, retirou do bolsão o encarte com as instruções de emergência, olhou bem onde ficavam as saídas. era tudo inútil pensava, quando cair, pronto, não há nada mais que possa ser feito, acabou. mas era precavida, lia, observava as instruções dos comissários, inclusive no fundo d'alma desejava que uma emergência acontecesse, mas não no ar, em solo, que o vôo fosse cancelado, que ela tivesse que ir de ônibus, carro, ou qualquer outro meio que não o ar. mas nada acontecia. aceitou a bala que lhe foi oferecida, adoçou a boca amarga pela ânsia de sair daquele lugar. aceitou a revista de bordo, mas não pode ler, devolveu. aceitou os fones de ouvido, gostava de música, isso sim a fazia voar. passeou pelos canais, escutou bons sambas-canção, cantou para dentro. zapeou um pouco mais e algo lhe chamou a atenção. apertou o ouvido pra entender melhor. ficou atenta. olhou para os lados pra ver se mais alguém escutava. apertou os botões de controle da poltrona e voltou ao mesmo canal, onde duas comissárias conversavam. falavam da vida, do próximo destino, das férias. da família que ficou, do filho que dormia. do uniforme apertado, do comissário novo, do aumento salarial que não vinha. ela ficou ali, olhando de quando em quando, pra ver se ninguém estava ouvindo que ela ouvia a conversa dos outros. esqueceu que estava sobre as nuvens, esqueceu que não deveria um avião daquele tamanho voar, esqueceu de tudo. se entreteve. se entreve muito, até que ouviu atravessar a conversa um chamado agoniado do comandante da aeronave. ele dizia que era uma emergência, código 974. as comissárias passaram rapidamente pelo corredor, foram perto da cabine e fecharam a cortina que dividia passageiros e tripulação, e lá dentro não se sabia de mais nada. ela olhou para o lado, alguns dormiam, outros liam, outros ainda conversavam. tudo ao redor passou a desfocar perante sua visão. abriu a janelinha, olhou para fora. olhou. deixou cair os fones. não pensou em grandes coisas. abriu o anel e sorveu todo o pequeno conteúdo de uma só vez. reclinou a poltrona, recolheu do colo o fone, colocou novamente nos ouvidos e soltou-se em vôo alto, o mais alto que já havia voado. tudo em câmera lenta. lá de longe, mais tão longe que seria impossível alcançar, ouviu novamente a voz do comandante, ele dizia às comissárias: emergência, código 974 pro co-piloto também, ele está morrendo de fome. descobriu que quando se voa como ela voou, não há como abortar, se vai cada vez mais alto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5699495206255593003?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5699495206255593003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5699495206255593003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5699495206255593003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5699495206255593003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/06/de-quando-voei-mais-alto.html' title='DE QUANDO VOEI MAIS ALTO'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3700640724966958870</id><published>2010-06-08T15:43:00.002-03:00</published><updated>2010-06-08T16:07:19.118-03:00</updated><title type='text'>NÃO TE AMO MAIS...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;que seja dito que sempre te amei, mesmo que a troca tenha sido pouca, mesmo que tenha sido via de uma mão só. mas mesmo assim te amei faz uns trinta anos, sempre te bem disse, sempre te acolhi, te absorvi, te desenhei em meus cadernos, recheados de corações pra ti. tirei fotos com você, quantas nem posso contar. te escrevi poemas, letras e mais letras, te escrevi. te amei muito mais do que poderia amar. mas você sempre fria, sempre dando a todos o que não dava pra mim. sempre ignorando a minha presença, soberba. com teus presentes aos outros filho, que nem de ti saíram. e eu num canto, aceitando de bom grado as migalhas que desde sempre aprendi a receber de ti, jogadas na minha cara, como maquiagem em noite de festa. assim me fiz. mas ultimamente as coisas mudaram, todos os dias acordamos e um dia desses resolvi também acordar. olhei pra ti e vi uma monstradisforme, que não tem nada de mim, que não me diz quem eu sou e que com quem nunca me pareci. e de lá pra cá as coisas tem ficado assim, insustentáveis, irreprogramáveis, irremediáveis. convivemos porque é preciso. estamos aqui, não é? convivemos porque é um mal necessário, desnecessário dizer que não é mais por ti que estou aqui. e cada vez mais difícil te engolir, remédio amargo que deve ser tomado à seco dia após dia. e venho amargando de lá pra cá, desde que resolvi te olhar na cara e dizer que NÃO TE AMO MAIS. que talvez fosse tudo mentira, que nem sei se ao menos algum dia te amei de verdade, te dizer que na verdade, só estou acostumada com você. que não suporto o teu jeito, as tuas sem-gracices, as mesmices, as rabugentices e tantas outras ices que tenho preguiça de descrever. não te amo e ponto final. e mesmo que chore e mesmo que grite e mesmo que venha me dizer que estou levando as coisas prum triste fim. mesmo assim eu volto a dizer, não sei se algum dia te amei, mas hoje, não te amo mais. e repetirei quantas vezes for necessário, quantas vezes puder e quiser. espalharei aos quatro ventos o mal que me fez. as mazelas que encontrei por tua conta, pelas vezes que me perdi e você nem ai. tenho mágoas encravadas no coração. tenho medo do que me transformei devido à sua supervisão, aos seus ensinamentos. eu não tenho vontade de falar com ninguém, não tenho vontade de sair de dentro de onde você me prendeu. não sei mais como é sorrir aberto, como é ter alguém que me gosta por perto. não sei. e tudo isso por que, porque tive que nascer de você. e peguei teu jeito e teu mal humor e peguei o teu jeito de vestir, de andar e de comer. porque me fechei no exemplo que tive e hoje aqui estou. sem rumo, sem amor. não te amo mais, não quero falar com ninguém e muito menos com você. e teu nome apaguei da minha lista, até da lista negra eu te apaguei, me desapeguei das coisas pequenas, me despeguei de você. e teu nome não quero mais em mim, o teu nome eu esqueci e daqui pra frente, não sei se vai ser diferente, mas pretendo te chamar só de CU. não mais o nome inteiro, já que aos pedaços me fez. daqui pra frente vou te ignorar, como sempre fizeste comigo. daqui pra frente, eis que aqui estou, despatriada, desaforada em uma cidade que nunca me amou...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3700640724966958870?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3700640724966958870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3700640724966958870' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3700640724966958870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3700640724966958870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/06/nao-te-amo-mais.html' title='NÃO TE AMO MAIS...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-509994750071371239</id><published>2010-06-07T11:13:00.002-03:00</published><updated>2010-06-07T11:30:08.668-03:00</updated><title type='text'>era um convite para trabalhar em um restaurante ou uma nave espacial ou não fazer nada...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;ele me veio com o convite, pra trabalhar em um restaurante. lavava todos os dias, de frio ou de calor, nos dias mornos, nos gelados, lavava, uma beleza, ele me viu, pela janela, passou de helicóptero, bem perto, rasante, me viu, lavava a louça de manhã bem cedo, todo os dias, jogou uma carta que era na verdade um convite, solene, letras douradas ou prateadas, dependia de onde se olhava, no convite dizia que eu estava sendo convidada pra lavar louças no seu luxuoso restaurante de uma comida caseira requentada, muito requintada. era chegar e lavar, sem afobação, sem drama, sem nada, nem detergente, nem esponja, sem nada. eu lavava a louça de casa, lavava todos os dias, de graça, sem graça, mas lavava. com convite, com letras brancas ou esverdeadas, papel fechado, selado. e acabei a lavação das que estavam na pia lá de casa, olhei no fundo, a água parada, não descia, não escoava pelo ralo onde me disseram um dia que era lugar de água escoada. tinha restos de comida e sonhos, os de nata. tinha restos de comida acumulada no fundo e não escoava. tenho nojo, eu respondi em papel timbrado. pena ter nascido tão pobre, não tem direito a nojo, não tem direito à nada, nasceu pobre ele me disse, não deveria ter nojo de comida restada. eu disse pra ela, menina pobre, pobre menina, não pode ter nojo, não de resto de comida e água. não podia ter nascido tão pobre, ele me disse. enriqueci numa sentada, da noite pro dia ganhei uma bolada e fiquei rica. continuei com o nojo, de comida, resto dele e água, caso precisasse sair dali depressa, caso precisasse de uma desculpa para largar aquele emprego e aceitar um que me fizesse rica da noite pro dia, caso precisasse aceitar emprego de lavadora de louças em restaurante ou cafézinho. cafézinho eu disse, prefiro trabalhar lavando louça em um cafézinho, tem pouca comida, quase nada. e lavei pratinho e colherinha e xicrinha e o resto de comida era tão pouco que era farelo, comidinha. terminava rápido, não que fosse esperta, não que os clientes fossem poucos, não que fosse rápida em lavar coisinhas, mas acabava rápido porque as naves da redondeza da praça quadrada eram apressadas, tinham seus horários, e eu, eu tinha que voltar pra casa. aceitei o convite pra trabalhar em uma nave espacial, todo dia, tinha que ser bem precisa, tinha que ter disciplina, mas eu tinha, tinha tudo, não precisava de mais nada. fiquei em casa, olhando o helicóptero que se aproximava e lançava tiros contra a minha janela e me acertava no peito e eu não respondia que sim e nem que não, ficava em casa. louça na pia esperando pra ser lavada, eu ficava em casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-509994750071371239?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/509994750071371239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=509994750071371239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/509994750071371239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/509994750071371239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/06/era-um-convite-para-trabalhar-em-um.html' title='era um convite para trabalhar em um restaurante ou uma nave espacial ou não fazer nada...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3001975030585033609</id><published>2010-05-31T12:37:00.002-03:00</published><updated>2010-05-31T13:00:40.180-03:00</updated><title type='text'>framboesas no jardim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;tinha ele e tinha ela. ele do lado de dentro. ela do lado de fora. tinha ele e ela. do lado de dentro ele andava de um lado para o outro, tirava um mato daqui, uma erva daninha dali, mexia na terra, sujava as mãos, suava e entrava no fim de tarde. do lado de fora tinha ela, andava de um lado para o outro, trabalhava por perto, caminhava do ponto de ônibus até a empresa, voltava na hora do almoço, na hora de ir embora. se olhavam de canto de olho, nunca nos olhos, nunca mais do que alguns segundos. não sabiam porque não se olhavam, mas não olhavam e era o que bastava. o que encantava ele era a liberdade que ela tinha, solta, mundo à fora. à ela encantavam as framboesas, presas na planta, vermelha, apetitosas e alegres. desejava estar ali dentro. desejava estar ali fora. não se olhavam. o tempo alheio a tudo isso, passava. ela passou e não viu mais framboesas e muito menos ele. passou vários dias, olhando, cuidando, buscando aquele rabo de olho. nem nada. depois de dias passou a não olhar mais. num desses, chegou em casa, dormiu e sonhou. no sonhos estava ele, olhando nos olhos, desinibido, liberado. sentado num banco, na divisa entre o dentro e o fora. ela sentou ao lado. olhou para dentro e viu as framboesas, milhares delas, se aglomerando. não consegui tirar os olhos. depois de uma conversa que ela sequer conseguia escutar, tomou um fôlego de coragem e disse, não consigo entender como uma pessoa não come as framboesas do próprio jardim! ele, olhando ao redor, admirado, que jardim, que framboesas? todos os dias tenho que tirar essas milhares de erva daninhas que se acotovelam por ai. preferia a liberdade que você tem. espantada ela retruca, TRABALHO, minha prisão de todos os dias! eram janelas tão diversas, que seriam incompatíveis num mesmo mundo...&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;numa mesma época...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3001975030585033609?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3001975030585033609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3001975030585033609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3001975030585033609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3001975030585033609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/05/framboesas-no-jardim.html' title='framboesas no jardim'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5325567847204231979</id><published>2010-05-12T16:26:00.003-03:00</published><updated>2010-05-12T17:07:27.240-03:00</updated><title type='text'>CIÚME, DE VOCÊ...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;No rádio, "mais é ciúme, ciúme de você...", ela ouvia calada, não estava tão assim para cantar. 15 dias que ele não aparecia em casa. estava cansada. cansada de ter que subir na boleia pra poder passar horas junto. pra ter alguma coisa pra dividir. ter o assunto, ter o que contar e o que ouvir. de começo adorava, tudo era melhor, lembrava. o cheiro, o calor, a companhia, os assuntos, as novidades, as cotidianices. gostava de tudo o que estava dentro. se sentia parte do todo. depois ficou cansada. estresse, dizia. rotina estressante. excesso de cobrança, excesso de trabalho, falta de paciência, falta de infra estrutura. reclamações, uma atrás da outra. e mais delas, e outras. todas sempre parecendo a mesma. deixou de ir. gostava de estar ao lado, gostava do que fazia, mas deixou. voltou a rotina doméstica. casa, comida, roupas lavadas, pó dos móveis, roupa passada. voltava de pouco em pouco trocar as coisas da mala. despejava sobre a cama, de lençóis bem limpos e passados, nem ligava, depositava a roupa suja, fedida, poeira, suor, falta de banho. ela recolhia e colocava no cesto, tão simples. recheava com coisas limpas e bem passadas. não ligava. se colocasse esterco, de certo dava na mesma. mas ela elegera essa vida, fazia porque gostava. ela vivia entre o passado e o futuro. fazia planos, que se desfaziam com o presente. ausente. relembrava. quando começaram, ela botou até apelido nele. TIDINHO. gostava mesmo do cheiro, da textura, até o ronco. mas depois se afastou, já não tinha mais intimidade. era um estranho conhecido. dos 15 foram 2o, dos 20 para um mês fechado. depois a cada dois, cada três, quatro, subia de um por um. e depois dos cinco parou de contar. vinha de vez em quando. mas também já não fazia diferença. ela estava, impreterivelmente sozinha. e depois de tudo, como se já não bastasse, deu de fazer entrega meio perto. não dormia em casa quase nunca, mas vinha dias pro almoço, outros pro jantar, outro prum lanche, outro só para assistir ao jornal ou um jogo de futebol. o dinheiro estava entrando, dizia. chamavam a qualquer hora. e ele ia. satisfeito. seu trabalho, seu ofício. se sentia valorizado, de certo. virou um borrão na casa. cozinha, banheiro, quarto, cama, sofá, porta, porta, porta, porta. GARAGEM. lá era certo. estava quase sempre por lá. e a coisa foi indo, se arrastando. ela não fazia menção de briga ou qualquer tipo de reclamação. e o tempo. tempo e mais tempo. um dia o viu velho, gasto. ela não se via assim. ele passou a dormir na garagem. pensava que poderia ser chamado a qualquer momento. o serviço era eficiente e tão procurado porque era rápido. não queria ter que levantar, trocar de roupa, sair, fechar a porta, ligar o motor e só então sair. dormia dentro do veiculo. dali dava partida e se arrancava. começou a implicar com coisas que não faziam sentido. ela começou fazendo pouco caso. e aumento. dos dois lados. briga todo dia. na hora da novela. na hora do noticiário. briga por cima de briga, já não sabiam mais porque brigavam. chegou dia que não se suportavam. os vizinhos reclamavam, as brigas não tinham hora, incomdavam. ela sentou na mesa, sorveu um longo gole de café amargo e preto. procurou onde estava o conhecido. não encontrou, não tão rapidamente. molhou a boca novamente. tenho ciúme. ele na geladeira, fuçando. ci-ú-me. ele pegou copo, encheu de suco, sentou na mesa. entendo. antes era mais fácil, melhor, mais bonito, cheiro bom. depois a vida na estrada, pra lá e pra cá. sofrido, mais digno. depois só me lembro de ciúme. ciúme desses que torna as coisas impossíveis. ele coçou a cabeça, tomou gole. pensou bem na palavra, que não vinha. não queria que fosse desse jeito, tinha planos, futuro. tinha vontade de ficar, de ser como era pra ser, mas não tem jeito. deu suspiro, deram. é ciúme a minha doença. me corrompe. é o que tenho no momento. ele quase falou. ajeitou os cabelos que restavam no topo da cabeça. escolhi ficar com ele. pulou na mesa. susto, raiva, dor de barriga. ele? era o que restava aos que estava fora por muito tempo, um outro, o tal "ele". nem nome tinha, assim como já deveria ter esquecido o dele. quero que você vá embora, vou ficar com o tidinho. desentendimento. dos puros, dos breves. com o tidinho? é dele que tenho ciúme, meu filho postiço, meu amor, minha vida. quero estar na boleia todo dia, dormir ali dentro. nós, não faz mais sentido, pega a casa, o dinheiro no banco, compra outro. quero o tidinho. ele não soube se o tempo parou ali mesmo ou mais adiante. borrão. era tudo.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5325567847204231979?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5325567847204231979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5325567847204231979' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5325567847204231979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5325567847204231979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/05/ciume-de-voce.html' title='CIÚME, DE VOCÊ...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4530230216168130986</id><published>2010-05-10T14:41:00.002-03:00</published><updated>2010-05-10T14:56:37.107-03:00</updated><title type='text'>DEVIR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;a sensação de tudo dito, de tudo feito, de tudo sentido. o não sentido de tudo isso. quando o que se faz é comum à todos. todos já sentiram o que senti, todos já fizeram o que fiz e o que ainda vou fazer. a não suportância da rotina disfarçada em esboços de tentativas frustradas de fazer o que nunca foi feito, de dizer e escrever o que nunca foi dito. quando tudo o que há é só eco do que já esteve, do que já está, do que estará. se o mundo vai continuar é porque já continuou e se acabar, uma vez lá trás já acabou. e se repetem as coisas e as pessoas se imitam e se refletem e se copiam e se fazem de descobridores de um nada. já está tudo descoberto. não faz sentido viver o presente, não hoje, não o hoje. não faz sentido o tempo, todo tempo, nenhum tempo. são só as coisas se repetindo, repetidamente. a descoberta, repito, não descobre o que, não revela, só aponta o que já existe. e nem as lágrimas são novas, já foram lágrimas, ou mijo, ou escarro, ou rio, em outro lugar, ou nesse mesmo lugar. e tudo o que tenho não é meu e nunca será. e quando perco essas coisas que nem minhas são, onde me encontro. se não há pegadas pelo caminho, num chão que não se permite marcar. se não há avanço. se não há. o que há então? teorias de que é possível, teorias que nos fazem achar que é diferente o que não é e não será. todos somos ecos de um mesmo grito, que não me faz tanto sentido em dias assim. ecos soltos pelo vento que carrega as mesmas coisas de lá pra cá. de cá pra lá. é o ônus de ser terra redonda, de não ter fim, de não ter começo, não ter meio, de ser assim, sempre volta, que não se sabe se primeira ou última. só volta. que volta. que volta. que volta a volver. repete-se esse post, dentro de uns outros que já viram o que vejo agora. num outro papel, numa outra tela, em um outro ou nesse mesmo lugar. são só pensamentos e o devir. que já veio e irá voltar. volta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4530230216168130986?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4530230216168130986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4530230216168130986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4530230216168130986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4530230216168130986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/05/devir.html' title='DEVIR'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5603362186015517407</id><published>2010-04-26T20:01:00.002-03:00</published><updated>2010-04-26T20:36:34.037-03:00</updated><title type='text'>SÉRIE PERSONAGENS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;MARIA DE LOURDES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;mulher, 28 anos, tem o andar cansado de uma pata, usa óculos de grau forte, sempre arruma a armação no rosto. não tem muitos pudores ou vaidades. prefere beliscar doces ao invés de comer outros alimentos. acredita no amor de Deus e dos seres humanos. mora quase sozinha e tem, a cada semana, um número maior de cães em sua casa, com os quais conversa diariamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;JENYFHER&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;mulher, 18 anos, tem dois filhos e um corpo marcado por três gestações precoces e próximas. cabelos vermelho-alaranjados, sempre com dois dedos de raiz. junta lacres de latinhas de refrigerante, acredita que dentro em breve conseguirá trocá-los por uma boa quantia de dinheiro. é o seu ouro branco. quando criança passou fome e morava em uma grande favela. hoje mora em uma "invasão" próxima a bairros nobres. trabalha como diarista. sonha mudar de vida. nenhum dos filhos conhece o pai.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;ESMAEL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;homem, 35 anos, cabelos ralos e pretos, olhos castanhos, faz barulhos com a boca quando come. bebe todos os dias em pouca quantidade e exagera nos festas e finais de semana. pensa desmedidamente em tudo o que vai falar, logo fala pouco. tem medo dos seus impulsos instintivos. tem na pele um cheiro constante de sabonete e nas mãos e boca o cheiro dos dois maços de cigarro que fuma desde o amanhecer até o momento em que se deita. nunca dorme mais do que duas horas por noite. tem tendências homossexuais e suicidas, briga contra isso olhando todas as mulheres que encontra com volúpia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;ALCEBIADES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;homem, 72 anos, casado, cabelos curtos, grisalhos, bigode branco. anda para cima e para baixo com uma capa de gabardine bege e um guarda-chuvas. lê o jornal todos os dias exatamente as 10 horas da manhã. sonha em um dia voltar para a Itália, terra de seus antepassados. odeia banhos, faz apenas uma vez na semana, aos sábados, depois de um ritual que consiste em colocar bermudas e regata, um roupão atoalhado por cima, uma toalha nos ombros, cantar a tarantela e tomar uma dose de pinga. quando bebe, chora com facilidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;IVO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;homem, 34 anos, corpulento, desempregado, cuida da filha de dois anos para que a mulher trabalhe. desempenha todas as funções domésticas com esmero. sempre usa camisetas velhas, bermudas jeans e chinelos. raspa a cabeça, não tem um dente da frente na arcada superior. quer trabalhar, vai a diversas entrevistas de emprego, mas sofre discriminação por sua aparência. aprende coisas com facilidade, a mesma com que desiste delas. não tem um bom relacionamento com seu pai. rói unhas até a carne. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;ARIEL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;rapaz, 16 anos, filho de pais separados, mora com a mãe. tem dúvidas sobre suas preferências sexuais, mas prefere uma atitude "gay", acha mais fashion. tem piercing, tatuagens, e só fala por gírias. se droga todos os dias, com os mais variados tipos de drogas. odeia cigarros de nicotina. beija todos os seus amigos na boca, dorme em casa apenas uma vez na semana. sua mãe apoio suas decisões e faz vista grossa as suas loucuras. joga na cara do ex-marido a responsabilidade pelas atitudes do filho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5603362186015517407?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5603362186015517407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5603362186015517407' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5603362186015517407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5603362186015517407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/04/serie-personagens.html' title='SÉRIE PERSONAGENS'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-1247724629630306320</id><published>2010-04-22T10:29:00.002-03:00</published><updated>2010-04-22T14:27:10.112-03:00</updated><title type='text'>VOA QUEM PODE VOAR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;ELA sempre ficava intrigada com uma porção de coisas. um dia cismou com os assentos flutuantes do avião. passou boa parte do vôo imaginando o que faria deles "flutuantes". depois de vários momentos observando e apalpando o assento, em busca de explicações, sentiu a necessidade de saber como funcionava. sabia que não poderia mais viver com a dúvida, e esse não era um dos mistérios com o qual queria conviver. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;desde pequena, a história que mais gostava era de ìcaro, o que queria voar. ela, apesar do medo congelante que sempre teve encalcado em si, também desejava, no fundo, voar como um pássaro. logo pensou, se voa o avião inteiro, não há dúvidas de que flutua o assento. articulou um plano. mediu delicadamente todos os detalhes. abriu a grande sacola que havia trazido, retirou tudo de dentro e colocou sob seu banco. esperou a aterrisagem. esperou o desembarque da maioria dos passageiros. olhou cuidadosamente para ver se não havia nenhum comissário de bordo próximo. colocou a bolsa no ombro, arrancou o assento flutuante e colocou dentro da sacola em apenas um movimento. correu para fora do avião o mais rápido que pode. saiu do aeroporto à passos de gigante. não quis ir direto para casa. tinha planos melhores. foi até o centro da cidade. subiu no edifício de 40 andares. olhou tudo lá de cima. a mão dormente com o peso da sacola. abriu a porta do terraço. deixou a bolsa e a sacola no chão. vestiu óculos escuros. sorriu. saudou ìcaro. amarrou o assento flutuante no ventre com seu cinto. num gritinho pulou lá de cima com os braços bem abertos. sentiu o vento forte no rosto. sorriu de novo, agora com todos os dentes expostos pelo excesso de ar. bateu asas. lá embaixo juntou um povinho pra ver o que estava acontecendo. viu o chão cada vez mais perto. procurou em vão, em seu assento flutuante, um botão que a levasse novamente ao alto. o chão estava em frente. voltou a abrir os braços, desafivelou o cinto. sabia que os vôos não duram para sempre, logo estaria ao lado de ícaro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-1247724629630306320?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/1247724629630306320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=1247724629630306320' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1247724629630306320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1247724629630306320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/04/voa-quem-pode-voar.html' title='VOA QUEM PODE VOAR'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-8130064677775371625</id><published>2010-04-19T13:26:00.002-03:00</published><updated>2010-04-19T13:52:36.682-03:00</updated><title type='text'>AO AMOR, MINHA IMEMÓRIAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;COM minhas sistoles e diastoles em suas mãos, ele me guiava por caminhos desconhecidos, que não voltei a percorrer sem tal pulsação. bastava saber que havia boa dose de verdade em todas as minhas mentiras. minhas imemórias, me refrescavam isso sempre que respirava o ar nostálgico das três da tarde.&lt;br /&gt;#&lt;br /&gt;COMO não falar de amor, de turbulência e de doces mentiras no último dia de um ano enrubrecido desde os primeiros ares. pois se não me traem minha imemórias, se minhas verdades repletas de toda sorte de cores não falham, resolvi, no derradeiro suspiro de 2009, escrever para afugentar o calor e a saudade que sempre me acomete nas badaladas das três. respiro com a dificuldade normal dos dias mais quentes e sinto na pele a transpiração úmida dos poros desesperados por arrefecimento. sentada defronte para a sombra de uma das grandes árvores, plantada antes mesmo de eu ser semente, senti numa inspiração o gosto, o cheiro e a cor de outro tempo, não mais o meu, um tempo de ninguém ou de todos. comecei a escrever na urgência de retratar e reparar desvios que o destino ignóbil havia feito em meu destino e depois de algumas varias folhas rasgadas e arremessadas a desesperança, sob o vento verdadeiramente mentiroso de um ventilador, resolvi apenas lembrar, com todas as particularidades, o que fosse possível, sobre os amores que vivi.&lt;br /&gt;passei e passeei por tentativas, mentiras, verdades nuas e cruas demais, dores, ousadias, lembranças das mais simples às mais ricas, passei pelos detalhes esquecidos, tentando rever as horas para saber em qual delas havia perdido tanto. criei toda uma lógica, uma técnica para falar do amor que vivi. uma cadência de acontecimentos em ordem histórica, coerente, prudente e desprovida de mentiras fáceis e insuportáveis. enjambrei o enredo, de modo que pudesse ser compreendido pelos que viveram tais desventuras e pelos que sequer souberam que existiu. ao fim, na releitura vital dos "escrivinhadores", me deparei com um objeto lindo, porém coberto de tantas demãos de laca, que ficou impossível descobrir o que fora aquilo. ao fim, ficava impossível recordar, numa sequência lógica e real, as verdades do amor.&lt;br /&gt;resolvi alimentar o fogo que ainda queimava na ponta da minha caneta, com as páginas já escritas e rememorar tal qual é o amor vivido. com a lógica própria dos apaixonados, que se faz clara somente aos que já padeceram dos tremores e calafrios de uma febre sem fim, numa cama que arde e queima no mais rigoroso inverno. uma doença da qual nunca se soube da cura, mas que se vacina com gotas que ao invés de serem pingadas, saem dos cantos dos olhos de quem já amou.&lt;br /&gt;##&lt;br /&gt;nada como uma boa mentira! um calor que faz suar até nos cabelos mais escondidos, e eu na frente de umas hélices de plástico, ligada numa tomada e que faz um vento deslavadamente mentiroso, mas que refresca com uma verdade que nem o mais cético duvidaria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-8130064677775371625?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/8130064677775371625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=8130064677775371625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8130064677775371625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/8130064677775371625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/04/ao-amor-minha-imemorias.html' title='AO AMOR, MINHA IMEMÓRIAS'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4091480898533111207</id><published>2010-04-11T11:42:00.002-03:00</published><updated>2010-04-11T12:30:28.160-03:00</updated><title type='text'>a contadora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;moça sonhadora, dessas que dispensa horas por dia só para sonhos. ficava na janela, escorada, pensando, criando um mundo onde se encontrava, onde vivia. criava todos os detalhes, coloria à mão e ficava por lá algumas boas horas por dia. de tanto que inventava, inventou de contar as suas histórias a quem quisesse ouvir. contou uma ali, outra aqui, outra acolá. mas tinha uma dia por mês que ia num lugar, o que ela mais gostava, uma vez por mês ia na livraria, sentava na sala dos sonhos e contava suas histórias para as crianças de lá. sempre que era o dia da sua contação, ela chegava cedo, antes de se arrumar, de arrumar seu canto dos sonhos, ela passeava pela loja, passava a mão nos volumes, sonhava em poder ler todos. havia combinado com a dona da loja, uma senhora pequena e ágil, que receberia o pagamento por seus serviços em livros. a cada contação voltava para casa faceira, com o volume debaixo do braço. tinha o que fazer até o próximo encontro.&lt;br /&gt;estava formando uma pequena biblioteca em seu quarto, não podia ser muito grande, morava em um quartinho de pensão, daquele que só cama e criado mudo. pendurou umas prateleiras e lá colocava seus troféus. tinha dias que não lia, era econômica, tinha dias que deitava na cama e ficava olhando os livros enfileirados e aquilo já lhe bastava. noutros colocava todos sobre a cama e criava novas histórias olhando para as ilustrações das capas. era assim a sua vida, pequena, modesta, mas rica em cores e sonhos.&lt;br /&gt;saiu de casa com a sacola colorida feita pela tia, toda com retalhos, caminhou até o ponto de ônibus, e cada coisa que olhava reverberava em histórias dentro dela, nem todas eram escritas em cadernos ou contadas, tinha aquelas que ela criava para logo serem esquecidas. tinha aquelas histórinhas transitórias, que vinham, existiam e desapareciam. era seu combustível. entrou no ônibus já pensando na volta, no presente que traria da livraria da Dona Gertrudes. desceu, caminhou mais um pouco, era cedo, faltavam mais de três horas para contação do dia. entrou na loja, sorriu. passou pelas prateleiras de lançamentos, de técnicos, de estrangeiros, queria saber ler aquelas palavras diferentes, queria entendê-las, mas isso não era um problema, criava história sobre história, fosse a língua que fosse. sentou na pequena mesa redonda e passeou pelas páginas de um livro muito ilustrado, seus olhos se encheram. quando percebeu já estava quase atrasada pra colocar sua roupa e contar sua história. se arrumou, foi para seu cantinho, esperou o anúncio feito no microfone, as crianças juntaram nos pés da moça e ela sorriu num suspiro de começo. contou a história de uma princesinha muito diferente, uma princesa que não vivia num castelo e que não usava belos vestidos, ocultou o fato de que aquela princesa vivia dentro dela. descreveu  o príncipe cuidadosamente. acreditava realmente nisso. e lá no fundo, um moço, com carrinho de bêbe, olhando. acompanhou a história inteira com o bêbe dormindo no carrinho. ela só viu que ele estava lá, porque alguma coisa que ela disse, fez com que ele risse alto e a risada chamou a atenção de todos. ele ria e jogava a cabeça para trás, ele ria como uma criança. tinha uma feição de homem feito, mas volta e meia deixava escapar uma criancinha dali de dentro. ele ficou estampado em seus olhos. abraçou as crianças ao fim da história, arrumou seu canto e ele lá olhando. foi para o banheiro, tirou maquiagem e roupa, colocou dentro da sacola, se dirigiu até o caixa para receber seu livro, pagamento. e lá estava ele, parado por perto, olhando. ela sentiu-se envergonhada. colocou o livro dentro da sacola e saiu com passos rápidos apertados. ouvia o ruído da roda do carrinho perseguindo seus pés, não tinha coragem de olhar para trás. seguiu assim o caminho todo. entrou na pensão, fechou a porta, chegou a ter medo, não um medo definido, disso ou daquilo, mas um medo do desconhecido. colocou a sacola ao lado da cama e nem se dignou a olhar o livro. de roupa, deitada por cima da coberta, dura. ouvindo. e logo na janela o barulhinho de pedra sendo atirada, e mais uma e mais uma e uma dúzia delas. puxou a cortina de rendinha, olhou agaixada e lá estava ele, depois do muro, sacudindo a mão com um sorriso. ela sentou no chão e ficou ali a noite toda. cada vez que espiava pela janela, lá estava ele. ficou uma semana sem colocar o nariz pra fora da porta, mas quando saiu deu de cara com ele. foi até a padaria e lá estava ele, tomando uma cafézinho, disfarçando. depois de dias, resolveu conversar com ele, deveria ter alguma coisa a lhe dizer, criou histórias com isso. e se falaram sentados na pracinha, conversaram a tarde toda. era querido. era querida. e depois disso, todo dia se falavam, todo dia ele ia lá. levava coisinha, agradava, estava. descobriu a predileção dela por livro e passou a presenteá-la com vários deles. certo dia deu o melhor de todos, ilustrado, mas não escrito e ela escreveu ali a história deles. tirou a moça do quartinho, levou pra sua casa, que não era um castelo, era linda. tomava café na cama, sentavam juntos pra sonhar e inventar histórias. acompanhava nas contações de história e ficava lá, olhando como no primeiro dia. esperava no balcão ela pegar o livro e de noite lia pra ela. eram felizes. o tempo passava e passou. os cabelos dela começaram a tornar-se prateados. um dia ela acordou e deu de cara com ele lhe olhando, sentado no chão ao lado da cama. olhou nos seus olhos e viu a criança daquele dia. estava lá, escondido nos dentes, nos fios de cabelo, na pele, no todo. percebeu que havia cometido um erro. ficou em dúvida se deveria voltar no tempo. passou vários dias para tomar a penosa decisão. deveria começar a envelhecê-lo. o tempo também deveria passar dentro dos  contos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4091480898533111207?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4091480898533111207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4091480898533111207' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4091480898533111207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4091480898533111207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/04/contadora.html' title='a contadora'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2603658630730282051</id><published>2010-04-08T09:23:00.002-03:00</published><updated>2010-04-08T09:30:22.583-03:00</updated><title type='text'>POEMA ANTIGO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E QUASE NUM PEDIDO DE CLEMENCIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;MINHA ALMA PEDE ANISTIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;SE COUBER ATÉ ANESTESIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;PRA SUPORTAR UM CORAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;COMO ESTE QUE EM DERAM&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;QUE EMBARCA NOS QUE ESTÃO À DERIVA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;DERIVANDO MINHA VIDA NOUTRAS VIDAS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E DE SOSSEGO NÃO SE SABE MAIS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;QUE SUSPIRA NUM GEMIDO QUE ARDE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E A CADA RESPIRO O AR QUE INVADE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;CHEIRA AO PERFUME BARATO DA PAIXÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;QUE CIRCULA NO CORPO O CALOR&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;DESSES QUE NÃO SE REFRESCA COM VENTILADOR&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E ALMEJA VELHICE PRECOCE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;PRA VER SE GELA O CORAÇÃO PREDADOR&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2603658630730282051?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2603658630730282051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2603658630730282051' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2603658630730282051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2603658630730282051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/04/poema-antigo.html' title='POEMA ANTIGO'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' 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difícil de penetrar. e tão estranhas quanto eram para o mundo exterior, eram uma para outra. nem ao menos conseguiam se olhar, sem que isso gerasse um ruído, que somente as duas conseguiam perceber. uma passava dias observando a outra de longe, tentando descobrir o que reservava aquela geografia tão díspares. desconexões. comia, bebia, morava. mas nada disso fazia diferença. eram meros afazeres mecânicos para dar continuidade em algo que ela não entendia. cristiane tinha problemas não matemáticos para resolver. problemas que ela não sabia se havia criado ou se haviam criado para ela. cada vez mais adentrava. cada vez mais se desconectava. não acreditava nas coisas que pareciam óbvias ao demais, tinha dificuldade de se relacionar com a própria imagem refletida numa poça d'água. tinha dificuldade. naquela manhã de páscoa acordou cedo, não tinha plano pré-definidos, mas parecia que sabia que tinha que levantar com as galinhas. banho. água que escorre pelo corpo e corre para longe dali. você sabe onde a água do seu banho vai parar, ela pensou, sabe que ela leva parte de você pra algum lugar, ela disse. vestiu roupa, comum, era páscoa. roupa comum. pois coisinhas da filha na mochila que a menina carregaria nas costas. quem é essa menina, o que ela pensa, o que sente, onde irá daqui a pouco, ela disse em voz alta, enquanto fechava a janela dos fundos da casa duas peças de madeira. de chinelos. era perto a casa da mãe, almoço de domingo, de páscoa sem ovo, mas páscoa, mata frango, cozinha polenta, convida e aceita. era perto a casa da mãe, só atravessar a rodovia Br277. fogão de lenha aceso, a mãe espera a filha, as mães esperam os filhos mesmo que eles não venham, mães sempre esperam. porque as nuvens correm, elas não deveria ter pressa, divagou. fechou a porta da sala, pegou a menina, sem nome, só uma menina qualquer, pegou pela mão, obediente, saiu e fechou o portão. subiu pedacinho de terra. páscoa é dia de que mesmo, o que ovo tem com isso, engoliu. beirou a rodovia, sem movimento, domingo de páscoa de manhã. atravessou sem pressa a primeira via, vazia. vazio. a mãe do outro lado. fumaça saindo da chaminé pobrinha, improvisada. cheiro de mata atlântica, de café e roupa lavada com sabão de pedra e secada no sol. passou as pernas por cima do canteiro que divide quem vai e quem vem. esperou. percebeu com a ponta da sensibilidade. a mãe da mãe, mãe dela do outro lado sorriu. a neta, filha da filha olhou e pediu. a mãe-filha soltou a mão da filha-filha e a empurrou delicadamente em frente. a avó abriu os braços. cristiane olhou para o céu, ajoelhou, fez sinal da cruz e viu seu corpo eclodir da casca sob o impacto com o caminhão. entendeu o sentido de nascimento, do ovo. não precisou perguntar, simplesmente entendeu. era como ler um manual de como não deixar nada para trás ou quase nada. a água do banho, você sabe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3995939435139902872?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3995939435139902872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3995939435139902872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3995939435139902872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3995939435139902872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/04/manual-de-como-nao-deixar-nada-para.html' title='MANUAL DE COMO NÃO DEIXAR NADA PARA TRÁS, OU QUASE NADA.'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2491341952556513756</id><published>2010-03-27T00:10:00.002-03:00</published><updated>2010-03-27T00:34:13.203-03:00</updated><title type='text'>SOBRE O QUE HÁ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;ela estava na rua, parada. ele se aproximou em passos medidos por outro compasso. eles se olharam nos olhos como se pudessem existir olhares assim. sem palavra se abraçaram. demoraram. ficaram ali, sentindo o calor do outro, nem tão outro assim. sentindo o ar que um expirava para o outro respirar. depois da vida toda contida num pequeno espaço, a palavra que sai, quase sussurrada. só para que um possa ouvir. - é como se você fosse o meu mundo agora. e ele repete.    - é como se meu mundo fosse você. reaproximam as carnes, as peles, sentem os ossos querendo sair do corpo de cada um. permanecem. é preciso parar, ele diz. e ela, o start já foi dado, não há mais como parar. um suspiro. dois em um. a mão desce suavemente pelo ombro, passa braço, chega ao longo do próprio corpo. os passos seguem, lado à lado, num caminhar de quem sabe onde vai e chega. a chave gira na porta, os pés entram levando todo o corpo que quer ir.  ele abre a garrafa, pega copo, pedras de gelo deslizam, liquido escorre. segura com a esquerda, senta no sofá, acende o cigarro, fuma. ela parada perto da porta, agora fechada. ela parada começa lentamente a tirar as peças de roupa, desnecessárias ali. ele como frente à uma obra de arte, fuma, traga e sorri. bebe mais um gole, sacode os gelos com os dedos. toma outro gole e deixa o copo sobre a mesinha. caminha até ela. passa o dedo recém gelado pela nuca. sobem os pelos como se pudessem sair dali. oferece o cigarro. ela fuma. ele vai até as costas e conta todos os nós da coluna. sussurra. - W, R, X, O, V, B, E, F, R, T, O. ela mexe o pescoço vez em quando. ele mexe em seus cabelos soltos. vigorosamente. ela se vira e lhe beija a boca com a fome de quem passou dias sem comer. come a boca num beijo que poderia durar para sempre. desabotoa os botões da blusa dele. desabotoa e sussurra. - N, M, A, L, N, E, A. ele sorri. ela lhe devolve com beijos em seu peito nu. eles descem lentamente ao chão que os acolhe como semente. ele semeia nela o que há dentro dele. eles respiram aos pares. paredes e teto se tornam números e cores, letras e palavras começam a surgir. ele escreve no corpo dela o que poderia dizer, ela sente as palavras sendo gravadas e as repete ao vento. os dias se passam. passam-se os meses. ele pergunta: - o que você espera? e ela: - não mais do que há. e ele: - e o que haverá? - não mais do que há agora. ele lhe come as palavras assim que saem da boca. as escreve por dentro. acham que o tempo não voltará a correr nunca mais. mal sabem que o tempo não mais está. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2491341952556513756?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2491341952556513756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2491341952556513756' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2491341952556513756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2491341952556513756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/sobre-o-que-ha.html' title='SOBRE O QUE HÁ'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3780438949762208792</id><published>2010-03-25T15:29:00.002-03:00</published><updated>2010-03-25T16:02:14.825-03:00</updated><title type='text'>QUANTO TEMPO O TEMPO PODE DURAR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;não se podia dizer dela uma dona de casa comum, era mais do que comum, era um exemplo de lealdade ao que havia escolhido para sua vida. tinha verdadeiro prazer em realizar os afazeres domésticos. tinha prazer em saber que tudo funcionava bem graças à ela, que as roupas estavam limpinhas e passadas, que a comida estava feita e saborosa, que ninguém precisava se preocupar com nada ali dentro. era seu reinado, seu domínio sutil e delicado. os filhos e marido criados, não se preocupavam com uma virgula, tudo na mão, parecia um hotel de tão organizado. e ela não se queixava, quanto mais tinha para fazer, mais feliz ficava, sinal que precisavam dela, que era útil, dizia. mas um dia, no meio de uma das intermináveis faxinas, uma pontada no peito, que quase fez cair do banquinho. largou o pano e balde no chão e precisou de tempo pra voltar a respirar direito. passou o resto do dia com a lembrança física do acontecido. de noite, nem dormiu direito. preocupada. pensando como faria as coisas no dia seguinte. depois de uma semana com o peito latejando, decidiu ir ao médico. era nova ainda, mas não fazia exames há tempos. não dá tempo, disse pro doutor, tenha dois filhos, casa e marido pro senhor ver. e sorriu. o médico pediu uns exames e ela quieta. ninguém sabia que ela estava indo ao médico, fazendo exames. ninguém sabia que estava cuidando de si mesma, nem ela. sua preocupação era de não parar de ajeitar as coisas, de fazer a comidinha, de tirar o pó, lavar a roupa. e a pontada acompanhava, se ela ia, a pontada também, se ela vinha dava de encontro com seu peito, latejando, doendo. levou os exames pro médico, esperou o veredito. o doutor demorou um tempo, com os exames ali na mão. ela não estava certa de que estava doente, mas se estivesse, já tinha planejado, iria tentar conciliar o tratamento com os afazeres domésticos. não tinha medo da morte, tinha medo de ter que deixar os filhos e o marido na mão, desamparados. ela longe e o médico chamando. ela quase levou um susto. ele disse que não havia nada de errado, devia ser algum esforço excessivo, algum mal jeito. sua saúde era como a das mulheres de antigamente, poderia viver mais uns sessenta anos se continuasse assim. teve tempo de se orgulhar de ser uma mulher à moda antiga. ela respirou aliviada, nem doeu mais. saiu de lá feliz da vida, planejando as coisas que teria que colocar em ordem quando chegasse em casa. saiu do prédio e ao colocar o pé na calçada o peito ardeu de novo. ela quase teve um pressentimento, mas não tinha tempo, precisava ir rápido pra casa. parou na  beira da calçada, o coração doendo, olhou para os dos lados, não haviam carros. deu uma corridinha. não notou o corredor de gente do outro lado, aberto, as pessoas quase coladas nas paredes. abriu o peito dolorido e seguiu com passos decididos, tinha pressa. o médico havia dito que chegaria aos cem anos, como sua avó paterna. mas ainda assim tinha pressa, cem anos são daqui a sessenta, mas hoje ainda tem coisa pela frente. atravessou a rua que faltava da avenida, olhou para os dois lados, era precavida. olhou só para os dois lados. não percebeu o tumulto logo em frente. assalto à carro forte, bandido, vigilantes, troca de tiros. sentiu o ardido no peito mais forte e depois quente, escorrido. ouviu uns borbulhos bem lá longe. sentiu o chão contra seu corpo. tinha pressa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3780438949762208792?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3780438949762208792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3780438949762208792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3780438949762208792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3780438949762208792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/quanto-tempo-o-tempo-pode-durar.html' title='QUANTO TEMPO O TEMPO PODE DURAR'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-7088410910644154326</id><published>2010-03-17T10:45:00.003-03:00</published><updated>2010-03-25T16:05:34.767-03:00</updated><title type='text'>CHOVEU ENQUANTO EU DORMIA</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;Há dias seus olhos eram só umidade. o vento secava e lá vinham outras molhações. estava no mundo e não sabia que mundo era esse. não reconhecia as formalidades da vida. seus olhos não podiam ver como os demais, o que viam era diferente. tentava se comunicar, mas ao invés de comunicação as pessoas só viam apanhados de palavras e sons. passava semanas com os olhos escorridos. certo dia seus olhos perderam até a cor, de tantos rios que passaram por lá.  eles diziam que ela sofria de uma certa melancolia, ela não sabia o que era. mas sabia que dentro do peito ardia uma dor, que nem se sabia de onde vinha. foi ficando calada. descolorida. tolida por um mundo que ela não entendia. sendo agredida cada vez que respirava. foi fechando as portas e janelas. foi ficando cada vez mais, o menos que nunca quis ser. seus passos firmes foram se descolando. um dia, perdeu uma mala repleta de palavras, se perdeu. na manhã seguinte, acordou como num dia normal, pegou uma sacola plástica de mercado, separou algumas coisas que queria ter por perto. bem pouco coisa. foi ao espelho do banheiro e deu uma boa olhada, despediu-se com um breve chacoalhar de dedos. caminhou até a sala, saiu e deixou a porta aberta. não precisaria mais de chaves. pensou que seria bom ter alguma mão para segurar, na falta dela, levou uma luva entrelaçada nos dedos da esquerda. pegou o ônibus, sentou no fundo, olhou pela janela. guardou tudo em saco plástico. desceu no ponto final, caminhou umas quadras, nem com pressa, nem com lerdeza. avistou os grandes portões amarelos de ferro. avistou a placa que indicava a entrada.  andou sem olhar pra trás. adentrou ao local todo pintado de amarelo, das paredes ao teto. se encaminhou ao balcão de informações. perguntou sobre os procedimentos para entrada. mostrou o conteúdo da sacolinha. alguns pertences foram retirados, mas ela não ligou. uma outra mulher apareceu, era branco contra amarelo. tirou um grande molho de chaves do bolso e abriu uma porta depois da outra, num grande corredor. indicou com a mão a porta que ela deveria entrar, sem palavra ou som. melhor assim. ela entrou e viu tudo colorido. uns já vieram ao seu encontro. eram palavras e sons soltos pelo ar. ela as pegava com as pontas dos dedos e fazia brincadeiras em pleno ar. era bem vinda. aquele lugar era seu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-7088410910644154326?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/7088410910644154326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=7088410910644154326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7088410910644154326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7088410910644154326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/choveu-enquanto-eu-dormia.html' title='CHOVEU ENQUANTO EU DORMIA'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3966694649564681600</id><published>2010-03-17T10:08:00.002-03:00</published><updated>2010-03-17T10:15:44.474-03:00</updated><title type='text'>tristeza que dói...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;a dor física me preocupa, mas nem tanto, o que me preocupa é essa dor que dói e não se sabe onde. essa dor que não precisava acontecer, que não precisaríamos nem saber que existe. essa dor que talvez venha de uma tristeza, que dói como se alguma parte tivesse sido arrancada. e de fato foi. sempre que a tristeza vem, ao menos em mim, é porque alguma coisa se foi...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;por algumas poucas coisas, fiquei sem palavras, sem saber o que escrever. e hoje é assim. dia sem nuvem, sem céu, sem cor, sem palavra, sem frase. ainda não sei bem o que dizer, já que sentimento aqui dentro é uma confusão e uma dor... já que aqui é uma tristeza que dói e já não se sabe quando vai passar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3966694649564681600?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3966694649564681600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3966694649564681600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3966694649564681600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3966694649564681600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/tristeza-que-doi.html' title='tristeza que dói...'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-7316394372101977611</id><published>2010-03-13T16:14:00.002-03:00</published><updated>2010-03-13T17:16:02.511-03:00</updated><title type='text'>AS GAROTAS DO CARA DA BANDA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;estava cheio o bar, sempre cheio, não se respirava direito, não se sabia onde andavam os garçons, o banheiro nojento, a maioria dos clientes que vinha ali uma vez não voltava nunca mais, era longe de tudo o bar, tinha uma comida péssima e ainda por cima, volta e meia falhavam os equipamentos de som. mas parece que sempre tinha uma gente que não sabia disso, o mundo é grande ela pensava, e toda noite de sexta o bar era lotado até os bigodes. nas noites de sexta, ela que trabalhava o dia todo, todo dia, se dava ao luxo de aguentar o sono no sábado, para poder ir até lá. chegava cedo, era a primeira a entrar. de tanto que ia, conhecia os garçons, o dono do bar, os caras do som, as moças da limpeza, os seguranças e alguns poucos clientes que tinham coragem de voltar. tinha uma simpatia timida. se vestia de modo não chamativo, com calças compridas, blusas sem estampa, de cor discreta e poucas e pequenas bijuterias. seus cabelos chegavam soltos e eram amarrados num coque até o fim da noite, toda noite de sexta-feira. não bebi coisas de álcool, não comia fora de casa, tinha um estômago sensível, gostava de água mineral num copo com duas pedras de gelo e umas gotas de limão espremido, tomava duas todas as noites. fez as contas logo que começou a frequentar o lugar, e duas garrafas de água, mais a entrada, mais o táxi, era o que cabia em seu fraco orçamento. nos feriados ela estava lá, nos dias santos se houvesse show, nos dias de comemoração ou nos dias comuns. todos sabiam, não era o bar, era a música e talvez até um pouco mais do que a música. era ele. ele que tocava e cantava ao mesmo tempo, que tinha coordenação de fazer uma dançinha e ainda sorrir, que sabia todas as letras decor, e lia partituras, e estudava música e ganhava sua vida com isso e era alguém com quem ela sempre sonhou. não sonhava, de maneira alguma, que ele fosse seu, lhe servia olhar. servia saber que todas as sextas do mundo eram para o gracejo dos seus olhos. não que seus ouvidos não se felicitassem de estar lá, mas eram os olhos os mais agraciados. sabia dos jeitos, do que bebia, que não comia durante o show, só depois, sabia que tinha um pisca-pisca de olhos quando estava nervoso, sabia que cantava com microfone muito próximo a boca e que essa era um pouquinho torta, sabia que cheirava bem mesmo que suasse muito, sabia que lava os cabelos antes de ir pro show, que ia de carro, que gostava do que fazia, que era timido, que era perfeito para os seus olhos.  e todas as noites ela acompanhava, cantando todas as músicas, que não variavam muito com o passar do tempo. acompanhava tudo lá de cima, da sua sacada. gostava dos pieguismos, se sentia meio piegas. se senti julieta, na sacada e romeu cantava e cantava e cantava. volta e meia ela ganhava uns olhares. sabia que era ela e mais milhares ali em cima. umas de saias tão curtas que pareciam blusas, outras com seios à mostra, outra com tudo à mostra. sabia que não era nem de longe um exemplo dessa beleza que se compra nos bancas de revista. mas não se importava, o importante eram seus sonhos, sua imaginação. ele olhava e ela imaginava que era pra ela. não olhava para o lado, não queria conferir que talvez fosse espinho e não rosa. era piegas até no que imaginava, ali se dava ao luxo de pieguizar até o fundo. sorria pouco, mas sorria. dançava pouco, mas dançava. fazia tudo de pouquinho, mas fazia. não precisava dos excessos, dos exageros. deixava isso aos outros. os outros diziam que ela se contentava com as migalhas. mas ela acha até boas as migalhas, são mais crocantes dizia. mas não era arrogante, tudo o que dizia ou discordava, fazia pra dentro. não ofendia, não causava, não doía. e acima de tudo, gostava de ser assim. mais uma sexta e ela lá. no seu devido lugar. hoje era um dia atípico, feriado nacional. feriadão prolongado. mas ela não viajava, muito caro e perigoso. e depois trabalhava mesmo nos feriados. o bar vazio de começo, anunciando que permaneceria assim até o fim. menos calor, banheiros mais limpos, menos fila no caixa, garçons circulando, copos de vidro pra todos. pensou pra dentro. dançou com os pezinhos colados no chão, cantou todas as músicas. olho de canto de olho. ele olhou de novo. e de novo. e mais uma vez olhou. ela não sentiu cabelos batendo em seus braços a noite toda. não precisou conferir se era terra, planta ou flor. envergonhou-se do que estava fazendo. quis correr pra fora dali. terminou de tomar os últimos goles de água, sabia que o meio ambiente agradece. levou a garrafinha até o latão de lixo. desceu as escadas, virou a esquina para o caixa. levou um beijo de susto no meio da boca molhada de limão e água. não viu mais que um borrão. não viu mais nada. seus globos paralisaram num vácuo de imagens borradas. pagou a conta. foi até a porta, entregou para o segurança. saiu do bar. pegou o táxi, disse o endereço, confiou no motorista. estava perdida dentro do seu próprio mundo. chegou em casa, tomou banho. no tirar da roupa sentiu o cheiro. sentiu o outro. viu novamente os contornos. soltou um choro escuro, mudo e gritado pra dentro. entrou no box e lavou-se, lavou-se por fora. as pegadas dos seus pés molhados ficaram impressas no chão de madeira. desenhavam o caminho de quem não sabe onde ir. dormiu com cabelos, pele e olhos molhados. acordou cedo no outro dia, enxugou a cara, vestiu roupa e foi para o trabalho normalmente. se guiava pelos ouvidos, sabia de verso o caminho. esperou a sexta-feira. vestiu-se mais discreta do que nunca. chegou ainda mais cedo. subiu ao seu lugar. havia decorado quantos passos era preciso. pediu sua água, seu gelo e seu limão espremido. cantou as suas músicas bem baixinho. olhou nos olhos do moço. olhou fosco. terminou o último gole da segunda garrafa. quebrou a ponta do copo com uma suave batida no canto da mesa. retirou um caco. olhou por mais dois segundos. esperou que ele desfocasse. escorou-se na grade, esticou os dois braços. passou rente a dobra que divide mão e punho o caco de vidro. sentiu suas palavras guardadas escorrendo pelo rasgo. quando a moça lá de baixo sentiu escorrer um líquido em seu ombro, passou a mão e gritou. ela olhou ainda mais uma vez para o rapaz e fotografou tudo o que pode, cada fio de cabelo, cada detalhe. antes de fechar os olhos pensou que precisaria de muitas fotografias dali pra frente.&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-7316394372101977611?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/7316394372101977611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=7316394372101977611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7316394372101977611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7316394372101977611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/as-garotas-do-cara-da-banda.html' title='AS GAROTAS DO CARA DA BANDA'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-7581150052668767027</id><published>2010-03-11T15:11:00.002-03:00</published><updated>2010-03-11T16:33:28.211-03:00</updated><title type='text'>NADA MAIS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ELA ERA ASSIM, sem graça, sem fome, sem vida. não tinha muito do que reclamar e nem muito do que se alegrar. nada demais ela dizia a seu respeito e os que a conheciam repetiam o mesmo, nada mais dela. tinha uma casa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;compartilhada&lt;/span&gt; com os parentes, tinha um cama, um trabalho e um gato. nada mais. não gostava de tirar fotografia e nem de fazer amigos. amigos na verdade, não é que ela não gostasse, não sabia fazer amizades e quando as fazia, tinha dificuldade de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;mantê&lt;/span&gt;-las. mas não tinha problemas com isso. tinha uns cabelos nem lisos e nem enrolados, um corpo nem gordo, nem magro, não era nem &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;bonita&lt;/span&gt; e nem feia. uma pessoa e nada mais. outro dia pegou uma tosse seca, dessas que faz você não ter vontade de fazer nada, já que tudo o que faz lhe provoca essa tosse sem fim. essas que você tosse até quase vomitar e que deixa a garganta seca e áspera. andava de lá pra cá, sempre com uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;garrafinha&lt;/span&gt; na bolsa. umas balas no bolso. sabia que não era exagero, precisaria delas. de tanto que a tosse se prolongou a patroa dispensou a moça pra ir ao médico. e ela foi. o médico fez perguntas e ela respondeu. pediu alguns exames e fez uma &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;ausculta&lt;/span&gt; do peito. ela quase teve uma "vergonha". depois de tudo o médico lhe perguntou se ela já havia tido tuberculose. ela disse que nem sabia o que era aquilo. ele disse que devido as condições que ela relatou de moradia e saúde, poderia estar com uma doença grave. um sorriso brotou no canto do olho. a boca estava virada para baixo em sinal de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;estarrecimento&lt;/span&gt;, mas os olhos brilhavam. seu interior maquinava algo que ela ainda não podia atinar. o médico recomendou pressa nos exames. ela saiu de lá com muitos papéis na mão e nada mais. caminhou pela rua olhando nos olhos das pessoas. parou numa praça ali perto, sentou no banco e ficou horas. nessas tantas horas se pois a pensar e emergiu enfim o que havia por dentro. estava lá a razão para aquele sorriso. ela estava feliz, alegre e plena. estava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;experimentando&lt;/span&gt; algo que nunca sentira antes. era bom sentir-se assim. amava aquele papéis. mal podia esperar a hora de fazer os exames e constatar tal gravidade, já que doente era certo que estava. pegou o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;ônibus&lt;/span&gt; lotado, arrepiava-se cada vez que alguém &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;relava&lt;/span&gt; nela. estava tão viva. passou o caminho todo pensando se contava ou não para os parentes. decidiu, quase no ponto final, esperar o resultado. ao chegar em casa tratou de fazer uma cara normal. a tosse não havia atacado nenhuma vez no dia todo, mas ela &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;insistia&lt;/span&gt; numa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;tossidinhas&lt;/span&gt; de vez em quando. tossia &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;principalmente&lt;/span&gt; quando pipocava dentro dela a alegria. tossia pra disfarçar que estava completa, plena, viva. telefonou para a patroa pra avisar que no dia seguinte chegaria mais tarde, teria que fazer uns exames que o médico mandou. foi dormir com os pedidos de exame nas mãos, queria olhar e tentava decifrar naquele escrita toda o que significavam. quando estava quase embarcando no sono, achou que os nomes mais complicados ficavam por conta dos exames mais graves. dormiu como nunca. no dia seguinte foi &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;direto&lt;/span&gt; ao laboratório. no caminho milhares de pensamentos, azuis, rosa, vermelhos, pretos, todos os pensamentos. deixou de ser um nada mais e passou ao tudo mais de uma hora pra outra. as pessoas do laboratório nem olharam pra ela com uma cara de piedade, já que era essa cara que ela imaginou que eles à olhariam. mas ela pensou que eles já estavam acostumados com mortes todos os dias. era o jeito que eles tinham de reconfortar os doentes. volta e meia respirava de um jeito diferente. era bom sentir-se assim. foi para o trabalho pensando em quem seria sua substituta, até quando aguentaria trabalhar. passou o dia todo com a realização mecânica dos afazeres, já não podia pensar em outra coisa. e o gato, quem cuidaria do gato. tinha muita coisa com o que se preocupar. em casa, na hora da janta, olhava os parentes, pensava que deveria ir confortando-os aos poucos, eles teriam que aceitar que alguns duram muito e outros pouco e que é assim que a humanidade caminha. toda noite olhava suas coisinhas, as roupas, poucas roupas, suas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;bijuterias&lt;/span&gt;, seus sapatos, tudo o que &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;possuía&lt;/span&gt; e pensava nas pessoas que herdariam aquelas coisas. não sabia se era melhor já definir quem ficaria com o que ou se era melhor deixar que os parentes fizessem isso. talvez até os próprios parentes quisessem ficar com as coisas, um meio de homenageá-la. um dia, perdeu a hora do trabalho, andava muito ocupada para dormir cedo. outro dia sentou no banco da praça e ficou lá tanto tempo, que quando precisou ir embora não havia mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;ônibus&lt;/span&gt;. teve que voltar caminhando. estava atarefada demais nos últimos tempos. até os parentes tinham notado sua mudança. ela elegia o melhor momento para lhes falar sobre a doença e tudo o que aconteceria com ela. mas esse momento não lhe parecia claro. tinha dúvidas. esperava os resultados. e um envelope chegou na sua casa. era duro ter que abrir, precisava de tempo, queria prorrogar o estado de vida que estava. dormiu abraçada com o envelope. pensou se deveria abrir ou não. levou dias nessa decisão. abriu. lá tinha uma porção de não-entendimentos e um positivo. estava gravemente doente. era certo. pensou no discurso. decidiu que o médico tinha direito de ver os exames antes que ela propagasse sua morte certa. marcou consulta, faltou no trabalho. se arrumou, passou um perfume de uma parente que estava no banheiro. passou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;batom&lt;/span&gt;. pois dois grampos no cabelo, um de cada lado. colocou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;calcinha&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;sutiã&lt;/span&gt; da mesma cor. sua mãe sempre dizia que sair de casa era assim, de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;conjuntinho&lt;/span&gt;, se você passa mal e precisam te acudir, coisa mais feia é meia, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;calcinha&lt;/span&gt; ou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;sutiã&lt;/span&gt; furado. ela poderia morrer antes mesmo de chegar ao consultório. poderia morrer a qualquer momento. era precavida, não contou a ninguém, mas deixou uma carta dentro do guarda-roupas. refestelou-se pelas ruas. chegou ao médico bem antes da hora marcada. sorria para as pessoas, um sorriso de um rosa claro e leve. tinha uma pequena poupança para o enterro, não abusaria e ninguém. quando o médico chamou seu nome, sentiu o coração parar e voltar a bater. sentiu como as mulheres dos filmes que esperam seus amados. levantou e parecia que pisava em pelúcia. caminhava em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;câmera&lt;/span&gt; lenta e tudo ao redor era nada mais que um borrão. o envelope refrescava sua mão e o refrescar espalhava-se pelo corpo todo. demorou dias pra chegar até a sala do médico e lhe entregar o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;veredito&lt;/span&gt;. ele abriu com uma agilidade de quem está acostumado a isso. olhou rapidamente para ela. estava certa de que ele queria se certificar de que ela ainda não havia partido. ela quase sorriu. ele colou os olhos nas folhas. passou por todas elas e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;pigarreou&lt;/span&gt; antes de começar a falar. todos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;pigarreiam&lt;/span&gt; antes de uma má noticia, ela quis dizer a ele que não era preciso &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;pigarrear&lt;/span&gt;, ela já sabia de tudo e aquilo não era uma má noticia pra ela. ele fixou num ponto, como se precisasse de força para falar e disse que estava tudo certo. ela procurou se movimentar para ver se ele a olhava, ele nada. rabiscou algumas coisas numa folha de receituário. entregou e se despediu. ela antes de sair ainda conseguiu quebrar seu protocolo pessoal e perguntar nada mais, e ele disse que nada demais. deu mais dois passou e pensou que ele ligaria para alguém da &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;família&lt;/span&gt; e falaria a verdade, pensou que por seu jeito frágil ela não iria suportar saber que irá morrer em breve. voltou e disse que era mais forte do que todos os que moravam com ela, que tinha visto o positivo e que estava preparada. ele ainda assim sem olhar disse que realmente ela era muito forte e que estava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;ótima&lt;/span&gt; para a idade, disse ainda que o positivo era para uma pequena infecção no pulmão que seria rapidamente curada com remédios, caso ainda restasse alguma bactéria. as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;pelúcias&lt;/span&gt; por espinhos, a velocidade da luz em seu peito. saiu de lá transtornada. queria correr nas ruas e gritar para que &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;olhassem&lt;/span&gt; para ela, queria tirar as roupas, os órgãos, a pele e os cabelos. queria voltar para dentro de si e se trancar lá. queria que a fúria que sentia a secasse e que morresse de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;enfarto&lt;/span&gt; ali, no meio da rua. queria tudo o que não teve e tudo ao mesmo tempo. sentou no chão, em meio á rua. anoiteceu agachada, com algumas moedas em sua frente. se sujou de terra e cuspe. queria algo, nem que fosse um nada maior do que tinha. voltou pra casa só no outro dia. os parentes estavam preocupados. sabiam que tinha recebido resultados de exames, sabia que tinha ido ao médico. ao vê-la perceberam que era grave o que tinha. estava acabada. não lhe restavam mais do que fuligem do que nunca foi. as parentes lhe deram um banho, os parentes compram os remédios da receita. rezaram todos para que não morresse. ela deitou-se na cama.  eles espalharam aos vizinhos que rezassem por aquela moça, tão nova, tão cheia de vida. o gato subia na cama e passeava por entre as suas pernas. todos os parentes se mobilizaram, traziam comida, doces, flores, revistas e livros. faziam com que tomasse o remédio, que logo estaria boa. ela não acreditava que fosse melhorar, mas também sabia que ninguém morria de tristeza, não para ela. tinha perdido sua chance de viver. não morreria tão cedo, lhe disse o médico. precisaria de algum tempo para voltar a fazer o que sempre fez. nada mais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-7581150052668767027?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/7581150052668767027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=7581150052668767027' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7581150052668767027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7581150052668767027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/nada-mais.html' title='NADA MAIS'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-7476382055996178806</id><published>2010-03-04T11:44:00.002-03:00</published><updated>2010-03-04T12:02:12.649-03:00</updated><title type='text'>NECROFOBIA GRAVE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;morava sozinha a moça. uma casinha que dava gosto de ver, caso fosse vista por alguém. tudo arrumadinho, tudo no seu devido lugar. todos os dias elas saia pra trabalhar e voltava no mesmo horário. nunca nada de novo. cumprimentava cordialmente os vizinhos. era muito educada. não se via muito movimento por ali. sempre ela e ela mesma. mas era preferível assim do que uma bandalheira a cada noite. aos sábados lavava roupa, as calçadas e os vidros da casinha. a casa era de material, com calçada em todo o quintal. nas floreiras da janela e da varanda, flores sempre bem vermelhas e matos sempre verdejantes. mas ela não regava. nunca regou nada naquela casa. seria um mistério as plantas não morrerem, se nunca havia sido regadas. mas era domínio público, eram de plástico. mas aos domingos ela sempre dava um trato nas coitadas. levava para o tanque e dava uma boa lavada pra tirar a poeira. e depois colocava de novo nas floreiras, limpinhas, verdinhas e vermelhas. na janela da sala tinha um gato gorducho, com duas buricas azuis no lugar de olhos. quem não tivesse habituado com a visão, poderia estranhar o bichano ali, parado, todo santo dia. mas os vizinhos já sabiam, era de pelúcia o miau. e depois tinha os latidos. volta e meia ouviam uns latidos, sempre iguais, sempre no mesmo tom. descobriu um dia uma vizinha das mais "interessadas", que era um cachorrinho que parecia de verdade, mas que era eletrônico. latia, andava, parecia verdadeiro, mas era fake. as janelas tinham tela, evitavam a entrada de mosquito, pernilongo, abelha, borboleta, qualquer coisa viva. ela não se esforçava em fazer amizades, sabe as grandes amizades, não, elas não eram com ela. o pessoal do trabalho não sabia nem a idade, endereço, telefone ou coisa alguma sobre a moça. ela lia livros, via filmes, assistia televisão, comi, via fotos e bordava. eram os seus passatempos. não tinha necessidade de outras coisas, a vida se completava assim. um dia por muita insistência do chefe, passou no médico do trabalho, fazer um periódico, ele disse. e lá ficou, pensando o que iria acontecer ali. não tinha medo, mas tinha que conversar, e ela não estava muito acostumada, ainda mais se o assunto fosse ela. o médico chamou, ela entrou e eles começaram. conversas indo e vindo. e no fim das contas o médico era bem esperto, exprimiu dela o que jamais alguém tinha conseguido. saiu de lá com um afastamento e uma indicação expressa de um psiquiatra. os colegas não entendiam o que ela tinha de tão grave, para ser afastada do trabalho por tempo indeterminado. e ela leu no atestado: " necrofobia grave". nem sabia o que era. ficou sem entender nada. foi pra casa, continuou sua rotina, não foi ao psiquiatra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-7476382055996178806?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/7476382055996178806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=7476382055996178806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7476382055996178806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/7476382055996178806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/necrofobia-grave.html' title='NECROFOBIA GRAVE'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-555411238772668802</id><published>2010-03-04T11:05:00.002-03:00</published><updated>2010-03-04T11:44:54.211-03:00</updated><title type='text'>sem olhos, sem olhar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;PARA SCHEILA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;POR DEIXAR MEUS OLHOS CADA DIA MAIS DELICADAMENTE ABERTOS...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;EM todos os aniversários e festividades passíveis de presenteações, ela ficava tensa. enquanto as outras crianças corriam abrir seus pacotes, ela deixava sobre a cama e passava horas olhando aquelas coisas. os pais e o irmão já tinham se acostumado ao jeito esquisito dela. deixavam tomar seu tempo. depois de muitos dias ela desembrulhava. ficava triste ao perceber que eram mais bonecas. colocava todas dentro do guarda-roupas e fechava a porta bem rápido. ia escorrendo pela porta do roupeiro fechado, fechava os olhos com uma humidade fora do normal. suas roupas tinham passado para a comoda, desacomodadas do guarda-roupas cheio de bonecas, entupido. ela não suportava, tinha dias que nem dormir dormia, elas estavam lá, ela lembrava da cara de cada uma delas, todas com suas roupinhas cor-de-rosa, com tufos de cabelos louros. ninguém entendia aquilo, ela quase não entendia também. mas não podia suportar. depois viram os bichos de pelúcia. mas todos com aqueles olhos. todos dentro do armário superlotado. o móvel parecia gordo, empanturrado de olhos até a goela. um dia voltou da escola, entrou no quarto para trocar de roupa e deu um grito estridente, tão agudo e longo que fez tremer as janelas da casa de madeira. elas estavam lá, não só elas, mas também eles. todos espalhados pelo chão do quarto. não só uma parte do chão, mas todo ele. estavam por todos os cantos do quarto e olhavam pra ela. ela sabia que chegaria o dia de encarar todas elas. sabia que o guarda-roupas não suportaria. chegou o dia em que ele regurgitou todas, pelo quarto todo. da porta mesmo ela virou-se e correu o mais rápido que pode. chegou ao jardim, sentou no degrau de pedra da porta dos fundo. não podia piscar, não podia fechar os olhos, que doíam, arregalados. e dentro da cabeça dela, estavam todos, olhando. ficou fora de casa até anoitecer. não podia voltar lá, mas teria. sabia que era ela quem teria que resolver aquilo. entrou, passou pela sala e fitou levemente todos assistindo televisão. foi até o quarto. entrou, fechou a porta. pegou uma por uma. tentou ensaiar uma brincadeira, trocar a roupinha, falar com elas. mas não era possível, elas a olhavam. passou os olhos pelo quarto e um pânico subiu por seus pés e chegou aos seus cabelos. quis dar outro grito daqueles, mas já era tarde, tinha pavor em causa transtornos aos demais. seu dedicado amigo roupeiro estava lá, ele não à olhava. tinha um corpo todo completinho, mas não tinha cabeça, logo não olhava. os braços dele fizeram um convite e ela não pensou duas vezes. entrou no roupeiro e se aconchegou ali dentro. esqueceu dos olhos, dormiu. no dia seguinte a mãe bateu na porta. eram todos tão educados. ela saiu do roupeiro e abriu a porta do quarto. a mãe observou a bagunça de bonecas e bichos de pelúcia espalhados e disse a ela quem deveria arrumar aquilo, disse a ela qual era o papel de cada um deles ali dentro. ela sentiu o interior do seu corpo borbulhar, não sabia o que era aquilo. a mãe terminou, passou a mão sobre os seus cabelos e sorriu. seu corpo queria explodir, se ela soubesse o que era explosão. voltou para dentro do armário, colocou a caixola para funcionar. saiu de lá com passos tão decididos, que poderia ir a qualquer lugar. foi até a cozinha e pegou sacos plásticos grandes, voltou ao quarto. deu um grito mudo bem longo, aqueles que ela já tinha visto em tantos filmes, aqueles dados no começo de uma guerra. correu no meio das bonecas. arrancou a cabeça de cada uma delas com as próprias mãos e colocou nos sacos. ao fim estava exausta. tinha três sacos de cabeças de bonecas. esperou anoitecer, anoitecer bem. pulou a janela do seu quarto e o que se viu depois foi uma chuva grossa de cabeças de bonecas, cair no bairro. cabeças grandes, de plástico ,de porcelana, bem pequenas, com ou sem cachos de cabelos. cabeças. ela não precisou se proteger, era uma chuva que não molhava, pensou. voltou pra casa e não conseguiu dormir. brincou até o amanhecer com os corpinhos. no dia seguinte no colégio, o comentário geral era sobre o massacre das bonecas. um mistério, diziam. e ela satisfeita. aos poucos a rotina foi se recompondo. todas as normalidades de sempre se reinstalaram. a amnésia popular também. e todas as tardes os vizinhos mais curiosos viam a estranha menina que brincava na frente de casa, com suas bonecas sem cabeça. e ela tranquila, brincava até cansar. não havia mais problema, podiam brincar do que quisessem, não havia mais olhos para censurar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-555411238772668802?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/555411238772668802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=555411238772668802' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/555411238772668802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/555411238772668802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/sem-olhos-sem-olhar.html' title='sem olhos, sem olhar'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-1450158944687447813</id><published>2010-03-04T10:51:00.002-03:00</published><updated>2010-03-04T11:04:52.562-03:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;101. O DIA PASSA E NEM SE VÊ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fiz mais um milhão de coisas nessa cidade que tanto me absorve quanto absorvo ela. caminhei pelas ruas por nada, quando descobri um tudo nesse nada. fui até o meu lugar, onde ao invés de touros encontrei vacas. andei de metrô mais vezes, de carro, de sonhos. conheci pessoas e percebi o quanto nunca se pode estar sozinho. estamos todos por ai e o que nos resta se não olhar ao redor e ver o que há. esse texto certamente é o mais poético de todos. não é só a inspiração que me toma e sim o sentimento de despedida de alguém querido, mais de uma despedida. despedida com gosto de até logo, que nunca sei se é logo ou longo. fica o gosto delicioso de saber que não estou tão atrasada assim, que tudo pode ser feito e em todos os lugares. meus pensamentos não são futurísticos ou retrógrados, são simplesmente pensamentos e ideias que estão ai. e por fim os últimos metros até o aeroporto, o silêncio de duas pessoas que se amam, a dor de ter que partir e ter que deixar ir. na despedida de nós duas, não há palavras, só umas gotas, que gritam um saudade que já começa a se formar. no caminho até guarulhos, já no ônibus da empresa aérea, uma boa música e mais uma passada de olhos onde não deu pra ir ou onde não deu pra ficar a eternidade que eu queria. e já a saudade boa apertando o peito. e no avião, olhando por cima das nuvens, não tão relaxada, não menos tensa do que sempre que vôo, mas olhando as nuvens, um certo silêncio pairava no ar, um certo respeito que a partida merece. ninguém do meu lado, nenhuma mão pra segurar, nenhum ombro pra deitar. descobri por fim, minhas próprias mãos e meu ombro, sempre lá, sempre presente, quando tudo mais me faltar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"são paulo terra da garoa, terra de gente boa que gosta de estar lá"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-1450158944687447813?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/1450158944687447813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=1450158944687447813' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1450158944687447813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/1450158944687447813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/03/101-dias-em-sao-paulo.html' title='101 dias em são paulo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4894484937040690124</id><published>2010-02-18T16:26:00.003-02:00</published><updated>2010-02-18T16:39:15.600-02:00</updated><title type='text'>101 DIAS EM SÃO PAULO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;10. que data é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje é dia de compras. e não há lugar melhor, quando o dinheiro é ralo, pra comprar milhares de coisinhas do que a 25 de março. já fui lá umas outras vezes e sempre fico admirada com a facilidade que temos de piratear, copiar, falsificar. tinha visto uma reportagem sobre a 25, e diziam que os vendedores de rua estavam, na maioria dos casos, proibidos de vender por ali, mas não notei muita diferença das outras vezes. muita gente comprando e muita gente vendendo. andamos, eu e minha amiga. entramos e todo e qualquer beco que tivesse alguma coisa pra vender. subimos e descemos aquelas ladeiras de fazer inveja a olinda. batemos perna pra valer. pesquisamos, pechinchamos e por fim compramos tudo o que queríamos. tudo o que queríamos, não, tudo o que pudemos, já que querer sempre queremos muito mais. e toda vez penso algumas coisas : será que alguém compra isso? será que alguém não compra isso? como é que vendem isso tão barato (lembro de milhares de chineses escravos)? e por fim, o que se comemora em 25 de março? deve ser algo muito animado e cheio de presentes, pois só isso combinaria com uma rua assim. saímos de lá cheias de sacolas e vamos até o vizinho, mercadão. acho o lugar de uma arquitetura impressionante, mas tão mal cuidado, cheio de caixas, restos de coisas, vendedores ambulantes remanescentes da 25, enfim, tanta poluição visual pra um lugar lindo. isso me deixa sem vontade de equilibrar as milhares de sacolas em uma só mão e tirar a máquina fotográfica da bolsa. mas lá dentro tudo muda. outro lugar, me parece. milhares de comidas, frutas, verduras, tudo organizado, tudo limpo. adoro provar as frutas exóticas. aproveito pra comprar uma pitaya colombiana em promoção. essa só na promoção mesmo, já que normalmente custa 99 reais o quilo. a fome e o horário apertam e paramos em um dos tantos quiosques de comidinhas paulista-portuguesas. estava mais com sede do que com fome. descido por uma coca bem gelada e um pastel de palmito. tinha o típico de bacalhau, super bem recomendado, mas infelizmente bacalhau não faz parte do meu menu preferido. sanduiche de mortadela também é um dos favoritos, mas com aquele calor, preferi algo mais leve. comemos rápido e rua. andar até o carro. em são paulo é assim, piscou passou. e lá se vai mais um dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4894484937040690124?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4894484937040690124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4894484937040690124' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4894484937040690124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4894484937040690124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/02/101-dias-em-sao-paulo_5737.html' title='101 DIAS EM SÃO PAULO'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2854056206315686900</id><published>2010-02-18T16:08:00.002-02:00</published><updated>2010-02-18T16:23:22.291-02:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;9. nem todos os dias são de sol&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;levei um livro pra sampa, sempre que viajo gosto de ter em mãos uma boa companhia. desta vez estava com um 101 dias em bagdá pra terminar e foi o que fiz. e como nem todos os dias são de sol, a pesar de eu achar que em minha homenagem, poderia ser. hoje choveu desde manhã. e eu cansada, já que andar aqui significa andar muito, são paulo está se mostrando a cidade dos excessos. e eu não estou assim tão acostumada. estou cansada. morta. resolvi respeitar os dias de chuva e terminar de ler meu livro. e é muito engraçado, já que a cada página que leio me dá vontade de escrever os meus relatos. como não trouxe laptop, escrevo as idéias principais num bloco de anotações, para depois, quem sabe, escrever aqui por completo. mas achei interessante traças este paralelo de alguém que cobre uma guerra em um lugar estrangeiro e os meus relatos de alguns dias de estrangeira em são paulo. que deveria, desde sempre ser a capital do brasil. a leitura parece trazer mais chuva. chuva na janela traz sono. durmo no meio da tarde. fazia tempo que não fazia algo assim. depois de várias noites mal dormidas, um soninho revigorador.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;nem todos os dias são de sol, mas nem todos são de chuva também. amanhã é um novo dia. é hora de planejar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2854056206315686900?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2854056206315686900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2854056206315686900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2854056206315686900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2854056206315686900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/02/101-dias-em-sao-paulo_4065.html' title='101 dias em são paulo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3864239502261444680</id><published>2010-02-18T15:38:00.002-02:00</published><updated>2010-02-18T16:08:47.661-02:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;8. enxurrada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem só de chuva se fazem as enxurradas de são paulo. depois de sair da sala são paulo. depois de ver todas as belezas que poderia em um dia de semana, fui de encontro a realidade, nua e crua. nua, crua e lotada de todo tipo de informações, nem sempre boas. sai de lá a passos rápidos pelo medo da chuva e pelo medo da noite. sabia das minhas horas de volta. passo pela traseira da luz e não é tão iluminada assim. não que eu me incomode tanto assim com drogaditos, mãos leves e putas, fui criada perto do passeio público de curitiba. mas com uma quantidade grande de gente correndo, se acotovalendo e tudo misturado, dá uma certa insegurança e o pensamentos de "deveria ter guardado o dinheiro em vários lugares". me celular já tinha sido furtado (diz meu marido que roubo é quando você vê e furto quando não vê), então estava batizada na grande metrópole. comecei a andar cada vez mais rápido. quase corri. mas tive tempo pra ver uma figura. uma mulher com muitos anos de idade, muitos mesmo, diria que era quase uma centenária, sentada num degrau, com fones no ouvido, várias bijuterias escandalosas, um vestidinho tomara-que-(não)caia colorido, cigarro noutra mão e um batom vermelho impagável. estava lá sentadinha, parecia uma estátua, não se movia muito, mas tinha um sorriso meio "monalisa da rua" que era intrigante. tive que dar uma olhada. queria ter feito uma foto, mas fiquei sem graça de tirar uma foto dela, parecia pra ser levada na memória e não pra ser congelada numa fotografia, depois fiquei com medo de tirar a máquina da bolsa e por fim lembrei que um dia um amigo me disse que era meio "clichê" ficar tirando foto de gente pobre na rua. enfim, guardei na minha memória aquela imagem enigmática. voltei pra correria. peguei fila pra comprar o bilhete do metrô. fila pra entrar nele. e depois disso me deparei com uma enxurrada de gente indo no sentido contrário de onde eu queria ir. fiquei alguns minutos delicadamente tentando romper o fluxo e passar. delicadamente fui empurrada, pisada, espremida, esmagada. deixei a delicadeza na bolsa. me joguei no fluxo e tentei a sorte. andei alguns metros no sentido deles, levada pela correnteza de gente, depois, por fim, consegui fazer uma manobra e ir sentido ao destino que queria. fiquei imaginando aquela gente toda dentro de uma minhoca de lata. pensei em quantas iriam para o mesmo lugar que eu. pensei em esperar. se correr o bicho pega e se ficar ele te come. resolvi não pagar pra ver. fui. o metrô em horário de rush não tem nada de democrático. você desce onde eles querem e sobe se eles quiserem. "eles" é uma massa compacta de gente, meio sem face, meio sem vontade que arrasta o que há pela frente. desci e subi várias vezes no metrô até conseguir chegar ao meu destino final. mas o pior ainda estava por vir. fui até o ponto do ônibus e vi que várias pessoas já estavam lá. esperei. esperei. esperei. esperei por muito tempo até que veio o primeiro ônibus que eu poderia pegar. não deu, tinha gente saindo pela janela. o segundo idem, o terceiro, o quarto. eis que no quinto "buzão" eu entrei no afogadilho. metade da viagem e nada de esvaziar. metade de viagem e nada de conseguir passar a roleta. mais da metade e o povo nada de descer. chegou a minha parada eu estava bem perto da roleta, que fica no meio do ônibus, não consegui ir nem pra frente e nem pra trás. três pontos depois de onde eu deveria descer, consegui chegar perto da porta. pensei em descer. já tinha escurecido. eu não fazia idéia de onde estava. tive a bendita idéia de esperar chegar ao ponto final e voltar. bendita nem tanto. fui, fui e fui. andei tanto que já estava tonta. umas "quebradas" de dar medo. e dai que começaram a descer. longe, bem longe. fui parar no meio de um favelão que nem sei que nome tem. medo. noite. muito medo. pensei em descer e ligar pra minha amiga e pedir pra vir me buscar. estava sem celular, teria que achar um orelhão, não fazia idéia de onde estava, teria que perguntar e torcer pra ela saber onde era. além disso teria que esperar. nesse bonde de pensamentos, o cobrador me disse que era o ponto final. expliquei a situação e ele sorridente, como se aquilo fosse e deve ser, normal, me levou até o outro ônibus que estava saindo e disse pro cobrador onde eu deveria descer, pra ele me avisar. tem metade de gente ruim e uma outra metade de gente boa nesse mundo. voltei, voltei, voltei. já era bem tarde desci no shopping. passei no supermercado dentro dele e caminhei olhando pra todos os lados, agarradinha nas minhas coisas. quando cheguei minha amiga já estava com os olhos esbugalhados, pensando o que ia dizer pros meus familiares. depois de tudo tivemos que rir. mas percebi que nada em sampa é só isso. not just!&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3864239502261444680?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/3864239502261444680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=3864239502261444680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3864239502261444680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/3864239502261444680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/02/101-dias-em-sao-paulo_5687.html' title='101 dias em são paulo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-5572250016242292023</id><published>2010-02-18T15:17:00.002-02:00</published><updated>2010-02-18T15:38:05.412-02:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;7. vá para luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saindo da pinacoteca se dá de cara com a estação da luz. uma linda estação de trens que me fez lembrar tempos antigos que só conheço por fotos. atravesso a rua e vou conhecê-la por dentro. não sabia da fama de má dela. não tinha idéia de que era rodeada por prostitutas, drogados e ladrãozinhos. fui sem saber e acho que se soubesse teria ido com um pouco mais de medo, mas teria ido mesmo assim. já eram 17h, a luz na luz no fim de tarde é a melhor para observar, fotografar ou fazer qualquer coisa inspirativa. fiz algumas ótimas fotografias. caminhei. fiquei observando a movimentação por um bom tempo. os trens param, um punhado de gente desce e outro punhado igual ou maior entra. e assim ficam por horas, dias, meses, anos, nesse vai e vem de gente e trens. dei mais uma boa olhada e tive que sair correndo. queria ir até a estação pinacoteca, que fica alguns metros dali. sai com vontade de ficar. passei pelo museu da língua portuguesa. é claro. terei que voltar infinitamente. contornei a praça, caminhei alguns metros e cheguei na estação pinacoteca. onde os quadros mais famosos estão localizados. entrei e o guarda já me disse pra subir correndinho. fecha 17:30. acho o fim ter que ver obras de arte bem rapidinho. mas é o preço de querer ver tudo numa tarde. fui ao quarto andar e comecei a olhar. sabe que nunca pensei que iria me emocionar ao ver obras de arte. não que as obras não me emocionem. me emocionam e muito, várias delas. mas fiquei perplexa ao ver tarsila, segal, volpi, di cavalcanti e tantos outros. uma coisa é saber que eles existem e ver suas obras em livros de arte e história, mas dai a vê-los na sua frente, materializados. foi emocionante saber que existiram sim, que não são irreais, que pegaram pincel, tinta, tempo, inspiração. que fizeram esboços e que certamente tiveram as mesmas dificuldades que qualquer mortal. apesar da pressa em ver, degustei cada segundo perto daquele quadros que no fim via como os próprios artistas. foi como um chá da tarde com velhos amigos, que não via faz tempo. terminei a visita dentro do tempo recomendado pelo guardinha e sai de lá feliz como nunca.&lt;br /&gt;ao sair dei de cara com a estação júlio prestes, a famosa sala são paulo. tive que ir dar uma olhada, mesmo com algumas nuvens censuradoras. entrei naquele lugar e já senti um climinha bom. como diria a marisa (monte) climinha de barulhinho bom. infelizmente as visitas monitoradas já havia acabado naquele dia (voltar!), mas felizmente o simpático funcionário do local que me informou os horários também permitiu que eu desse uma olhadinha na sala. nunca vi nada igual. sem gente, nem música, nem nada é perfeita. tive tempo para uma rápida "imaginada" de como seria emocionante ver um concerto ali. mas o tempo dele e o meu era curto. me despeço com uma alegria contagiante.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-5572250016242292023?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/5572250016242292023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=5572250016242292023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5572250016242292023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/5572250016242292023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/02/101-dias-em-sao-paulo_5503.html' title='101 dias em são paulo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2776105662619006762</id><published>2010-02-18T14:35:00.002-02:00</published><updated>2010-02-18T15:17:07.450-02:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;6. a cada duas horas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;resolvo ir ao centro da cidade novamente. ver umas outras coisas, por outras bandas. mas decido que tenho que fazê-lo sozinha e com os meios públicos de transporte. aquele meios, nunca inteiros. anoto novamente os nomes, números e telefones impressindíveis pra ir e voltar. ainda não sei me virar tão bem assim. dizem que quem tem boca vai à roma, mas como não estava hospedada em roma, de nada adiantaria minha boquinha. o sol é animador e intimidador ao mesmo tempo. coloco uma roupa leve, tênis, uma bolsa à tira-colo e um sorriso simpático na cara e vou. uma pernadinha até o ponto de ônibus mais próximo, uma descida fácil que me faz pensar que não será tão assim na volta. céu azul. sol. no ponto você escolhe se se esconde do sol ou se vê que ônibus está vindo. minha insegurança me faz ficar torrando. depois de um tempo ele chega, entro, sento. e vai. e vai. e vai. vai longe. depois de uma hora e meia quase, dentro do "buzão", desço no ponto final e vou para o metrô. qualquer cansaço se dilui na entrada do metrô. minha cidade não tem disso, penso. fila pra comprar o bilhete. agradeço pela fila pra poder ficar parada observando, sem que ninguém me ache estranha. nana, a estranha. e me divirto. tem uma daquelas máquinas de comprar guloseimas. aquela do filminho "os sem-floresta". acho tão legal. minha cidade não tem disso, penso. minha cidade não tem nada. risos. pego o bilhete, passo a roleta com certa cerimônia que os outros não tem mais. olho no mapa, não posso me perder. sigo descendo as escadas para o meu filme particular. cada vez que ando de metrô me imagino numa cena de filme. sabe aquela bobagem de ser feliz com coisas corriqueiras. ainda que andar de metrô não seja tão corriqueiro pra mim. faço as baldeações e sorrio ao perceber que estou me virando bem. não pego nenhum metrô hiperlotado. num deles tem até poesia na parede. agradeço. desço na estação tiradentes, minha amiga disse que era mais perto da pinacoteca. de frente pra saída, o museu de arte sacra. acho que fica pra depois. levei duas horas pra chegar até lá, já são 16h, não quero demorar muito. será que vai chover? nunca se pode esquecer dessa pergunta. caminho pela rua. chego a pinacoteca. maravilhosa. estação da luz idem. fotografo. hoje estou mais fotográfica do que os outros dias. pego e pago meu bilhete. entro. fico estarrecida. belíssima. exatamente como eu imaginava que deve ser um lugar que se propõe a viver com arte por todos os lados. olho todas as exposições. quissá tivesse dinheiro para comprar todos os catálogos que desejei. nenhum. estar em sampa custa caro, quem sabe numa próxima. fico ansiosa pra ver a fonte tão famosa. vou ao térreo e lá está. menos do que eu imaginava,mas lindíssima. termino de olhar as obras que existem por lá. o ar condicionado faz a hora correr como uma louca. observo o anexo parque da luz. terei que voltar outro dia. como sempre, terei que voltar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2776105662619006762?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2776105662619006762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2776105662619006762' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2776105662619006762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2776105662619006762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/02/101-dias-em-sao-paulo_18.html' title='101 dias em são paulo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-2149359279920987922</id><published>2010-02-09T01:11:00.001-02:00</published><updated>2010-02-09T02:11:48.823-02:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;05. liberdade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;vamos até a liberdade, é domingo? é claro. tenho a liberdade tatuada no pé. teria lugar mais propício? andamos por uma são paulo linda, calma, limpa, sem carros entupindo as ruas. é o dia mais feliz dessa cidade, é quando ela respira. estávamos dentro deste ar. por mais uma vez me detive nos detalhes que ninguém quer, os que ninguém nota. tem tanta coisa pra olhar, que deveria passar muitas vidas aqui pra poder tanto olhar. estou imersa. penso na quantidade de coisas que tem pra ver. preciso voltar. vou voltar. sempre volto. com pouco trânsito podemos nos dar ao luxo de fazer caminhos nem tão alternativos. vamos com calma. os semáforos podem fechar, não há pressa. casas, bairros, ruas. sampa. perto da liberdade um pequeno trânsito faz perceber o que há por lá. a busca pela liberdade. estacionamos longe. o preço dos estacionamentos é exorbitante. o fim dos tempos a hora. 2012 é aqui. deixamos isso pra lá, pequenos prazeres da vida. caminhamos e tenho mais o que olhar. olho com gosto. não me canso de olhar. cada vez mais perto e o clima ajuda a dar o ar de domingo. está calor. tão calor que derretemos aos poucos. calor de derreter frigideira na sombra. caminhamos. meus cabelos molhados. venta um pouco. perfeito. chegamos a feirinha. lotada. diferente. averiguamos. festa de boas vindas ao ano novo chinês, o ano do tigre. vem aqui gatinho, psipsipsiiiii. olhamos e decidimos por onde começar. há muito o que ver e fazer. um dragão seguido de uma "bandinha" entra em várias lojas dando boas vindas ao ano e desejando prosperidade. não sou o dragão, mas entro nas lojas, as de cosméticos, de bijus, os mercados, as de variedades, de roupas, as, as, as, as todas. minhas mãos olham com pressa. tanto o que ver. adquiro pouco perto do que gostaria. estou exercitando minha compulsão. uma moça oriental se oferece para escrever meu nome em chinês. um lindo ideograma. vou tatuá-lo. deveria ter pedido também o de liberdade. pedirei ao Sr. Google. uma festa. depois de tempos entrando em todos os buraquinhos da liberdade. que igrejona é aquela, pergunto. a da sé, respondem. quer ir, tá perto? o brilho dos meus olhos é que responde. caminhamos pelo centro. o outro lado do centro. vazio, deserto. muita gente nas praças. mas perto do todo dia, do muito de sempre. vazio. não é imundo, as vezes fede, mas nada comparado com o que poderia ser. pastores pregando, jogatina, carteado, bebida, domingo. caminhamos. a sé por fora é linda, por dentro é linda. me lembra a catedral de curitiba, mas como se fosse a mãe dela. fotografo de leve. caminhamos mais. centro cultural da caixa. prédio da justiça, pátio do colégio. são paulo. lembramos da chuva que pode vir. partimos. prédio antigos. é uma jovem senhora. uma vovózinha querida que acolhe a todos. mas é uma senhora que chove. o caminho de volta é longo. ibirapuera? pode ser amanhã? sampa também cansa. ainda há alguns dias.em casa não durmo na que nunca dorme. tenho um engarrafamento de pensamentos aqui dentro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-2149359279920987922?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/2149359279920987922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=2149359279920987922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2149359279920987922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/2149359279920987922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/02/101-dias-em-sao-paulo_3049.html' title='101 dias em são paulo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-6873223610048088776</id><published>2010-02-09T00:43:00.003-02:00</published><updated>2010-02-09T02:05:05.494-02:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;04. hoje a tarde a marginal engarrafou&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;estava no centro da cidade. uma felicidade imensa. eu já estive aqui antes, tem coisas minhas por aqui, penso. caminho com uma facilidade. não sei bem onde estou, mas sei que é onde quero estar. olho coisas que tenho certeza que a maioria dos paulistanos não percebem. "nelson, o rei das bolsas", "bolsa de valores". coisas que nem todo mundo vê. caminho sem medo. inclusive sem medo de ser feliz. olho no rosto das pessoas, mas elas pouco me olham, estão em são paulo. eu também estou aqui (!), dizem meus olhos. estou aqui. o céu está claro. será esse o motivo da pressa? o dia está maravilhosamente claro, como esteve ontem, mas será que o mesmo de ontem é o que nos espera? tento não pensar que a qualquer momento o meu sorriso pode se fechar assim como o céu. céu de brigadeiro. e passo o dia todo nessa de andar e ver e sorrir e olhar e esqueço até a máquina na bolsa. caminho por lugares que não imaginava. caminho. tomo um suco, o calor está de matar. tomo guaraná, suco de cajú. já sabemos o que esse calor todo traz. tento não pensar. estou onde quero estar. caminho até um museu. perco a noção do tempo. sou uma caipira em nova york. perco a noção da chuva. depois de ver tudo e mais um pouco, saio, o museu já vai fechar. as coisas aqui fecham diz o moço e sorrio. o sorriso se fecha na medida que meus pés cruzam a linha que divide o interno do externo. o claro do escuro. o brigadeiro acabou, a festa acabou. run nana, run. de ônibus, isso não é nada bom, eu penso. espero. eu e milhares de pessoas. estão voltando depois de um dia de trabalho. estamos no mesmo não-barco. demora. deveria estar acostumada. tudo demora. tento não ligar. mas o teto pintado de cinza-escuro com desenhos prateados que vão e vem não me deixa não ligar. os carros se acumulam. se acumulam. se acumulam. o ônibus está lá atrás. esperamos. lota. nos acotovelamos. temos todos que chegar, pessoal, temos todos a mesma pressa. estar dentro do ônibus traz o alento de estar um pouco acima do nível da rua-rio. a chuva chega muito mais depressa que o trânsito. estamos todos no mesmo ônibus-barco. janelas fechadas, embassadas, calor, apreensão. estamos na mesma são paulo. horas, dias, meses, anos. estamos parados. engarrafados. podia ser champagne o conteúdo da garrafa. relaxo. o rio da marginal vaza. relaxo. reanaliso minhas chances de subir ao teto do "busão" se for necessário. tenho aptidões de ginasta. rio da minha própria cara. sou jacú fora do mato. o resto nem liga. lembro do "seo jorge" na versão da minha música favorita. estou há tempos dentro do veículo. depois de horas chego em casa. meu celular sem bateria. pego o cartão e tento ligar pra ele do orelhão. estava escangalhado e o cartão zerado. saio de lá com os pingos me molhando e canto em alto e bom tom "hoje a marginal engarrafou e eu fiquei à pé, tentei ligar pra você, orelhão da minha rua estava escangalhado, o meu cartão tava zerado, mas, você crê se quiser". seo jorge, eu te entendo quando adapta. eu não sou daqui, todos sabem. mas poderia ser. poderia ser de qualquer lugar.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-6873223610048088776?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/6873223610048088776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=6873223610048088776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/6873223610048088776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/6873223610048088776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/02/101-dias-em-sao-paulo_09.html' title='101 dias em são paulo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-4086703833242531758</id><published>2010-02-09T00:34:00.003-02:00</published><updated>2010-02-09T00:43:22.293-02:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;03. será que vai chover?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma vontade imensa de sair. um medo de ir pro centro e não ter como voltar. lembro das recomendações da mina mãe. "sobe num prédio, que a chuva chega que você nem vê". vou até o shopping. caminho pelas lojas, está cheio. as pessoas saem independente da chuva. não são como eu. não são. estou passando pela frente de uma das saídas. uma porção de construções bem na frente. prédio enormes ainda em tons de cinza escuro. confundo o que é céu e o que é concreto. meu coração aperta. tenho que voltar correndo pra casa é o meu primeiro pensamento. olho ao redor. tenho vontade de ir até o alto falante e dizer para todos, corram, vai chove, vai alagar, vai engarrafar. calo. eu é que não sou daqui. pago o estacionamento. me dirijo até o carro. dou partida. antes de sair olho o céu noturno. os clarões se entrelaçam. medo. dirijo com pressa. chego em casa, estaciono. corro para não me molhar. chova chuva, chove sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e no noticiário da madrugada, já que se ela (sampa) não dorme, eu não durmo, as ruas alagadas, as pessoas presas nos carros, carros boiando, mortos, deslizamentos, tudo de novo, nenhuma novidade. deveria ter anunciado no alto falante. alguma coisa teria mudado?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-4086703833242531758?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/feeds/4086703833242531758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2373965203402207455&amp;postID=4086703833242531758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4086703833242531758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2373965203402207455/posts/default/4086703833242531758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sounanarodrigues.blogspot.com/2010/02/101-dias-em-sao-pauloa.html' title='101 dias em são paulo'/><author><name>Nana Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08245734738465820083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_GycYtKHfUIY/SBkaOd9zyMI/AAAAAAAAArc/MRFlzYBgYLo/S220/DSC09271.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2373965203402207455.post-3772359114582315446</id><published>2010-02-08T23:59:00.003-02:00</published><updated>2010-02-09T02:03:42.582-02:00</updated><title type='text'>101 dias em são paulo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;02. dias de chuva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;fiquei durante vários dias em casa, dentro de casa. da janela da sala acompanhava o movimento das nuvens. o escurecimento do céu. a chuva chegando onde não devia. molhando tudo sem piedade. deixando ainda mais molhado o que já estava alagado. "alagados os trens estão". pensava em sair. chovia. pensava em colocar a cara pra fora do prédio. chovia. pensava. chovia. parei de pensar em mim e comecei a pensar naqueles que estavam lá em baixo. dentro d'água.com as coisas boiando. tudo molhado. em dias assim não adianta nem chorar. já está tudo molhado, não se pode dar ao luxo de molhar mais. pensando no asfalto não absorvendo nada. e os rios se formando. as árvores caindo. as pessoas morrendo. a cada dia que começa a esperança que vai até o noticiário. previsão do tempo. chuva na grande são paulo. acompanho com medo. estou no alto, mas em todos os fins de tarde as janelas quase voando. a água caindo sem dó. molhaceira. todos dentro de casa. os vizinhos próximos catando madeiras pra subi os móveis. e cedo se chove ninguém entra, ninguém sai. se chove de noite, ninguém volta. carro, água, barro, chuva,árvore, tudo misturado. todos os dias as pessoas travam uma guerra com essas gotas que caem do céu. todos os dias acompanho o drama das pessoas que "são" daqui. tem os que pedem chuva noutro lugar, aqui rezam para que não chova mais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2373965203402207455-3772359114582315446?l=sounanarodrigues.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' 
